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Vale a pena brigar com a morte?

Vale a pena brigar com a morte?

Texto publicado pela primeira vez em 2013, quando ainda era acadêmico de Medicina na Faculdade Evangélica do Paraná.

 

Sabemos uma coisa apenas quando nascemos. Em um período de tempo, morreremos. Jamais vamos vencer a Morte. Mas dar trabalho a ela, é o que podemos fazer enquanto médicos.

Apesar de 1 em cada 8 acharem o contrário 99,9% das pessoas que estão lendo este texto morrerão ainda neste século. Um pouco assustador pensar dessa forma eu diria, mas a verdade é esta. No momento em que nascemos começamos a morrer.

Não há argumentos plausíveis contrários a isso. Mesmo que a ciência médica tenha evoluído muito nos últimos 50 anos, não conseguiu, nem nunca conseguirá, prover a vida eterna. Sendo, portanto apenas um meio que "ocupa a Morte". No fim ela, invariavelmente, vencerá.

Essas aparentes pesadas palavras servem para introduzir esse fantástico ted talk que mostra que a forma como morremos atualmente é muito mais degradante que no passado. Não deveria ser dessa maneira, pois pensamos que somos potentes contra a Morte. Infelizmente frequentemente nos enganamos e esquecemos que a medicina é apenas um instrumento de meios e não de fim. Os únicos dois propósitos da medicina são:

  • Fornecer meios para uma melhor qualidade de vida
  • Prolongar a vida

Antigamente as pessoas morriam de morte súbita ( aquela em que simplesmente o coração para de funcionar), hoje esse tipo de morte é cada vez mais raro ( não no brasil onde a a violência e a criminalidade ainda ceifam muitas vidas).

Outra forma do processo de morte é a doença terminal, que atinge as idades dos 40 a 70 anos, sendo originada em uma doença que demora alguns dias ou poucos anos (pacientes oriundos do trauma e o câncer são exemplos) para atingir o objetivo da "dama de preto".

Podemos morrer mais lentamente, quando um de nossos órgãos falha e o substituímos  após algum tempo outro órgão pode falhar, então o substituímos novamente, e assim por diante, até não haver mais o que fazer. A quarta forma que morrermos é a velhice. Felizmente a maioria de nós morrerá devido a senilidade...

Em três das quatro formas de fim, o momento que nos encontramos pode proporcionar um doloroso e estressante momento na vida de inúmeras pessoas. O doente ficará em uma UTI, com drenos, tubos, cateteres e sem nenhum poder sobre a forma como a vida dele terminará. Estudos mostram que morrer em uma UTI proporciona 7x mais estresse [à família] do que em um ambiente familiar ao doente.

E por que toco nesse assunto?

Além da resolução 1995 do CFM, temos que olhar para as estatísticas. Na Austrália, 1 em cada 10 pessoas morrem na UTI; nos EUA 1 em cada 5, em Miami (EUA) 3 em cada 5 morrem em uma Unidade de Terapia Intensiva. Não achei dados relativos ao Brasil sobre o tema. Aqui está uma boa oportunidade para um trabalho epidemiológico, pois as UTIs drenam um considerável montante dos recursos para a saúde.

Mas o real motivo é que realmente IMPORTA COMO MORREMOS. Poucos de nós já procuraram conversar com seus entes queridos sobre o jeito que a pessoa deseja morrer. Você já pensou nisso?

Na minha família sempre foi falado que desejam ir rapidamente, morrer dormindo... O que significa isso? Se isso não for possível? Teremos que decidir em algum momento se é melhor desligar o aparelho, ou manter artificialmente a vida de meu pai ou minha mãe? Caso eu nunca tenha tido esse tipo de conversa com meu familiar, qual seria o desejo dele?

O vídeo acima abriu meus olhos a respeito. Assista principalmente se você é médico, acadêmico ou profissional de saúde. Você ganhará muito com isso. São 20 minutos que te orientarão quanto a ética médica para o resto de sua vida!

Peter Saul, intensivista que trabalha em uma UTI na Austrália fala sobre o processo de morte.  Ele nos pede que deixemos claro nossas preferências relativas ao fim da vida -- e sugere duas questões para começar a conversa, veja o vídeo para saber mais!

 

Não podemos controlar o fato de que vamos morrer, mas podemos “ocupar a Morte” - Dr. Peter Saul.

 

Comente logo abaixo sobre sua experiência no assunto. Algum caso, relato, opinião... Esse é um momento importante para discutir a bioética desse assunto. Você pode ajudar a muitos leitores com o seu comentário

 


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Fernando Carbonieri
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Inovação é sua forma de exercer a medicina. Fundei a AcademiaMedica.com.br em 2012, ainda na faculdade de medicina o que abriu o caminho para criar a maior comunidade de pessoas que atuam na Saúde e falam português em todo o mundo

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