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Uma defesa da razão, da ciência e do progresso

Uma defesa da razão, da ciência e do progresso

"Intelectuais odeiam o progresso."

Steven Pinker é Professor do departamento de Psicologia em Harvard, onde se formou. Um dos principais cientistas cognitivos do mundo começa um dos capítulos de seu livro "O Novo Iluminismo" criticando a visão pessimista e profecias apocalípticas quanto ao futuro da humanidade e sua eterna busca pelo avanço científico e tecnológico.

O primeiro livro que li de Pinker foi "Tábula Rasa". Em um dos trechos mais polêmicos o autor embasado de teorias científicas, incluindo a genética atual, se desfazia da eterna crença do "bom selvagem". Não, não é legal o obscurantismo dos índios perdidos na mata caçando com lanças sem saber o dia de amanhã. Para Pinker, o progresso liberta.

Quem poderia ser contra a razão, a ciência, o humanismo ou o progresso? Desde épocas recentes, a confiança nas instituições da modernidade despencou. No Brasil, vimos a principal mineradora cometer uma verdadeira chacina em Minas Gerais. Não nos anima mais ter saído da pedra lascada para a era dos metais. Classe artística e intelectuais nutrem um desdém pela razão, ciência. Brota nas massas uma saudade do passado idílico. São tribalistas em vez de cosmopolitas, autoritários em vez de democráticos, desprezam especialistas em vez de respeitar o conhecimento.

E será que os pessimistas estão certos? Noticiários vêm repletos de tragédias. Fala- se muito pouco dos avanços científicos e tecnológicos diários. Nossa parte cognitiva interage com as manchetes, editoriais e reportagens sobre epidemias, colapsos, pragas, enchentes e Brumadinho. O mundo está sendo desconstruído pelos ideias iluministas. Seremos destruídos em prol da razão.

Ela, a razão, figura central dos ideais iluministas. Pinker defende com maestria ao exaltar os principais avanços históricos. Não existiria saúde sem razão, tampouco energia em maior abundância sem o surgimento da revolução verde. E a riqueza? Assunto delicado para alguns que como argumento usam a distribuição desigual. Mas para haver alguma distribuição, pressupõe que exista riqueza. Uma das percepções do iluminismo é a de que a riqueza é criada a partir do conhecimento e cooperação, redes de pessoas. E que desigualdade é diferente de Pobreza.

"Não é importante que todos tenham o mesmo. O que é moralmente importante é que todos tenham o suficiente"

Um dos capítulos do livro de Pinker faz menção à falácia da desigualdade. Não podemos confundir desigualdade com pobreza. A riqueza de alguns não pode nos ser censurável. Somos sim diferentes não somente a nível de aparência, mas em nosso fenótipo. Somos geneticamente desiguais. Vamos nos adaptar ao meio de maneiras diferentes. O que não podemos aceitar é a miséria. Porém, é inevitável que algumas nações sejam mais ricas, vizinhos tenham carros, carreiras e casas melhores.

De todas as defesas iluministas, Pinker também ressalta o movimento ecomodernista ao invés do tradicional ambientalismo. Qualquer espécie produtora de energia, gera resíduos ambientais. Uma consequência inescapável da segunda lei da termodinâmica. Entropia, meio ambiente e a estruturação de um mundo tecnológico cria sim poluentes, mas trás também soluções como microorganismos que degradam lixo tóxico.

E somos felizes? A maior tendência - e Pinker faz questão de exemplificar através de pesquisas - é que hoje temos uma capacidade maior de nos sentirmos felizes a despeito de em outras partes do mundo algumas sociedades terem pouco acesso a todos os avanços do século XXI. Dentre todos os bens adquiridos com a modernidade, a liberdade de escolha sob o ponto de vista iluminista é um dos mais preciosos. Liberdade em si não é sinônimo de felicidade.

Podemos optar pela liberdade de praticar atos ilícitos, atentar contra a própria vida, consumir substâncias danosas. Entretanto, só conseguimos alcançar a noção de escolha ou o que é de fato importante na vida, sem enganos, quando somos “livres”

E, como estudante de Medicina, tenho que concordar com Pinker em seu último capítulo do livro. O maior presente das idéias iluministas, sem dúvida, foi a “invenção” da ciência. Certamente o maior dos memes. Que se replicam e sofrem mutação a cada nova ideia em algum centro de estudo. Acreditar até que se prove o contrário.

É a ciência que nos torna uma espécie tão diferente das demais. Entre os ingredientes do conhecimento científico, a razão sempre aliada ao campo das emoções que pautam as nossas escolhas e passos cujo destino, único, é a adaptação da espécie. O progresso iluminista é nada mais que uma maneira criativa da nossa espécie se adaptar ao mundo darwinista da seleção natural.

Que o iluminismo esteja com vocês!

O novo Iluminismo: em defesa da razão, da ciência e do humanismo (por Steven Pinker)

Academia Médica
Marcela da Silveira Rocha
Marcela da Silveira Rocha Seguir

Estudante de Medicina Universidade Nove de julho - GRU

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