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Currículo de uma paciente profissional

Currículo de uma paciente profissional

INFORMAÇÕES PESSOAIS

Data de Nascimento: 10/08/1978
Filhos: NÃO
Fumante: NÃO
Drogas ilícitas: NÃO
Ingestão de álcool: RARA
Atividades físicas: FREQUENTE
Ingestão de açúcar: FREQUENTE (sou chocólatra)

 

RESUMO

Meu nome é Mônica e sou formada pelo que aprendi com minha família e meus amigos. Profissionalmente, sou bacharel em Design Gráfico e pós graduada em Gestão de Projetos e Negócios Digitais, além da maior escola que tive, que foi o trabalho – mão na massa mesmo! Desde criança pratico atividades físicas porque adoro buscar e entender os limites do meu corpo. Gosto de encontrar o belo em cada movimento. Pratiquei atletismo, vôlei, natação, danças de salão latinas e hoje sou corredora. Amadora alguns dizem. Mas penso comigo baixinho: só se for amadora por amar tanto esse esporte =D. Claro, não sou profissional, mas levo tão a sério os meus treinos e o respeito que tenho pelo meu corpo e pelo esporte, que posso me considerar um pouco mais do que amadora na corrida.

Colocando muito a mão na massa e buscando as melhores corridas da vida, vou aprendendo sobre os meus limites físicos, emocionais e intelectuais. E assim vou dando meus primeiros passos como paciente. Paciente na era da informação, da tecnologia, da disrupção, da inovação… da impaciência.

Agora, quase completando 40 anos, entendo muito sobre a minha saúde – ou a falta dela –, na maioria das vezes por mérito meu de procurar saber o que significa cada sintoma que o meu corpo apresenta. Por exigir uma investigação, apesar de ouvir de vários profissionais da saúde que o problema está na minha cabeça, que eu invento sintomas ou que minhas atividades físicas me trazem os problemas de saúde que tenho (!). Mas eu não desisto. Meu corpo é sábio e me avisa dos problemas herdados geneticamente, dos abusos que eu pratico contra ele e também do que ele recebe do mundo de presente. Eu pesquiso e sigo perguntando para quem deve saber bem mais do que eu. Eu não sou médica, tampouco sou uma profissional da saúde, mas ninguém entende mais da minha saúde do que eu. Sou meu próprio prontuário médico e, aqui na Academia Médica, sou a Paciente Profissional.

 

OBJETIVOS

Meu objetivo como Paciente Profissional é ajudar outros pacientes a entenderem sobre sua saúde e sobre os sinais e avisos que o corpo dá, para que a comunicação com seus médicos se dê de forma fluída e objetiva, ajudando assim os profissionais da saúde a encontrarem rapidamente os diagnósticos e, portanto, oferecerem os melhores e mais eficientes tratamentos para os seus pacientes.

 

MEUS DIAGNÓSTICOS

Ptíriase Liquenóide Crônica

  • Sintomas:

    • quando criança: lesões com coceira nos cotovelos

    • adolescente: lesões com coceira nos cotovelos e mãos

    • jovem/adulta: lesões no corpo todo, com exceção do rosto e cabeça

  • Início dos sintomas: 1982

  • Diagnóstico: 1996

  • Primeiro exame solicitado para investigar: 1995

  • Profissionais consultados:

    • alguns pediatras – que diziam que era do chocolate, já que sou chocólatra

    • 9 dermatologistas e alergistas de 1992 a 1996

  • Medicamentos e tratamentos:

    • Antes do diagnóstico:

      • pomadas dermatológicas com cortisona que nunca resolveram. As lesões tem seu próprio ciclo, independente de medicação.

    • Pós diagnóstico:

      • 2 tratamentos de 3 meses cada de fototerapia com intervalo de 4 anos entre eles.

      • Caladryl (sim, o pós sol) que pelo menos alivia a coceira. Receitado por uma vovó :)
  • Remissão: desde 2009

 

Hérnia de Hiato

  • Sintomas: dor na boca do estômago e tosse seca recorrente

  • Início do sintomas: 2000

  • Diagnóstico: ano 2000 com a seguinte orientação: "a maioria das pessoas tem hérnia de hiato e não sabe. Não é isso que está doendo. O que dói é essa pequena gastrite." Mas doía muito (?)

  • Número de endoscopias de 2000 a 2007: 5

  • Profissionais consultados:

    • 7 gastroenterologistas

    • 1 pneumologista

    • 1 otorrinolaringologista que encontrou uma ferida na laringe e pela primeira vez houve a sugestão de cirurgia

  • Cirurgia: fevereiro/2007

  • Remissão: desde abril/2007

 

Hipotireoidismo de Hashimoto

  • Sintomas: sono incapacitante, herpes labial de repetição, depressão e apatia.

  • Início dos sintomas: 2006

  • Diagnóstico: 2006

  • Profissionais consultados:

    • 3 clínicos gerais

    • 1 endocrinologista – que me perguntou o que eu fazia em seu consultório, já que eu era magrinha (!)

    • 1 médica ortomolecular que solicitou exames para saber até do que minhas unhas eram compostas, eu acho. Ela também disse que eu tinha que usar vitaminas caríssimas que só tinha em sua clínica (!)

    • 1 geriatra – levei os exames para uma médica clínica geral e geriatra que iniciou o tratamento com Levotiroxina Sódica 25mcg.

  • Medicamento atual: Levotiroxina Sódica 100mcg, em ajuste de dosagem.

 

Fibromialgia (senta que lá vem história)

  • Sintomas:

    • dor constante no pescoço e ombros

    • sentimento de que minhas dores são diferente das outras pessoas

    • dores aleatórias sem qualquer explicação clínica

    • crises de enxaquecas debilitantes

    • dores nas mãos

    • dores nas plantas dos pés

    • dores no corpo inteiro

    • exaustão física incapacitante

    • hipersensibilidade ao toque

    • sensibilidade constante a ruídos

    • sono fracionado

    • irritabilidade

    • suposição (pelos outros) de hipocondria

    • vergonha de sentir dor, já que não aparece nenhum problema em exames

    • recolhimento e medo de fazer atividades físicas e me machucar

    • e, por fim, a depressão

  • Início dos sintomas: desde que me entendo por gente, tenho uma relação diferente com a dor (acho que me entendo por gente desde 1982).

  • Diagnóstico: 2009

  • Profissionais consultados (perdi a conta, mas com certeza foram algumas dezenas)

    • ortopedistas

    • neurologistas

    • reumatologistas

    • clínicos gerais

    • fisioterapeutas (incontáveis sessões)

    • psicólogos

    • psiquiatras

    • massoterapeutas

    • acupunturistas

    • quiropraxistas

    • benzedeiras

    • rezadeiras

    • médium – Dr. Leocádio Correia

    • padres

    • Nossa Senhora do Rocio – Procissão

    • Nossa Senhora de Lourdes

    • Nossa Senhora do Perpétuo Socorro – Novenas

    • Santa Mônica – minha santa protetora, conforme minha mãe me contou.

  • Exames* (perdi a conta também):

    • raios X

    • tomografias

    • ressonâncias magnéticas (com crises de claustrofobia)

    • cintilografias

    • exames de sangue

  • Medicamentos atuais**:

    • Duloxetina 60mg

    • Pregabalina 150mg/dia

    • Pamelor 50mg

 

Fraturas por estresse

  • Sintomas: dor forte nas tíbias

  • Início dos sintomas: jan/2011 e out/2012

  • Diagnóstico: dez/2011 e out/2012 – o primeiro demorou porque eu não procurei um médico antes, já que eu sempre sentia dores, mas nunca tinha nada.

  • Profissionais consultados:

    • 1 ortopedista - que orientou que eu parasse de correr para sempre

    • 1 ortopedista - especialista em atletas, que falou que eu não precisava parar de correr para sempre

  • Exames: ressonâncias e cintilografias

  • Tratamento:
    • repouso das atividades com impacto (corrida, caminhada e dança no meu caso) por 5 meses na segunda vez

    • repouso das atividades físicas por 3 meses na primeira vez

 

Ceratose actínica múltipla

  • Sintomas: pequena mancha no nariz, similar a uma pequena espinha, indolor e que sangrava bastante. Após o tratamento da primeira lesão, tive mais duas vezes, sendo no queixo e novamente no nariz.

  • Início dos sintomas: jun/2015

  • Diagnóstico: jun/2015***

  • Profissional consultado:

    • 1 dermatologista

  • Medicamento:

    • Tratamento: Efurix (2 ciclos de 10 dias com intervalo de 10 dias para cada lesão)

    • Uso contínuo: Eryfotona AK-NMSC

 

Lesão de Labrum

  • Sintomas: dor no quadril, virilha e joelho

  • Início dos sintomas: 2015

  • Diagnóstico: 2016 – o conjunto de exames solicitados por cada profissional, trouxe o diagnóstico.

  • Exames: raio X e ressonância magnética

  • Profissionais consultados:

    • 4 ortopedistas, sendo 2 médicos de atletas

  • Tratamento:

    • Paliativo: anti-inflamatórios e analgésicos

    • Contínuo: alongamento e fortalecimento da região

    • Definitivo: sugestão de cirurgia, porém só é feita antes dos 40 anos. Eu optei por não fazer.


Labirintite Periférica Irritativa

  • Sintomas: vertigem incapacitante, náuseas, pressão no ouvido, zumbidos no ouvido, perda temporária de audição (como se estivesse descendo a serra), dor no ouvido e na cabeça.

  • Início dos sintomas: sempre tive tontura e enjoos e algumas situações como andar de carro, dançar e ficar estressada, mas a primeira tontura incapacitante foi em 2005.

  • Diagnóstico: 2005 – mas eu acho que tenho outra coisa, considerando todos os sintomas relacionados à vertigem. Ninguém quis investigar até o momento.

  • Exame: Aquecimento e resfriamento do ouvido interno com água, que estimulou uma crise de vertigem incapacitante.

  • Tratamento:

    • No diagnóstico: Labirin, como tratamento da labirintite por 3 meses.

    • Depois do diagnóstico: medicações para cortar os sintomas de vertigem e enjoo como Dramin e Meclin.


* Sempre deram negativos e isso me frustrava (!!)

** Em troca e adaptação de tratamento.

*** Havia histórico na família, portanto consultei o mesmo médico.

 

OUTROS DIAGNÓSTICOS

Diretos:

  • Fratura do quinto metatarso do pé esquerdo

  • Astigmatismo

  • Síndrome do intestino irritável (sem tratamento)

  • Mioma no útero (pequeno e é apenas acompanhado)

  • Endometriose (tratamento com anticoncepcional)

  • Cisto no ovário esquerdo (pequeno e é apenas acompanhado)

  • Melasma Epidérmico no rosto (acompanhamento anual)

  • Deficiência de vitamina D recorrente (tratado)

  • Cistite de repetição (em remissão há 1 ano)

  • Fenômeno de Raynaud (Mãos e Pés)

 

Indiretos (familiares):

  • Lúpus Eritematoso Sistêmico – mãe

  • Fibromialgia – mãe

  • Artrose – mãe

  • Retocele – mãe (fez cirurgia)

  • Miomas no útero – mãe (histerectomia há 18 anos)

  • Infarto do miocárdio – pai (3 pontes de safena)

  • Câncer de Próstata Gleason 9 – pai

  • Ceratose actínia múltipla – mãe e 2 irmãos

  • Leucemia Linfoide Aguda – sobrinho

  • Diabetes Tipo 2 – avô paterno

  • AVC – avô paterno


O QUE ESPERO

Espero sobretudo ser ouvida e respeitada. Sinto dores crônicas reais. Eu não invento. Nem tenho tempo para isso, porque preciso viver a minha vida de forma plena e não deitada em uma cama, entorpecida por analgésicos ou depressiva por sentir dores e não ter a empatia, especialmente dos profissionais de saúde, que por mim são muito respeitados. Eu procuro ajuda desses profissionais, porque preciso de ajuda. Então espero ser ajudada com empatia. Sou paciente e espero a mesma paciência comigo.

 

Ah! Estou fazendo mais alguns exames =D

 

Mônica Mendes

Paciente Profissional

Academia Médica

 


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Academia Médica
Mônica Mendes
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Sou Designer Gráfica e Gerente de Projetos por formação, corredora por amor e aqui sou a "Paciente Profissional" porque "eu nasci assim, eu cresci assim, vou ser sempre assim..." (CRAVO E CANELA. Gabriela). Ou por falta de opção. Ou por ignorância.

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