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Transplantes de Pele: curativos biológicos

Transplantes de Pele: curativos biológicos

 

A pele protege órgãos delicados de serem agredidos ou infeccionados, regula a temperatura do corpo, mantém os fluidos essenciais, elimina os resíduos e logo dá um alerta de calor, frio, dor, contato e pressão. Devastadores ferimentos da pele, como extensas queimaduras de terceiro grau, são fatais a menos que haja uma intervenção especializada e rápida. Esta intervenção depende muito da saúde da pele. Os médicos há tempos já sabem que a melhor bandagem para queimadura intensa é a pele humana. Se um paciente está excessivamente queimado para ser seu próprio doador, ele precisa de enxertos de pele de um doador falecido para poder ser curado (RODRIGUES et al., 2014). 

Como funciona o transplante de pele?

O transplante de pele funciona para garantir que uma pessoa que está internada em decorrência de uma grande queimadura consiga sobreviver às primeiras semanas de tratamento, quando ela não tem cobertura de pele. Então, a pele é retirada em camadas muito finas, de modo que não descaracterize o corpo do doador – que pode ser velado normalmente - e é processada de uma forma especial dentro do Banco de Tecidos para ser armazenada e compatível com qualquer pessoa. A pele nunca é imediatamente transplantada. Ela é envolta com glicerina, um tipo de gel preservativo, e armazenada em bolsas fininhas de plástico, que são colocadas em geladeiras a 4 graus Celsius. Ao longo de até 40 dias, a doação passa por uma série de exames para detectar doenças infecciosas (GOVERNO DO RIO DE JANEIRO, 2020). 

Como é a cirurgia?

O paciente é anestesiado de acordo com a extensão da área a ser reconstruída – pode ser anestesia geral ou local, com sedação–. Em seguida, o cirurgião faz a limpeza do leito receptor para eliminar resíduos e tecidos mortos. Na sequência, uma lâmina de pele é retirada de outra parte do corpo do indivíduo para ser fixada com pontos no local danificado. As camadas de pele doadas são aplicadas nas regiões queimadas e se integram ao corpo do paciente. Ou seja, a cirurgia de enxerto de pele consiste em um pedaço de pele retirado de uma área (doadora) e passada a outra (receptora). Após este processo, o tecido implantado adquire um novo suprimento sanguíneo. É utilizado para cobrir partes do corpo que perderam substância cutânea devido a lesões, queimaduras de pele, feridas cirúrgicas, ou até mesmo para o câncer de pele (RODRIGUES et al., 2014; Urményi G. 2020).

Quais os tipos de enxertos?

O enxerto de pele é um segmento de tecido, composto de epiderme e derme, que foi completamente separado de sua localização original e de seu suprimento sanguíneo antes de ser transplantado para outra área do corpo (RODRIGUES et al., 2014).

Os enxertos variam conforme a sua origem: autoenxerto (doador e receptor são a mesma pessoa), isogênico (doador e receptor são gêmeos univitelinos idênticos); homoenxerto (são diferentes, mas da mesma espécie); e xenoenxerto (são de espécies diferentes. Em alguns casos, utiliza-se pele de porco ou de peixe tilápia  para fazer a reconstrução) (RODRIGUES et al., 2014).

Este enxerto pode ser de espessura parcial (contém a camada epiderme e parte da derme) ou total (engloba epiderme e toda a derme). O primeiro é utilizado para cobrir regiões extensas que foram danificadas – em geral, casos de queimaduras. Já o segundo, por sua capacidade de "imitar" a pele normal, é aplicado na reconstituição de pequenas lesões nas pálpebras, face, mãos e dedos (RODRIGUES et al., 2014).

Quais as possíveis complicações?

A causa mais comum de problemas na implantação do enxerto de pele é a ocorrência de seromas e hematomas localizados entre o enxerto e o leito receptor. Deste modo, as técnicas de imobilização são imprescindíveis para obtenção de resultados satisfatórios. O segundo problema mais frequente são as infecções. O risco de infecção pode ser diminuído através de uma cuidadosa preparação do leito receptor (Almeida A, 2008).

Há risco de rejeição?

Depois de duas semanas começa um processo de rejeição, que ocorre em todos os casos. A pele transplantada é temporária, apenas para servir de curativo. Nossa pele tem três funções básicas: regular a temperatura, impedir infecções bacterianas do meio externo e regular perdas de água. Se a pessoa queimada não tem pele, ela perde a barreira mais importante que ela tem para essas três situações. Com o transplante, durante duas semanas esta pele funciona como se fosse dele. A dor vai a zero, é uma forma de salvar vidas. É o esperado. Ela descama e por baixo dela o tecido em cicatrização estará com um aspecto infinitamente melhor do que estaria se não tivesse sido usado o transplante de pele (GOVERNO DO RIO DE JANEIRO, 2020).

Quais são os requisitos para a doação?

O primeiro e principal requisito é querer doar, e depois disso as equipes do Banco de Pele farão a avaliação clínica do doador. Há algumas condições que não permitem a doação, pois conferem um risco de transmissão de doenças aos receptores, como AIDS e hepatite. De uma forma geral, quem levou uma vida saudável e não morreu de causa desconhecida pode doar pele. A doação é aceita se o doador tiver entre 15 e 70 anos. O mais comum é que as doações venham de pessoas falecidas (GOVERNO DO RIO DE JANEIRO, 2020)

Quais são os requisitos para receber o tecido?

Não há requisitos. De acordo com o Ministério da Saúde, o uso de pele humana doada é reservado para os pacientes grandes queimados hospitalizados (mais de 40% de superfície corporal queimada) ou outras pessoas que tenham perdido uma grande área de pele devido a outras causas. Existem algumas graves doenças que afetam a pele de pessoas, se comportando similar a uma queimadura. Um exemplo é a Síndrome de Steven Johnson (necrólise epidérmica tóxica), onde uma grave reação alérgica medicamentosa pode arrasar com a pele do paciente de forma similar a uma grande queimadura (Schiozer W, 2012).

Como é o armazenamento de tecidos no Banco de Pele?

A pele fica armazenada dentro de recipientes contendo glicerol puro (glicerina a 99% de concentração) em refrigeradores (de 2 a 8 graus Celcius) por até dois anos (GOVERNO DO RIO DE JANEIRO, 2020).

 

Referências:

1) RODRIGUES, F. A. et al. TRANSPLANTE DE PELE. Revista do Curso de Enfermagem, v. 3, 2014.

2) PET - Fique por dentro - Notícias - Transplante de pele: tudo o que você precisa saber n.d. http://www.transplante.rj.gov.br/site/Conteudo/Noticia.aspx?C=SOyGI/0jyyo%3D (accessed August 24, 2020).

3) Urményi G. Géza Urményi - Procedimento - Enxertos de Pele. Géza Urményi  - Procedimento - Enxertos de Pele n.d. https://www.drgeza.com.br/Procedimento/72/Enxertos-de-Pele (accessed August 24, 2020).

4) Almeida A. Transplantes. Univ. Fed Bahia. 2008: 20(5): 193-197.

5) Schiozer W. Banco de pele no Brasil. Rev Bras Queimaduras2012;11(2):53-55

6) Revista Ciências da Saúde UNISANTACRUZ: Transplante de Pele.

 

Academia Médica
Bárbara Figueiredo
Bárbara Figueiredo Seguir

19 anos. Acadêmica de Medicina na Fundação Educacional de Patos de Minas. Curto nerdices, Sócrates e tripartição de poderes (rs). Instagram: @figueiredobabi

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