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Reação sobre nossas ações

Reação sobre nossas ações

Caros amigos e companheiros de jornada. Tomado pelas reflexões desses tempos conturbados, vemos diariamente a morte abarcando conhecidos, pacientes e aqueles que amamos. Nós como médicos fomos treinados para compreender a morte como algo derradeiro, inevitável, algo margeando e alimentando estatísticas.

Parar para vislumbrar esse quadro que se formou nesse último ano, nos trás uma série de indagações. A conclusão que vamos chegando é que as leis físicas são imutáveis, pelo menos na sua representação material. Não existe efeito sem causa, ação e reação que levam para longe nossa compreensão.

É evidente que estamos falhando como humanidade. Nos escondemos por trás dos nossos títulos e vaidades. Acreditando que somos melhores do que aqueles que nos avizinham. Que nosso “deus” é melhor. Que nossa causa é mais nobre. Que nossas virtudes, deveriam ser a fonte de inspiração para todos os outros. Ledos enganos e mentiras que entorpecem ainda mais nosso egocentrismo. Falhamos enquanto humanidade por acreditar que somos a obra primorosa de Deus. Que somos o ápice da cadeia evolutiva. E diante dessa crença desfocada, tornamo-nos os carrascos do mundo.

A natureza é sábia em suas ações de reação, respondendo na mesma altura e proporção aos desgovernos ocasionados por nós. É simples colocar em palavras esses pensamentos. É tranquilo concluirmos que estamos fazendo a coisa errada. Em contrapartida, colocar em prática tudo o que julgamos moralmente correto, acaba sendo difícil ou falho.

Não estou aqui como alguém que não acredita na humanidade, acredito, pois, sei que as coisas sempre caminham para o horizonte. Como lei natural, não há retrocesso, há no mínimo uma estagnação momentânea. O problema é que estamos estagnandos demais.

É sério, nunca percebi a morte como uma inimiga ou algo derradeiro e finito. Nesse último ano, no entanto, algo de entristecedor apoderou-se de mim. Tive pacientes que conseguiram vencer bem suas tromboses, oclusões arteriais, aneurismas, e acabaram sucumbindo pela ação de uma partícula minúscula. Essa proximidade, esse evento avassalador tem que nos trazer alguma reflexão menos passional. Precisamos compreender a sutileza do momento. Uma dura lição nos está sendo dada, ao caminharmos em direção ao horizonte de possibilidades. Temos que compreender que somos partículas ínfimas vagando por esse universo. Devemos concluir que nosso egoísmo e vaidade, não servem para absolutamente nada, ou melhor, servem para trazer-nos a dor e sofrimento como companheiros.

No fim a vida prevalecerá, seja aqui ou em outra dimensão. O importante é sabermos aproveitar esse momento para sairmos dessa condição momentânea, melhores do que entramos.

 

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Jefferson Kleber Forti
Jefferson Kleber Forti Seguir

Cirurgião vascular em Belo Horizonte. Membro da equipe H. Biocor. Residência na Santa Casa de BH em cirurgia geral e cirurgia vascular, especialização em cirurgia endovascular no Hospital Santa Catarina em SP. Focado no melhoramento do ser humano.

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