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Vale a pena brigar com a morte?

Vale a pena brigar com a morte?

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O verdadeiro desafio dos médicos

Vale a pena brigar com a morte?

Sabemos uma coisa apenas quando nascemos. Em um período de tempo, morreremos. Jamais vamos vencer a Morte. Mas dar trabalho a ela, é o que podemos fazer enquanto médicos.

Apesar de 1 em cada 8 acharem o contrário 99,9% das pessoas que estão lendo este texto morrerão ainda neste século. Um pouco assustador pensar dessa forma eu diria, mas a verdade é esta. No momento em que nascemos começamos a morrer. Não há argumentos plausíveis contrários a isso. Mesmo que a ciência médica tenha evoluído muito nos últimos 50 anos, não conseguiu, nem nunca conseguirá, prover a vida eterna. Sendo, portanto apenas um meio que "ocupa a Morte". No fim ela, invariavelmente, vencerá.

Essas aparentes pesadas palavras servem para introduzir esse fantástico ted talk que mostra que a forma como morremos atualmente é muito mais degradante que no passado. Não deveria ser dessa maneira, pois pensamos que somos potentes contra a Morte. Infelizmente frequentemente nos enganamos e esquecemos que a medicina é apenas um instrumento de meios e não de fim. Os únicos dois propósitos da medicina são:

  • Fornecer meios para uma melhor qualidade de vida
  • Prolongar a vida
  • Antigamente as pessoas morriam de morte súbita ( aquela em que simplesmente o coração para de funcionar), hoje esse tipo de morte é cada vez mais raro ( não no brasil onde a a violência e a criminalidade ainda ceifam muitas vidas). Outra forma do processo de morte é a doença terminal, que atinge as idades dos 40 a 70 anos, sendo originada em uma doença que demora alguns dias ou poucos anos (pacientes oriundos do trauma e o câncer são exemplos) para atingir o objetivo da "dama de preto".  Podemos morrer mais lentamente, quando um de nossos órgãos falha e o substituímos  após algum tempo outro órgão pode falhar, então o substituímos novamente, e assim por diante, até não haver mais o que fazer. A quarta forma que morrermos é a velhice. Felizmente a maioria de nós morrerá devido a senilidade...

    Em três das quatro formas de fim, o momento que nos encontramos pode proporcionar um doloroso e estressante momento na vida de inúmeras pessoas. O doente ficará em uma UTI, com drenos, tubos, catéteres e sem nenhuma poder sobre a forma como a vida dele terminará. Estudos mostram que morrer em uma UTI proporciona 7x mais stress [à família] do que em um ambiente familiar ao doente.

    E porque toco nesse assunto?

    Além da resolução 1995 do CFM, temos que olhar para as estatísticas. Na Austrália, 1 em cada 10 pessoas morrem na UTI; nos EUA 1 em cada 5, em Miami (EUA) 3 em cada 5 morrem em uma Unidade de Terapia Intensiva. Não achei dados relativos ao Brasil sobre o tema. Aqui está uma boa oportunidade para um trabalho epidemiológico, pois as UTIs drenam um considerável montante dos recursos para a saúde.

    Mas o real motivo é que realmente IMPORTA COMO MORREMOS. Poucos de nós já procuraram conversar com seus entes queridos sobre o jeito que a pessoa deseja morrer. Você ja pensou nisso?

    Na minha família sempre foi falado que desejam ir rapidamente, morrer dormindo... O que significa isso? Se isso não for possível? Teremos que decidir em algum momento se é melhor desligar o aparelho, ou manter artificialmente a vida de meu pai ou minha mãe? Caso eu nunca tenha tido esse tipo de conversa com meu familiar, qual seria o desejo dele?

    O vídeo abaixo abriu meus olhos a respeito. Assista principalmente se você é médico, acadêmico ou profissional de saúde. Você ganhará muito com isso. São 20 minutos que te orientarão quanto a ética médica para o resto de sua vida!

    Peter Saul ( Intensivista que trabalha em uma UTI na Austrália fala sobre o processo de morte.  Ele nos pede que deixemos claro nossas preferências relativas ao fim da vida -- e sugere duas questões para começar a conversa. O ted talk a seguir foi selecionado como imprescindível para médicos(Filmado no TEDxNewy).

    Comente logo abaixo sobre sua experiência no assunto. Algum caso, relato, opinião... Esse é um momento importante para discutir a bioética desse assunto. Você pode ajudar a muitos leitores com o seu comentário

    Não podemos controlar o fato de que vamos morrer, mas podemos “ocupar a Morte” - Dr. Peter Saul.

    Comente a seguir.

    Mais sobre o assunto:

     

    Pelo direito de uma morte digna

     

     

    O fim da vida e seus meios

     

    Academia Médica
    Fernando Carbonieri
    Fernando Carbonieri Seguir

    Inovação é sua forma de exercer a medicina. Em 2012 criou a Academia Médica, comunidade dedicada a "FALAR O QUE A FACULDADE ESQUECEU DE NOS CONTAR". Membro Comissão do Médico Jovem do CFM, Palestrante, Hacking Health Curitiba e Brasil

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