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A privação de sono está associada à prevalência de obesidade na população

A privação de sono está associada à prevalência de obesidade na população

O sono é uma função essencial que permite que seu corpo e sua mente se recarreguem, deixando você revigorado e alerta ao acordar. O sono de boa qualidade também ajuda seu corpo a se manter saudável e evitar doenças. Sem sono suficiente, o cérebro não pode funcionar adequadamente e isso pode prejudicar sua capacidade de se concentrar, pensar com clareza e processar memórias.¹

A maioria dos adultos requer entre sete e nove horas de sono noturno. Crianças e adolescentes precisam dormir muito mais, principalmente se tiverem menos de cinco anos de idade. Longas jornadas de trabalho, fatores estressantes do dia a dia, um ambiente para dormir não adequado e condições médicas podem nos impedir de dormir o suficiente.¹

Com todas as responsabilidades que enfrentamos como profissionais, acadêmicos e membros de família, pode ser difícil conseguir a quantidade de sono recomendada. No início deste ano, os Centros de Controle e Prevenção de Doenças anunciaram que o sono insuficiente é um problema de saúde pública.²

Dormir tarde se tornou comum na sociedade moderna onde frequentemente as pessoas vão para a cama tarde e levantam cedo, porém quais são as possíveis implicações que o horário de dormir e a quantidade inadequada de sono tem no organismo?

É o que se propõe a responder um estudo transversal coordenado pelo Population Health Research Institute (Hamilton, Ontário) no Canadá que em resumo coletou os dados em níveis comunitário, doméstico e individual usando questionários padronizados, coletando informações sobre fatores sociodemográficos, sono e outros fatores de comportamento do estilo de vida (por exemplo, fumo, dieta e atividade física), histórico médico anterior e história familiar de condições médicas ao redor de 26 países.³

Foram incluídas na pesquisa um total de 136 652 pessoas entre homens e mulheres com idades entre 35 e 70 anos que completaram as informações de base sobre o sono e medidas antropométricas.³

E como foram definidos os padrões de sono?

Os comportamentos de tempo de sono usuais de cada participante, a duração média do sono noturno e o comportamento de cochilo diário foram obtidos usando o questionário padronizado. Os comportamentos de sono incluíram hora de dormir e hora de acordar, que foram verificados usando a seguinte pergunta "Durante o seu período de sono mais longo ou noturno, a que horas você normalmente vai para a cama e acorda (em um ciclo de 24 horas)?" A sesta (breve descanso à tarde ou cochilo após a refeição do meio-dia) diária habitual ou a duração da sesta também foi registrada.

O sono curto crônico, definido como a duração média do sono noturno de menos de 6 horas, e a privação de sono crônica, definida como a duração média do sono noturno de menos de 5 horas também foram investigados. A hora de dormir foi classificada em 5 subgrupos: 6h às 20h, 20h às 22h, 22h às 0h, 0h às 2h e 2h às 6h, com base na fisiologia humana do sono e no ritmo circadiano da melatonina que atinge o pico das 2h às 3h, enquanto ficar acordado à noite pode suprimir a secreção de melatonina associada a um risco aumentado de obesidade, doenças cardiovasculares e cânceres. O tempo de despertar foi categorizado em 3 subgrupos: antes das 4h, das 4h às 6h e após as 6h. Para o sono noturno, definiu-se a hora de dormir tarde como meia-noite ou mais tarde e a hora de dormir diurna como entre 6h e 20h.³

Foram analisadas a normalidade quanto ao tempo e duração do sono noturno. Em seguida, a duração do sono noturno em 7 subgrupos (<5 horas, 5-6 horas, 6-7 horas, 7-8 horas, 8-9 horas, 9-10 horas, 10 horas) e a duração do cochilo em 3 subgrupos (0, 0-1 hora, 1 hora) para examinar as associações com os principais resultados, considerando a duração do sono de 7 ou mais para menos de 8 horas e cochilo 0 horas como referência.³

E o que eles descobriram?

No geral, dos pacientes incluídos nessa análise, 40,2% dos participantes eram homens e 59,8% eram mulheres. Destes, um total de 27 195 participantes (19,9%) tinham obesidade geral e 37 024 participantes (27,1%) apresentavam obesidade abdominal. A média da duração do sono noturno foi de 7,8 horas, e a mediana (intervalo interquartil) do tempo do sono foi de 2h15 (1h30 às 3h00).

Um total de 19.660 participantes (14,4%) apresentaram sono tardio (ou seja, meia-noite ou mais tarde). Em comparação com a hora de dormir entre 20h e 22h, a hora de dormir tardia foi associada à presença de obesidade geral nos participantes, particularmente entre aqueles que foram para a cama entre 2h00 e 6h00.

O sono noturno curto de menos de 6 horas também foi associado à obesidade geral, mas cochilos mais longos foram associados a maior prevalência de obesidade abdominal. Nem ir para a cama durante o dia (ou seja, antes das 20h) nem a hora de acordar estavam associados à obesidade.³

Conclusão

Desta maneira os autores constataram que ir para a cama muito tarde e o sono noturno curto foram associados ao aumento do risco de prevalência de obesidade, enquanto cochilos diurnos mais longos não reduziram o risco, mas foram associados a maior risco de obesidade abdominal. Programas estratégicos de controle de peso também devem levar em consideração estratégias que possibilitem uma boa qualidade do sono, como encorajar a hora de dormir mais cedo e evitar sono noturno curto para mitigar a epidemia de obesidade.


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Referências

  1. Why Do We Need Sleep? | Sleep Foundation [Internet]. Sleep Foundation. 2014 [cited 2021 Jul 5]. Disponível em: <https://www.sleepfoundation.org/how-sleep-works/why-do-we-need-sleep>

  2. LICHTENSTEIN, Gary R. The importance of sleep. Gastroenterology & hepatology, v. 11, n. 12, p. 790, 2015.

  3. TSE, Lap Ah et al. Timing and Length of Nocturnal Sleep and Daytime Napping and Associations With Obesity Types in High-, Middle-, and Low-Income Countries. JAMA Network Open, v. 4, n. 6, p. e2113775-e2113775, 2021.

Conteúdo elaborado por Diego Arthur Castro Cabral.

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