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Respire fundo: A transmissão aérea do vírus SARS-CoV-2 está em pauta

Respire fundo: A transmissão aérea do vírus SARS-CoV-2 está em pauta

Respire fundo: Ou não...

Um artigo publicado na Clinical Infectious Diseases, discute a possível transmissão aérea do vírus SARS-CoV-2.

O título It is Time to Address Airborne Transmission of COVID-19 aborda um apelo, direcionado principalmente à OMS, de possível transmissão da COVID-19 através de partículas menores suspensas no ar, os chamados aerossóis.

Até o momento acreditava-se que a disseminação da doença dava-se por gotículas respiratórias, expelidas por tosse ou espirro, relativamente mais pesadas que os aerossóis, que acabavam atingindo distâncias relativamente curtas, por isso as normas técnicas pregavam o distanciamento mínimo de 2m entre pessoas.

Como também pela transmissão por contato direto através de superfícies e mãos previamente contaminadas.

Por se tratarem de partículas mais leves, os aerossóis podem permanecer suspensos no ar por períodos de tempo mais longos que as gotículas. Contudo, os pesquisadores fazem uma importante ressalva diante dessa questão:

"A COVID-19 não se espalha tão facilmente quanto doenças como sarampo ou tuberculose, que são verdadeiras doenças transmitidas pelo ar e podem se espalhar pelo por longas distâncias. É mais provável que a COVID-19 seja transportada "oportunisticamente." 

Esse oportunismo pode ser interpretado mediante condições que propiciam a transmissão de partículas aéreas da COVID-19, como ambientes fechados e mal ventilados.

"Em velocidades típicas do ar interno, uma gota de 5 μm viajará dezenas de metros, muito maiores que a escala de uma sala típica, enquanto se instalam a uma altura de 1,5 m
do chão."

O nível de evidência apresentado ainda é de caráter duvidoso. 

Os pesquisadores justificam-se mediante dificuldade técnicas de trabalhar com o RNA viral suspenso no ar, por se tratar de uma molécula extremamente instável em ambiente laboratorial. ( neste ponto eles tem razão!)

Em sua defesa declaram que os níveis de evidência encontrados para a transmissão via gotículas e fômites também denotam meios contestáveis.

“Sabemos que o RNA do vírus SARS-COV-2 pode ser encontrado no ar e em superfícies de alto nível (como grelhas / lâminas de ventilação). A única maneira pela qual esse vírus pode penetrar no ar ou em superfícies de alto nível é se um paciente infectado os exalar e o vírus permanecer suspenso no ar (ou seja, não cair no chão imediatamente sob a gravidade) e depois for carregado para superfícies mais altas por movimentos do ar."

Fundamentam-se na ideia de que a ausência de evidência não é evidência de ausência.

A comprovação de que o novo coronavírus é transmitido pelo ar acarretaria mudanças na forma de condução das medidas preventivas, onde seriam necessárias mudanças nos sistemas de ventilação e alteração das máscaras utilizadas pela população para uso de máscaras N95, indicadas quando há procedimentos de geração de aerossóis.

“A adesão ao uso de máscaras e coberturas para o rosto, atenuará parte da propagação do vírus, mas mesmo isso não protegerá totalmente dos aerossóis - portanto, será necessário um distanciamento social para diluir o vírus e reduzir sua exposição."

A OMS seria o órgão responsável por gerir essa troca de recomendações, e levando-se em conta as mazelas econômicas que essa doença já causou e os custos, principalmente aos países subdesenvolvidos, nomear a aquisição de novos Equipamentos de Proteção Individuais ainda mais caros seria inviável.

As pessoas podem pensar que estão totalmente protegidas aderindo às recomendações, mas, de fato, são necessárias intervenções aéreas adicionais para reduzir ainda mais o
risco de infecção.

Um coisa permanece igual: manter o distânciamento social e todos os cuidados já expostos incansavelmente pelos veículos midiáticos e órgão competentes.

A verdade mais dura é que devemos manter todos os cuidados possíveis enquanto não temos um medicamente eficaz à disposição, incluindo manter essa nova e triste dinâmica de isolamento social.

 

Texto elaborado por Renata Campos Cadidé

 


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