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A medicina, Sun Tzu e a Arte da guerra, o que tem a ver? R: “Quase tudo”, segundo este que vos fala.

A medicina, Sun Tzu e a Arte da guerra, o que tem a ver? R: “Quase tudo”, segundo este que vos fala.

Antes até mesmo da civilização grega que originou a medicina ocidental, o oriente já vivia certos avanços tecnológicos entre eles na medicina, filosofia e antropologia.

Aliás, na época não existia internet e revistas médicas com “referências” então até acredito que o oriente influenciou muito a medicina ocidental mais do que a história relata.

Nessas histórias, um general (ou uma escola de guerra) chamado Sun Tzu de uma região que chamamos hoje de China, se destacou com um tratado utilizado por governantes, militares e, mais para frente, pessoas comuns.

É um tratado curto de mais de 3 mil anos que é reproduzido até hoje chamado de “a arte da guerra”.

É um livro que influencia pessoas até hoje e até a referência da cultura pop. Até mesmo em um episódio dos Simpsons, Bart usa o livro para manipular seu pai obtendo sucesso.

É um livro curto e de fácil leitura, divido por frases que ensinam princípios de ataque, defesa e diplomacia.

Lembro que o meu primeiro contato desse livro foi quando tinha uns 12 anos que meu pai, também médico disse que era um excelente livro para a vida e logicamente li não entendi.

Mas ficando mais velho e revisitei a versão em quadrinhos na faculdade, me interessei e fui reler.

Percebi que era uma referência médica melhor que muito livro de comunicação e bioética existente, segundo este que vos fala.

Se você transferir os termos militares para o dia a dia e para a comunicação médica não te garanto a perfeição ou riquezas.

Porém, como todo artigo quilométrico de protocolo que ninguém consegue seguir 100% literalmente, esse livro pode te livrar de dor de cabeça com chefes, advogados, colegas e pacientes.

E essa é a arte da guerra para os médicos.

Não vou nesse artigo escrever todos os versos de Sun Tzu, mas farei um compilado com algumas frases que mais uso em interpretações e talvez role uma parte 2. Dependendo do feedback e do meu bom humor.

Número 1: A água não tem forma constante. Na guerra não há condições constantes.

Acreditar que a medicina (como diagnóstico, tratamento, ciência e relações de trabalho com colegas ou pacientes) são imutáveis e inconstantes é um dos grandes erros que um médico pode cometer na carreira.

Até mesmo na velha frase “quem não se atualiza na medicina se dá muito mal” está incluída.

Se um médico não se adaptar ao ambiente e aos conflitos ligados à carreira, caso entre, a possibilidade de ele cair em armadilhas e desgastes são grandes.

 

Número 2: A informação é crucial. Nunca vá para uma batalha sem saber o que está contra você.

Já é sabido que se você não tiver aquele ímpeto por busca de informação e saber como encontrar, pode dar uma terrível dor de cabeça ao médico.

Interações medicamentosas, bulas, guideline, histórico do paciente (a boa e velha “anamnese”), ciências além da medicina e técnicas de outros médicos e colegas são exemplos de como obter informações é valiosa.

Um médico que não tem informações ou o interesse de busca-las inclusive fora da medicina, está fadado a passar dificuldades na carreira.

 

Número 3: No meio do caos há sempre uma oportunidade.

Médico trabalha no caos, no desequilíbrio da saúde do paciente, nos sistemas de saúde público/suplementar ou no ego dos profissionais da saúde. Saber como lidar com isso e procurar o caminho que mais lhe é conveniente vale ouro como tal, um tesouro de manipular as situações ao seu favor.

Até mesmo no caos de um quadro de saúde descompensado é uma oportunidade de fazer um diagnóstico.

No caos natural da medicina você avalia se compensa continuar em um serviço ou não. Para os mais maldosos, o caos é uma oportunidade para se livrar de um chefe que não sabe lidar com ele (use isso somente com chefe mau caráter, por favor.)

 

Número 4: As armas fatais são instrumentos que devem ser utilizados quando não existirem alternativas

Sun Tzu tem 1/3 do livro dedicado ao uso do fogo, a arma mais letal de sua época (tão letal que até a segunda guerra mundial, a pólvora de origem chinesa era uma das armas mais utilizadas).

Em carreira, o uso jurídico, a promoção de atritos com colegas e até mesmo a falta de diplomacia são opções válidas, porém somente usadas se não houver outro caminho.

Na conduta médica, o uso de medicações com efeitos colaterais graves, encaminhar a UTI, procedimentos invasivos e cirurgias sem preparo são usados somente em situações com poucas alternativas.

 

Número 5: Nunca confie na probabilidade do inimigo estar vindo. Mas dependa da sua própria prontidão para o reconhecer.

Esse é um dos princípios mais básico da prevenção e dos rastreios, não confie no problema de saúde estar vindo, mas confie em saber e como lidar com ela quando ela pode aparecer e assim preveni-la.

Na arte da guerra há várias repetições nesses ensinamentos que usamos na medicina preventiva e em conflitos.

Prevenção e o preparo são melhores que entrar em conflito direto, seja em medicações, condutas cirúrgicas ou com colegas.

 

Número 6: Um soberano jamais deve iniciar uma guerra motivada pela ira.

É inevitável ter sentimentos, somos humanos, por isso devemos reconhecer os mesmos, saber a hora de agir e como agir.

Um médico deve evitar agir pelo meio sentimental  exacerbado ou em temperamento alterado ou colérico. O famoso “agir de sangue quente” deturpa o julgamento e a conduta e cria arrependimentos.

 

Número 7: Leva em conta o talento de cada um e utiliza o homem de acordo com sua capacidade.

Esse trecho no livro é meio longo e demonstra como utilizar o avarento, o corajoso e o tolo.

Em resumo, observar cada peculiaridade do paciente, utilizar a personalidade e o conhecimento deste para induzir às condutas pode evitar dores de cabeça e conflitos além de uma resposta mais rápida.

Entre os médicos é o mesmo, principalmente os preceptores, professores, chefes de serviço ou simplesmente plantonistas de PS.

Saber utilizar o talento e as características de cada paciente, aluno, residente, colegas e subordinados eleva a moral do serviço e seu prestígio, evitando assim o caos.

 

Número 8: Um líder lidera pelo exemplo, não pela força.

Na medicina é muito comum usar a força. Seja pela imposição de hierarquia ou porque acha que só pelo fato de ser médico de ser um mandão.

E não é incomum ver um colega, principalmente chefe que impõe conduta ao paciente, que só sabe passar visita, mandar e deixar procedimentos que não lhe agrada a médicos subordinados, só porque é “médico” ou “chefe”.

Isso pode até existir e ser feito, mas colegas, subordinados e pacientes serão mais resistentes às suas condutas e vontades.

O famoso “dar exemplo” pode ser até mais trabalhoso e indesejável, mas bem utilizado facilita o ambiente de trabalho, aprendizagem e rende bons frutos ao nome do médico e a sociedade.

Isso não é igual a “fazer tudo”, mas demonstrar e inserir o pensamento de “até eu, chefe, faço isso” e ser um modelo adequado vale ouro.

 

Número 9: Não há exemplos de uma nação beneficiando-se da guerra prolongada.

Assim como a guerra impõe um conflito bélico com perdas, na medicina o uso de condutas que buscam o prolongamento de algumas situações não há benefícios tem essa equivalência.

Esse talvez seja mais bem traduzido em uma parte de cuidados paliativos, em que as condutas danosas que promovem o prolongamento da vida é uma situação que não beneficia ninguém, aumenta o sofrimento do paciente, desgastam os médicos e não traz benefícios.

Para um médico com paciente e colegas, saber agir de forma precisa, de maneira adequada sem prolongar o conflito beneficia todas as partes.

 

Número 10(meu favorito): Trate seus soldados como filhos e eles te seguirão. Trate seus soldados como filhos queridos e eles darão a vida por você.

Com pacientes ou colegas subordinados, tratar eles como filhos, pessoas que são como nossa família trarão benefícios na hora de seguir condutas.

Um princípio básico da pediatria e da psicologia médica que se um pai ou mãe passar a mão na cabeça demais ou de menos de um filho ou reprimi-lo inadequadamente podemos criar um filho que pode nos seguir a princípio, mas em longo prazo este pode desenvolver desvios e não honrar a si e os pais.

Como nós sabemos, o filho querido é guiado com ternura e vontade de vê-lo crescer com maturidade e um bom futuro.

Na medicina é o mesmo. Mimar ou ser duro demais com os pacientes e colegas pode até promover um médico na carreira por um tempo e de forma limitada, mas se tratá-los como filhos queridos com a forma adequada, eles confiarão a vida e a carreira em suas mãos.

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E esses são alguns exemplos da arte da guerra na medicina.

“Henri, você, em seus artigos, não segue isso acima ás vezes”

Eu sou humano e logicamente vivo em aprendizado em me conhecer e há interpretações que vão de cada pessoa e, a não ser que a pessoa seja muito maquiavélica, ela não ira conseguir colocar os ensinamentos da arte da guerra em um dia.

O que me leva a um bônus.

Conheça o inimigo e ganhará as batalhas, conheça o inimigo e a si e vencerá a guerra.

Quer saber mais? Deixarei o documentário do History da época que não era só Aliens e trato feito(sei não Rick, parece falso):

Tem preguiça ou diz "isso não é medicina, para que perder tempo ler? prefiro o tratado de biologia molecular do câncer de mama", também tem audiolivro no app de música verde pra você que  ouve funk e sertanejo universitário e no app de vídeo vermelho, onde você assiste youtuber lacrador e umas pessoas chapéu de alumínio.

 

Academia Médica
Henri Hajime Sato
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Médico, curioso local, formado em medicina pela Faculdade de Ciências Médicas de Santos, falhei em ser patologista e hoje procuro a significância na vida, na medicina e no trabalho

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