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A relação Médico x Médico

A relação Médico x Médico

Outro dia, conversando com uma amiga também médica, ela me contava como havia sido uma pequena cirurgia para retirada de uma lesão de pele suspeita de melanoma. Apesar da sombra de um diagnóstico de uma doença grave, o que mais impactou a esta médica que no caso estava do outro lado da mesa, agora como paciente , foi como o médico a tratou ao final do procedimento. Este, sequer foi vê-la na recuperação anestésica ou no quarto, as recomendações e comentários típicos de pós operatórios foram feitas por whatsup. Sim, por whatsup após a insistência da paciente-médica.  Em meio a uma reação de angustia e perplexidade, como amigas conversamos muito sobre isso. E aí vem a pergunta: por ser "colega" de profissão, por ser "do meio", será que isso invalida as relações entre médico e paciente? ou ainda mais, dá o direito de nos tornarmos mais displicentes?

Por essas e outras questões que ouvi e vivi, nestes anos de medicina privada e pública, que veio a reflexão para este post. Num momento tão frágil em que vivemos a Medicina no nosso país, porque a relação entre médicos se torna tão superficial? 

Quem nunca,  quando recém formado não ouviu de um outro médico mais velho : " você é muito jovem para fazer isso, deixa que eu faço", ou então:    " tinha que ser o residente!", "não acredito que "fulano" não fez esse diagnóstico, ele é fraco mesmo!"

A medida que desmerecemos um profissional do "nosso meio", também estamos a desmerecer a Medicina. E é essa a prática que queremos realizar e passar para os mais jovens? A necessidade de nos mostramos superiores a outros profissionais não nos torna nem um pouco especiais, quanto mais, mais espertos ou inteligentes. Não é no grito que vamos defender um posicionamento, muito menos tentar convencer o outros de que estamos com razão. Que atire a primeira pedra quem nunca presenciou uma discussão dessas nos corredores de hospitais. 

Por isso, caro leitor médico, vamos tentar refletir como anda a nossa prática com outros médicos. Acredito que tenhamos que treinar cada vez mais a escuta, o respeito, saber parabenizar, como  também saber respeitar uma opinião contrária a nossa. Saber valorizar a nossa especialidade, mas também admirar as outras. 

Ninguém nasce com o domínio do conhecimento, muito menos o adquire de um dia para o outro depois que se forma, o conhecimento e profissionalismo é moldado ao longo do tempo, e cabe a cada um de nós nos aperfeiçoar dia a dia, com humildade e principalmente respeito. Respeito esse que faltou lá no início deste post, porque independente da paciente ser médica, o mínimo de conforto, e explicações é de direito. 

Ao final de tudo, felizmente o diagnóstico da amiga médica não foi de melanoma. É a vida que segue....

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Academia Médica
Roberta Fittipaldi Palazzo
Roberta Fittipaldi Palazzo Seguir

Medica pneumologista e intensivista. Pneumologista do Hospital Israelita Albert Einstein (HIAE), professora da pôs graduação de Terapia Intensiva do HIAE, cursando doutorado em Pneumologia na Universidade de São Paulo(USP).

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