"A descoberta consiste em ver o que todos viram e pensar o que ninguém pensou." — Albert Szent-Györgyi (1893–1986)
Todo paciente que vai para a radioterapia faz uma tomografia de planejamento. Essa imagem, usada para desenhar o alvo da radiação, contém dados precisos sobre a massa muscular e adiposa do paciente — dados que, na maioria das vezes, são ignorados. E se usássemos essa "biópsia virtual" para diagnosticar sarcopenia sem custo adicional?
Além do IMC
O Índice de Massa Corporal (IMC) é cego para a composição corporal. Um paciente pode ter IMC normal ou alto e ser sarcopênico (obesidade sarcopênica), um fenótipo de alto risco para toxicidade por quimioterapia e radioterapia. A TC revela essa verdade oculta.
Validação e Aplicação (2025)
Os autores do estudo enfatizam que a TC é o "padrão-ouro" prático.
Evidência Robusta: Mais de 2.500 artigos validaram o uso de TC para avaliar sarcopenia em câncer, mas a maioria em HICs.
Aplicação em LMICs: Como a TC de planejamento é obrigatória para a radioterapia moderna, ela representa uma oportunidade única para LMICs saltarem etapas e implementarem avaliação nutricional de ponta sem comprar novos aparelhos.
O Futuro é Automatizado
A barreira atual é o tempo de análise manual. No entanto, softwares de segmentação automática estão se tornando acessíveis. Implementar rotinas onde a TC de planejamento gera automaticamente um relatório de massa muscular pode transformar a nutrição oncológica de reativa para proativa, identificando o paciente frágil antes mesmo da primeira fração de radioterapia.
Texto escrito pela acadêmica Carolina C. Reis
Referências
Murphy-Alford AJ, Grossberg AJ, Baracos VE, Barbar M, Bauer J, Bennett JP, et al. Perspective: Radiotherapy and Body Composition: Unmet Needs in Low- and Middle-Income Countries. Adv Nutr. 2025;100563.






