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[TCE] Efeitos do ácido tranexâmico em mortes, sequelas, eventos vasculares oclusivos e comorbidades

[TCE] Efeitos do ácido tranexâmico em mortes, sequelas, eventos vasculares oclusivos e comorbidades

A ciência relacionada ao trauma evolui a passos largos desde a ocasião da primeira guerra mundial. Entretanto, em países como o nosso, ainda temos uma alta taxa de mortalidade e morbidade decorrente de acidentes, agressões e crimes. A seguir, você vai encontrar o resumo de um recente artigo publicado no Lancet sobre uma droga que melhora o outcame no Trauma.

Artigo Original publicado no Lancet em 14/10/2019 AQUI

Neste artigo você vai encontrar:

  • Epidemiologia mundial do trauma
  • Resultados atingidos com o estudo duplo cego randomizado CRASH-3 para o uso do ácido Tranexâmico vs Placebo em série de mais de 12.000 pacientes
  • Uma solução para mitigar riscos e melhorar o desfecho considerando a complexa cadeia de acontecimentos decorrentes de um TCE

No mundo, ocorrem mais de 60 milhões de novos casos de trauma crânio-encefálico (TCE), sendo os acidentes automobilísticos a principal causa, cada vez mais frequente. Dados da OMS sugerem um aumento de 50% de novos casos nos próximos 15 anos. O sangramento intracerebral consequente do TCE aumenta o risco de morte e sequelas, podendo ocorrer não apenas no momento do trauma, mas também por várias horas após o evento. Neste cenário, o ácido tranexâmico reduz o sangramento por inibir a fibrinólise. O CRASH-2 trial mostrou que em pacientes com sangramento extracraniano maior, a administração em 3 horas do ácido tranexâmico reduziu as mortes por hemorragias em um terço. Neste estudo, os sangramentos intracranianos foram excluídos.

Antes do CRASH-3 trial, somente dois pequenos estudos testaram ácido tranexâmico em TCE e a metanálise destes estudos mostrou uma redução de mortalidade, mas sem evidências que alteram sequelas ou eventos adversos.

O CRASH-3 trial objetivou quantificar os efeitos do ácido tranexâmico no TCE em relação as mortes, sequelas e eventos adversos. Este estudo internacional, multicêntrico, randomizado, placebo controlado, onde os pacientes com TCE e escala de coma de Glasgow de 12 ou menor e, qualquer sangramento intracraniano a tomografia de crânio e nenhum sangramento extracraniano maior, foram randomizados em receber uma dose de 1 g de ácido tranexâmico em infusão de 10 min, seguido de infusão de 1 g a cada 8 horas ou placebo.

Entre junho de 2012 e janeiro de 2019, foram recrutados em 175 hospitais em 29 países, 12.737 pacientes com TCE que receberam ácido tranexâmico (n=6404) ou placebo (n=6331). Avaliação das mortes relacionadas ao TCE nos pacientes que foram medicados em até 3 horas, o risco de mortes relacionado a TCE foi de 18,5% no grupo tranexâmico versus 19,8% no grupo placebo (855 vs 892; risk ratio [RR] 0·94 [95% CI 0·86–1·02]). Houve diferença significative de redução de mortes relacionadas ao TCE quando a medicação era administrada em menos de 3 horas em paciente com TCE leve a moderado (RR 0·78 [95% CI 0·64–0·95]), mas não em pacientes com TCE grave (0·99 [0·91–1·07]).

Este estudo representa um enorme esforço no tratamento de um problema clínico difícil. Considerando os resultados de CRASH-3 com os de CRASH-212 (20 211 pacientes com trauma) e WOMAN13 (20 060 pacientes com hemorragia peripartum), mais de 53.000 pacientes foram aleatoriamente designados no estudo do ácido tranexâmico e dos efeitos da droga em pacientes com sangramento.

Os resultados de cada estudo de forma independente e em conjunto são claros: o ácido tranexâmico reduz o risco de morte devido ao sangramento, independentemente da causa.

Além disso, o ácido tranexâmico deve ser administrado precocemente - dentro de 3 h do início do sangramento - para ser eficaz. Esses dados sugerem uma premissa fundamental sobre a fisiopatologia da hemorragia com risco de vida, que a ativação precoce da cascata de protease fibrinolítica está intimamente ligada a maus resultados em pacientes com sangramento, talvez por causa de vários mecanismos, incluindo sangramento devido à ruptura do coágulo , ativação de vias inflamatórias e aumento da permeabilidade endotelial, levando a edema nos tecidos, principalmente no cérebro. O ácido tranexâmico oferece um meio de mitigar essa resposta desadaptava à lesão.

O Traumatismo Crânio Encefálico é crítico e merece ser olhado com inteligência por médicos, cidades, gestores de hospitais, indústria farmacêutica e toda o Suply Chain envolvido. A telemedicina é uma das soluções possíveis para nos ajudar a mitigar riscos e garantir que cada passo dentro dessa complexa cadeia seja realizada em tempo adequado, impactando de forma brutal na recuperação dos pacientes, aumento do valor percebido por todos os stakeholders e diminuição dos gastos desnecessários da cadeia.

Com relação ao atendimento dos traumas, algumas considerações devem ser feitas. O atendimento rápido, assertivo, com encaminhamento para os locais com profissionais de saúde preparados, com recursos técnicos, fazem a diferença. Sabemos que esta é a principal medida para impacto na redução de mortes e sequelas. Os meios atuais que permitem a comunicação, orientação por geolocalização e suporte por telemedicina, certamente irão impactar ainda mais nos desfechos finais.

Este é o propósito do TeleTrauma® e neste contexto estamos impactando o cenário do atendimento ao politrauma, com repercussões em redução de morte, sequelas e custos. 

 

Garantir que o ácido tranexâmico seja aplicado no tempo correto é um dos objetivos do TeleTrauma®. A nossa missão é prover inteligência para salvar vidas

Dr. Jamil Cade é Médico há 20 anos, professor, doutor (PhD) em cardiologia e empreendedor em saúde. Tornou-se referência após participar nos últimos 5 anos do projeto pioneiro de atendimento do infarto agudo por telemedicina, com redução de 42% da mortalidade hospitalar e com impacto econômico ao SUS (redução de USD 1 mi). Fundou em 2018 a w3.care, após participar do Stanford Ignite Program, Graduated School of Business, da Universidade de Stanford, tendo sido selecionado entre 70 projetos o TeleTrauma®, programa pioneiro para atendimento médico-médico por telemedicina em pacientes vítimas de trauma, que permite a otimização das cirurgias e a redução dos custos hospitalares, tornando o atendimento do politrauma mais ágil e eficiente. Possui especialização pela Universidade de São Paulo e InCor HC-FMUSP, atuando como coordenador da Cardiologia Intervencionista do Hospital Santa Marcelina e Hospital Carlos Chagas, é professor de medicina da Faculdade Santa Marcelina e mentor de outras startups em saúde.

 

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Jamil Cade
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Médico cardiologista clínico e intervencionista, doutor em cardiologia e professor de medicina. Há 5 anos trabalha com Telemedicina no Infarto Agudo e após o LIM e Stanford Ignite Program fundou a w3.care e o TeleTrauma®.

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