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Resposta Glicêmica à Metformina: Novas Perspectivas Genéticas

Resposta Glicêmica à Metformina: Novas Perspectivas Genéticas
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jan. 29 - 4 min de leitura
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  • Estudo revela um polimorfismo genético associado à resposta à metformina abrindo caminho para um tratamento mais personalizado da diabetes tipo 2.
  • A importância de considerar a diversidade genética e a complexidade na definição dos fenótipos de resposta a medicamentos, oferece insights para a medicina de precisão.
  • A integração de dados de biobancos com ensaios clínicos promete revolucionar a farmacogenética do diabetes, promovendo avanços significativos em terapias direcionadas e eficazes para os pacientes.

A metformina, um dos medicamentos mais prescritos globalmente, com impressionantes 25 milhões de prescrições apenas na Inglaterra no último ano, permanece central no tratamento da diabetes, mesmo após mais de seis décadas de uso clínico. A complexidade de seu mecanismo de ação, contudo, ainda é um campo aberto à exploração científica. Recentemente, estudos genéticos populacionais têm sido um farol no entendimento das variações individuais na resposta glicêmica à metformina, sinalizando um avanço significativo em nossa compreensão das interações entre farmacocinética, farmacodinâmica e variação genética.

Os estudos farmacogenéticos, apesar de seu menor tamanho em comparação com estudos de genética de doenças comuns, revelam insights sobre a metformina. Notavelmente, investigações anteriores identificaram loci nos genes NPAT/ATM e SCL2A2 como influenciadores da resposta ao medicamento em pessoas com diabetes tipo 2. A publicação de 19 de janeiro de 2024 da revista Diabetes Care, contudo, destaca um marco significativo na pesquisa, com um estudo de Wu et al., 2024  oferecendo uma nova dimensão ao campo através de um "Genome-Wide Association Study" (GWAS) focado na resposta glicêmica à metformina em afro-americanos.

Este estudo inovador não só identificou um polimorfismo de nucleotídeo único (SNP), rs143276236, no gene ARFGEF3, associado à resposta à metformina em afro-americanos, mas também sublinhou a importância de abordagens inclusivas que considerem a diversidade genética nas pesquisas. O ARFGEF3, expresso nas células alfa e beta das ilhotas pancreáticas, oferece uma conexão plausível com o metabolismo da glicose, pavimentando o caminho para um entendimento mais profundo dos mecanismos subjacentes à ação da metformina.

A pesquisa também enfatiza a complexidade de definir fenótipos de resposta a medicamentos, particularmente em estudos sobre diabetes. A metodologia adotada por Wu et al.,2024 que inclui a análise da interação entre a dose de metformina e a mudança na HbA1c, ilustra uma abordagem refinada para desvendar a farmacogenética da resposta à metformina, sugerindo que a eficácia do SNP rs143276236 está ligada a doses superiores a 425 mg/dia do medicamento.

Enquanto ensaios clínicos randomizados (ECRs) têm sido a pedra angular para superar desafios na definição da resposta a medicamentos, a integração de dados de grandes biobancos com ECRs promete revolucionar ainda mais a farmacogenética do diabetes. Esta sinergia entre análises de metanálises de ECRs e dados do mundo real pode facilitar a identificação de variantes genéticas robustas, iluminando os mecanismos de ação de medicamentos e apoiando uma abordagem de tratamento mais precisa e personalizada para o diabetes.

A pesquisa destacada na edição de fevereiro de 2024 da revista Diabetes Care não só reafirma a importância da genética na determinação da resposta à metformina, mas também abre portas para avanços significativos na terapia personalizada para pessoas com diabetes tipo 2. À medida que exploramos essas novas fronteiras da genômica, a promessa de uma medicina mais direcionada e eficaz para o tratamento da diabetes torna-se cada vez mais uma realidade palpável.



Referência: 

Pearson, E. R. (2024, January 19). New Insights Into the Genetics of Glycemic Response to Metformin. Diabetes Care, 47(2), 193. https://diabetesjournals.org/care/article/47/2/193/154140/New-Insights-Into-the-Genetics-of-Glycemic


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