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Maio Roxo: Doenças Inflamatórias Intestinais. Você sabe identificar?

Maio Roxo: Doenças Inflamatórias Intestinais. Você sabe identificar?

 

Por Yan Kubiak Canquerino - Colaborador da Academia Médica

O que são doenças inflamatórias intestinais (DII)?

As principais doenças inflamatórias intestinais são a doença de Crohn (DC) e a Retocolite Ulcerativa (RCU) e tratam-se de doenças crônicas, caracterizadas por causar inflamação intestinal. No entanto, cada uma possui suas particularidades, descubra nesse artigo mais sobre o assunto. Boa leitura.

Maio Roxo- 19/05 dia mundial da doença inflamatória intestinal

O mês de maio é o mês no qual realizadas diversas ações para conscientização das DIIs em questão. Devido a isso, a Academia Médica irá fazer uma revisão completa sobre o assunto para você, ela será dividida em etapas, portanto, esperamos que isso sirva para conscientizar e chamar a atenção para essas doenças, para que no fim os pacientes se beneficiem de uma qualidade de vida melhor.

Doença de Crohn e Retocolite Ulceratica

A principal diferença entre as duas doenças é que a doença de crohn pode afetar qualquer porção do trato digestório, podendo ir desde a boca até o ânus, fazendo com que ocorra uma inflamação transmural, destoante disso, a retocolite ulcerativa possui uma inflamação limitada apenas à mucosa superficial e sua localização não transpassa a região entre o reto e o cólon, ou seja, mais nas porções distais do trato digestivo.

Entre os principais sintomas estão: dor abdominal, diarreia, sangramento retal e perda de peso, no entanto, é importante estar atento(a) a outros sinais e sintomas, pois podem existir, portanto, uma atenção clínica bem ativa é fundamental para o diagnóstico dessas doenças. 

Quem são as pessoas afetadas e onde estão?

No período de janeiro de 2009 até novembro de 2019, houveram 46.546 internações por doença de Crohn e retocolite ulcerativa. Entre os locais do Brasil que houve maior número de internações foi a região sudeste, com 21.100 das 46.546, representando 45.33% do total. E as regiões que tiveram menos casos de internações foram as regiões Centro Oeste e Norte. Se formos fazer uma análise mais detalhada ainda dentro da região Sudeste, veremos que São Paulo é quem mais contribui para essa estatística, com 12.979, representando, sozinha, 61,51% do total da região.

As faixas etárias que estão entre as mais prevalentes se situam entre 30 a 39 anos de idade. Dentro da história de evolução natural da doença, ela tende a piorar com a idade atingindo um pico justamente nessa faixa etária mais prevalente, portanto, conclui-se que entre bebês menores de 1 ano estão o menor número de casos.

Em relação ao sexo, existe uma predominância maior das doenças em questão no sexo feminino (53,55%) contra 46,44% no sexo masculino. Já quando a análise se volta para a etnia dos (das) pacientes, percebe-se que existem maior prevalência em brancos(as), totalizando 19.270 (41.39%) das internações, seguida pela raça parda (25.78%), preta (2,81%), amarela (0,89%), indígena (0,08%). É importante salientar também que em 29,01% do total de internações não houve informação em relação à raça da pessoa internada.

No que tange ao perfil das internações, os(as) autores(as) do estudo concluíram que 80,01% foram em caráter de urgência, mostrando um perfil característico da doença. Dentre o total de pessoas internadas, a média de tempo de estadia foi 7,1 dias.

Quais são os mecanismos que fazem com que a doença se manifeste?

A exata causa das DII são desconhecidas ainda, segundo o artigo referência disponível no fim deste artigo, no entanto, atribui-se a patogênese da doença a combinação de fatores de risco, como, predisposição genética, alterações na microbiota intestinal, defeitos imunológicos inatos e adaptativos além de outros fatores de exposição ambiental. 

Fatores genéticos: análises genômicas até 2019 identificaram 201 loci que podem predispor a pessoa a vir desenvolver DII, os polimorfismos estão relacionados com o sistema imunológico, mais especificamente à autofagia (ATG16L1) e reconhecimento de patógenos (NOD2).

Existe um  aumento da concordância entre gêmeos para Crohn e para Retocolite, tendo 58% entre gêmeos monozigóticos. Além disso, parentes de primeiro grau de pacientes com doença inflamatória intestinal tem 5x mais chances de desenvolver alguma das patologias. O que se acredita hoje é que as doenças inflamatórias intestinais são um processo poligênico.

Até 2019, foram identificados 41 polimorfismos específicos para doença de Crohn e 30 para a retocolite, enquanto que em comum existem 137 loci. De todos esses loci entre 80 a 90% deles são não codificantes, ou seja, representam marcadores epigenéticos, microRNA's e RNA's não codificantes.

Além dessas, outras mutações genéticas que interfiram no balanço de citocinas pró e anti-inflamatórias podem ser atribuídas à patogênese das DII.

Apesar desses genes e polimorfismos já identificados, apenas a porção genética da doença não explica ela em sua totalidade, uma vez que as doenças se mostram limitadas a populações ocidentalizadas e industrializadas, mostrando que as variáveis ambientais como dieta e higiene são determinantes. Fatores como abuso de drogas, tabagismo, apendicectomia, baixas concentrações de vitamina D, estresse e depressão são fatores de risco para recaídas.

Agora que já temos uma ideia melhor em relação à epidemiologia, apresentação da doença, podemos nos debruçar um pouco para entender como podemos diagnosticar ela e futuramente como fazer um tratamento e acompanhamento da melhor forma possível, uma vez que trata-se de uma doença que geralmente recebe pouca atenção, resultando em um diagnóstico tardio e prejudicando em muito a qualidade de vida dos(as) pacientes.

Não se esqueça que haverão mais conteúdos sobre o assunto, ele não se esgotou e está longe disso, portanto nos acompanhe para ficar por dentro dos próximos capítulos.

O que achou sobre o assunto? Já atendeu algum caso assim? Conhece alguém que possui essas doenças? Participe da discussão sobre o tema na área de comentários no fim dessa página, afinal, a discussão é o melhor caminho para o aprendizado.

 

Referências

SHAPIRO, M. J. ; SUBEDI, S. ; LELEIKO, N.S. Inflammatory Bowel Disease. Disponível em: https://doi.org/10.1542/pir.2015-0110. Acesso em: 17/05/2021.

BRITO, R. C. V. ; PERES C. L; SILVEIRA K. A. F et al. Doenças inflamatórias intestinais no Brasil perfil das internações entre os anos de 2009 a 2019. Disponível em: https://doi.org/10.29237/2358-9868.2020v8i1.p127-135. Acesso em: 17/05/2021.

FLYNN, S. ; EISENSTEIN, S. Inflammatory Bowel Disease Presentation and Diagnosis. Disponível em: 10.1016/j.suc.2019.08.001. Acesso em: 19/05/2021.


 

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