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TROMBOSE VENOSA: O que você precisa saber

TROMBOSE VENOSA: O que você precisa saber

A trombose venosa é caracterizada pela existência de trombo em uma veia e a resposta inflamatória que se desenvolve na parede deste mesmo vaso. É a solidificação do sangue no leito vascular, podendo ocorrer também no interior das câmaras cardíacas em um indivíduo vivo. 

Fisiopatologia 

É frequente que os três mecanismos da Tríade de Virchow sejam os causadores da trombose, sendo eles:

  1. Lesão endotelial - ocorre a exposição da membrana basal, sobre a qual as plaquetas se aderem e são ativadas, iniciando a formação do trombo.

  2. Alteração do fluxo sanguíneo - modificações na velocidade do sangue e na turbulência são fatores importantes na gênese do trombo. 

  3. Aumento da coagulabilidade do sangue - resulta de aumento do número de plaquetas, maior disponibilidade de fatores pró-coagulantes e redução de inibidores da coagulação.

Principais fatores de risco 

  • Imobilização acima de três dias 

  • Trombofilia 

  • Politrauma 

  • Uso de anticoncepcionais 

  • Idade avançada 

  • Episódios anteriores de Tromboembolismo Pulmonar ou Trombose Venosa 

  • Viagens longas (duração maior que quatro horas)

  • Câncer 

  • Cirurgia longa nas últimas quatro semanas

  • Gestação e puerpério 

  • Obesidade

  • Desidratação 

  • Uso de substâncias esclerosantes 

  • Permanência de cateter venoso periférico por longos períodos 

  • Uso de substâncias esclerosantes

  • Presença de veias varicosas

Quadro clínico e diagnóstico 

Trombose venosa superficial 

Consiste em um evento que acomete a circulação superficial a partir da formação de um trombo. Paciente apresenta inflamação, com a visualização de uma veia superficial palpável e nitidamente endurecida, acompanhada de dor, edema e rubor.O diagnóstico é eminentemente clínico, feito a partir da história clínica somada ao exame físico adequado. Em casos de dúvidas ao diagnóstico, o paciente deve ser submetido ao USG Doppler Venoso. 

Trombose venosa profunda (TVP)

Consiste na formação de trombo em veias profundas, principalmente nos membros inferiores e na pelve. Pode ser assintomática porém o paciente normalmente apresenta dor e edema assimétrico e aumento da temperatura do membro acometido, podendo possuir paresia ipsilateral ao membro acometido. 

Diagnóstico para TVP: Realizado por dados clínicos somados a exames de imagem. Durante a anamnese são avaliados os Critérios de Wells (imagem 1) e somados a sua pontuação, em seguida, se necessário, são realizados o teste D-dímero e USG Doppler assim como demonstrado no esquema (imagem 2).

Imagem 1 - Critérios de Wells. Resultados: 2TVP provável ou <2TVP improvável

Imagem 2 - Esquema para realização de exames e possível diagnóstico de TVP

Exames utilizados:

  • USG Doppler - Consiste no atual teste de escolha para diagnóstico de TVP, o exame se baseia no impedimento do sinal de fluxo sanguíneo. 
  • Teste D-dímero - Exame capaz de indicar a presença de níveis anormais de produtos da degradação da fibrina

Sinais clínicos durante o exame físico  

Sinal de Homans - Dor na perna, com a dorsiflexão do pé

Sinal de Olov - Dor à palpação da musculatura da panturrilha

Sinal da Bandeira  - Empastamento da panturrilha (menor mobilidade quando comparada à panturrilha do outro membro)

Sinal de Bancroft - Dor à palpação da panturrilha contra a estrutura óssea

Sinal de Denecke Payer - Dor na panturrilha ao empurrar o hálux contra o paciente

Prevenção e tratamento não medicamentoso 

  • Uso de compressas quentes;

  • Compressão elástica da extremidade (meias de compressão);

  • Posição de Trendelenburg = facilita o retorno do sangue para o coração por meio da ajuda da gravidade 

  • Evitar imobilidade prolongada;

  • Praticar exercícios com regularidade;

  • Movimentações dos membros inferiores no repouso prolongado 

  • Compressão mecânica intermitente nos membros inferiores;

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

  1. BRASILEIRO FILHO, Geraldo. Bogliolo, patologia. 9 ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2016.

  2. Kalil, Jorge Agle et al. Investigação da trombose venosa na gravidez. Jornal Vascular Brasileiro [online]. 2008, v. 7, n. 1 [Acessado 1 Julho 2021] , pp. 28-37. Disponível em: <https://doi.org/10.1590/S1677-54492008000100006>. Epub 24 Abr 2008. ISSN 1677-7301. https://doi.org/10.1590/S1677-54492008000100006.

  3. GROSSMAN, Sheila; PORTH, Carol M. Porth fisiopatologia. 9 ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2016.

  4. PORTO, Celmo Celeno. Clínica médica na prática diária. 1. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2016.

  5. Pitta, Guilherme Benjamin Brandão e Gomes, Rosamaria RodriguesA frequência da utilização de profilaxia para trombose venosa profunda em pacientes clínicos hospitalizados. Jornal Vascular Brasileiro [online]. 2010, v. 9, n. 4 [Acessado 1 Julho 2021] , pp. 220-228. Disponível em: <https://doi.org/10.1590/S1677-54492010000400003>. Epub 09 Fev 2011. ISSN 1677-7301. https://doi.org/10.1590/S1677-54492010000400003.

  6. KUMAR, Vinay; ABBAS, Abul K.; ASTER, Jon C. Robbins Patologia Básica. 9 ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2013.

 

Academia Médica
Eduarda Chioquetta Tomasini
Eduarda Chioquetta Tomasini Seguir

Estudante de Medicina no Centro Universitário de Pato Branco. Diretora Cientifica da Liga Acadêmica de Medicina da Família e Comunidade (LAMFC). Membro da Liga Acadêmica de Geriatria e Gerontologia (LAGGe).

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