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11 de setembro: as feridas do sistema de saúde americano

11 de setembro: as feridas do sistema de saúde americano

Sou estudante de medicina e, no tempo livre, procuro maneiras de aprender também fora da sala de aula. Uma boa alternativa foi o documentário ‘’SiCKO’’, do polêmico cineasta Michael Moore, e a mensagem que Moore queria passar foi alta e clara: o sistema de saúde norte americano é recheado de problemas.

Bom... o motivo para que eu traga esse assunto hoje é simples: olhe seu calendário.

11 de setembro.

Há exatos 18 anos o mundo foi aterrorizado pelo maior ataque terrorista da história da humanidade. No décimo primeiro dia do mês de setembro de 2001, dezenove terroristas sequestraram quatro aviões comerciais – com passageiros. Dois desses aviões colidiram com as Torres Gêmeas (World Trade Center). Naquela manhã do décimo primeiro dia do mês de setembro de 2001, milhares de pessoas foram para o World Trade Center, trabalhar normalmente. Além disso, toda uma Nova Iorque levantava para por vida à cidade – que mais tarde contemplou um atentado cheio de mortes.

Nesse trágico episódio da história da sociedade, nasceram inúmeros heróis. Bombeiros, socorristas, médicos, voluntários... o leque de pessoas que se doaram para ajudar foi imenso. A internet está cheia de depoimentos de pessoas que foram mais do que Clarck Kent, vestindo e interpretando na vida real o papel de um super herói. Um exemplo que sempre me vem a mente é o filme ‘’As torres gêmeas’’, no qual conhecemos e sentimos um pouco do drama que os bombeiros de plantão no 11 de setembro passaram ao trabalhar no resgate das pessoas que estavam nos prédios.

Porém, diferente do que vemos nos quadrinhos, na vida real os heróis sofrem – e sofrem de verdade. Após estarem imersos em nuvens de poeira, bem como passarem por uma situação de estresse e trauma muito grande, o número de doentes oriundos do ataque de 11 de setembro não para de crescer. Milhares de pessoas desenvolveram doenças pulmonares graves, síndrome do estresse pós traumático e também cânceres – tudo isso foi denominado como Doença do WTC (World Trade Center).

Para lidar com essa ferida, o governo Norte Americano destinou 7 bilhões de dólares como fundo para as vítimas. No entanto, o dinheiro não foi suficiente para atender todos os afetados pelos ataques jihadistas. Prova foi que vi, recentemente, que a Doença do WTC ainda deixa vítimas. Desde aquela fatídica e triste data, já são mais de 200 integrantes do corpo de bombeiros de NY que morreram em decorrência de doenças provocadas pela tragédia.


Comecei o texto falando do documentário SiCKO. Mas, qual é a relação com o trágico 11 de setembro?

O objetivo de Michael Moore é, como é seu costume, atacar os EUA. Nesse documentário, seu alvo era o sistema de saúde norte americano, mostrado suas mazelas e no quanto isso afeta o American lifestyle. Ao assistir o conteúdo de Moore e sua crítica, é possível chegar a conclusão de que NÃO HÁ SAÚDE PÚBLICA UNIVERSAL nos EUA. Vemos inúmeras pessoas sofrendo, pagando enormes cifras em tratamentos que aqui no Brasil é gratuito pelo SUS.

Mas essas pessoas podem contratar um seguro saúde - análogo aos nossos planos de saúde - como fazemos em solo verde-amarelo, certo? Infelizmente, os seguros-saúde norte americano também são repletos de problemas. Lá, há muito mais burocracia, bem como há um grande número de ‘’negações’’ de cobrir as despesas com saúde. No documentário vemos pessoas com doenças comuns tendo seus pedidos ao plano de saúde sendo indeferidos – entre elas, heróis do 11 de setembro. Mas isso é assunto para outra hora.

Sim, os grandes protagonistas daquele dia, que adquiriram inúmeras doenças que desgraçaram suas vidas, não são totalmente acolhidos pelo sistema de saúde. O que é inacreditável, pois por meio das mãos e das atitudes dessas pessoas, outras tantas estão hoje com saúde e vivas.

Outro ponto que me chamou bastante a atenção é o que acontece na famosa prisão de Guantánamo. Lá, os mais perigosos e procurados inimigos do estado estão encarcerados, recebendo a melhor assistência de saúde possível. Sim, você leu bem. Os prisioneiros são totalmente vigiados não só por uma prisão de segurança máxima, mas também são vigiados por uma equipe médica de primeira – talvez para evitar incidentes diplomáticos. ‘’Bandidos’’ bem tratados; ‘’Mocinhos’’, não.


Há exatos 18 anos, estava assistindo televisão pela manhã, então com 8 anos de idade. Assistia desenho animado, quando a programação foi interrompida para anunciar aquela barbárie.

Agora, com 26 anos, vou trilhando meu caminho dentro da medicina. Michael Moore foi muito perspicaz em levantar esse debate em minha formação, pois colocou-me para pensar em como os serviços de saúde funcionam pelo mundo e no quanto isso pode afetar a sociedade, inclusive em países de primeiro mundo – ele compara os melhores sistemas do mundo, vários deles europeus. Me fez olhar com olhos mais otimistas para o SUS e para a saúde nacional, pois aqui, ao meu ver, temos sim acesso a saúde – não digo que perfeito e em pleno funcionamento mas, sim, temos.

E você, doutor, o que acha?

Academia Médica
Luis Guilherme Taveira dos Santos
Luis Guilherme Taveira dos Santos Seguir

Acadêmico de Medicina da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Professor de Química do Pré-Vestibular Curso e Colégio Acesso em Curitiba e Estagiário da Academia Médica.

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