A Medicina e a Compaixão
2014/12/13 10:12:17 +0000 | 4 minutos de leitura
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A Medicina e a Compaixão

A nova Edição da Revista do Médico Residente já está disponível. A publicação termina 2014 comemorando a indexação na LILACS e a vinculação ao Conselho Federal de Medicina. A seguir o editorial que abre a RMR, que você pode baixar gratuitamente AQUI ou no link a seguir: REVISTA DO MEDICO RESIDENTE

A Medicina e a Compaixão

‘‘À vida do médico não se propõe recompensas, mas deveres.’’ - Luiz Venere Décourt 

Medicina, derivada do latim ars medicina, significa a arte da curaA Medicina é a grande paixão do dia-a-dia e será a eterna companheira do médico vocacional. Para se fazer Medicina é preciso ter curiosidade e compaixão. A curiosidade é inata no ser humano. A compaixão precisa ser ensinada ao estudante de medicina.

Rubem Alves escreveu que “afinal de contas, a primeira condição de um médico, anterior à sua competência técnica, é a sua compaixão." Compaixão é sentir, de alguma forma, aquilo que o outro está sentindo. Retirada a compaixão, o médico não passa de um mecânico que manipula carros sem sentir nada porque carros nada sentem. Pergunto agora a vocês, médicos amigos, professores, modelos a serem imitados, responsáveis pela formação dos novos médicos: qual é o lugar, nos currículos de medicina, onde tanta coisa complicada se ensina, para uma meditação sobre a compaixão?

É na compaixão que a ética se inicia e não nos livros de ética médica. Ah! Dirão os responsáveis pelos currículos – compaixão não é coisa científica. Não entra na descrição de casos clínicos. Não pode ser comunicada em congressos. Portanto, não tem dignidade acadêmica. Certo. Mas acontece que não somos automóveis a serem consertados por mecânicos competentes. Somos seres humanos. Amamos a vida, queremos viver.  Sofremos de dores físicas e de dores de alma: o medo, a solidão, a impotência, a morte.” Ter compaixão precisa ser ensinado nas escolas médicas todos os dias.

Que força estranha é esta que nos faz pousar as mãos sobre o corpo enfermo e, pelo menos, amenizar o sofrimento?Que força tamanha é esta que nos impregna de cuidar dos doentes mesmo se esquecendo de nós mesmos e de nossa família? Onde se esconde esta vontade de estudar todos os dias?Cuidar e gostar de gente é a razão de ser da vida do estudante e do médico. É a sua grande motivação. Ensinar aos estudantes de medicina é a outra vocação do médico professor. Ser professor de medicina é continuar se transformando e aprendendo com os seus estudantes.

 Ensinar aos estudantes de medicina e aos residentes como se ensina aos filhos é hipocrático. Ensiná-los, como disse o professor Adib Jatene, que o médico precisa ser especialista em gente, compreender como as pessoas são diferentes e o quanto a sua atenção a elas é fundamental num tratamento.

*Dr. João Carlos Simões é editor científico da Revista do Médico Residente, professor titular do curso de Medicina da FEPAR e colabora com o Academia Médica.

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João Carlos Simões

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