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A promissora “terapia de substituição de células EPR” para restauração da visão na degeneração macular

A promissora “terapia de substituição de células EPR” para restauração da visão na degeneração macular

A visão humana é responsável por transmitir ao nosso cérebro o mundo exterior e, a parte central da retina denominada “mácula”, possui papel significativo para o adequado funcionamento deste importante sentido. Esta região propicia a capacidade de distinção de detalhes no campo visual central, através de suas numerosas células fotorreceptoras, as quais transformam estímulos luminosos em imagens (fototransdução). Neste sentido, o surgimento de alterações nesta região da retina, resulta em grandes prejuízos para o seu portador, citando como principal exemplo, a perda importante da acuidade visual.

Dentre as doenças que afetam a área em questão, a degeneração macular relacionada à idade (DMRI) é a patologia mais frequente, a qual afeta aproximadamente 200 milhões de pessoas em todo o mundo, sendo a maioria composta pela população acima de 50 anos de idade. A DMRI é um processo crônico-degenerativo de acometimento macular, que engloba uma significativa disfunção do epitélio pigmentar da retina (EPR), o qual é essencial para a manutenção da transdução visual normal do indivíduo. Com a evolução da doença, observa-se a perda irreversível e progressiva da visão central do paciente. Os sintomas clássicos da doença incluem: embaçamento visual em porção central, diminuição da acuidade visual, metamorfopsia, escotoma, e por fim, ablepsia.

Felizmente, um estudo publicado em janeiro/2021 pela “Stem Cell Reports”, pode significar uma grande esperança para os pacientes portadores de DMRI. Os pesquisadores idealizadores realizaram um ensaio clínico, no qual o objetivo resumiu-se em validar o transplante de células EPR como uma “terapia de substituição celular”, viabilizando uma restauração visual importante em casos de degeneração macular. Foi realizada a extração de células-tronco da retina de cadáveres doadores adultos, devidamente mantidas em cultura de RPE derivado de células-tronco humanas RPE (“Human RPE stem cell-derived RPE – hRPESC-RPE”), transplantando-as, em seguida, nos olhos de primatas não-humanos (macacos). Este tipo de enxerto, em especial, tem o potencial de servir como um recurso ilimitado de EPR humano, com altas chances de correspondência e compatibilidade de doadores. Foram avaliados resultados positivos decorrentes do procedimento, os quais citam-se: integração adequada e estável das células transplantadas no receptor por pelo menos três meses, e também a capacidade dos patches RPE transplantados em sustentar parcialmente a função fotorreceptora normal.  

Em associação com um estudo anterior, o qual monocamadas de hRPESC-RPE preservadas em coelhos foram capazes de restaurar a visão de ratos, os dados obtidos pelo transplante de hRPESC-RPE em olhos de macacos mostram que este enxerto possui um elevado perfil de segurança, sendo este capaz de se regenerar e realizar suas funções específicas na área macular por, no mínimo, três meses. Faz-se necessário citar algumas limitações presentes nesta pesquisa: (i) o ensaio clínico foi realizado exclusivamente em primatas não-humanos, fazendo-se assim necessário a aplicação em seres humanos; (ii) por ser um xenotransplante, possivelmente a integração do enxerto hRPESC-RPE na região da subretina é limitada, em razão da reação imunológica sistêmica e local. Importante ainda salientar que o uso de imunossupressores é de extrema relevância para o sucesso do procedimento de transplante.

Apesar de todos os fatores a serem transpostos, torna-se inegável que a “terapia de substituição de células EPR”, é um importante progresso para a obtenção de melhores prognósticos em casos de DMRI, o que significaria uma melhora significativa na qualidade de vida dos pacientes, em especial aos idosos acometidos por esta patologia tão incapacitante e invasiva.

 


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Referência

https://www.cell.com/stem-cell-reports/fulltext/S2213-6711(20)30502-6?_returnURL=https%3A%2F%2Flinkinghub.elsevier.com%2Fretrieve%2Fpii%2FS2213671120305026%3Fshowall%3Dtrue

Academia Médica
Danielle Granja Serpa
Danielle Granja Serpa Seguir

Acadêmica de Medicina do 6° período da Universidade Nove de Julho - São Paulo

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