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Álcool Quebra Barreira Intestinal e Acelera Lesão Hepática, Mostra Estudo

Álcool Quebra Barreira Intestinal e Acelera Lesão Hepática, Mostra Estudo
Comunidade Academia Médica
set. 21 - 3 min de leitura
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A doença hepática associada ao álcool continua sendo uma das principais causas de transplante de fígado e morte no mundo, com impacto crescente na saúde pública e na economia. Somente nos Estados Unidos, o custo anual da foi de US$ 31 bilhões em 2022, e as projeções indicam que pode chegar a US$ 66 bilhões até 2040. Apesar da gravidade, as opções terapêuticas permanecem limitadas, o que impulsiona a busca por novas abordagens para prevenir ou reduzir os danos ao fígado causados pelo álcool.

Um estudo conduzido por pesquisadores da University of California San Diego School of Medicine revelou um mecanismo-chave até então pouco explorado: o consumo crônico de álcool reduz a expressão do receptor muscarínico de acetilcolina M4 (mAChR4) no intestino. Este receptor é responsável por manter a integridade das barreiras que impedem bactérias de migrarem do intestino para o fígado.

Quando a expressão do receptor é reduzida, ocorre prejuízo na formação de GAPs (Goblet Cell-Associated Antigen Passages), estruturas especializadas que “educam” o sistema imunológico para promover imunidade antimicrobiana saudável. Sem esse processo, bactérias intestinais atravessam mais facilmente a barreira intestinal e alcançam o fígado, agravando a inflamação e a lesão hepática induzida pelo álcool.

🔬 Principais achados:

  • Álcool crônico → menor expressão de receptor  muscarínico de acetilcolina M4 (mAChR4)  no intestino.

  • Menos mAChR4 → falha na formação de GAPs, comprometendo o equilíbrio imunológico.

  • Mais bactérias → maior inflamação hepática, acelerando a progressão da doença hepática associada ao álcool.

  • Restaurar mAChR4 → protege o fígado, seja por ativação química do receptor ou por estímulo das vias de sinalização relacionadas.

Em experimentos com biópsias hepáticas humanas e modelos murinos de doença hepática associada ao álcool, a ativação do receptor mAChR4 permitiu a restauração dos GAPs e conferiu resistência ao dano hepático, abrindo caminho para novas estratégias terapêuticas.

Perspectivas terapêuticas e impacto clínico

Uma descoberta particularmente interessante é que já existem fármacos em estudo clínico que atuam no receptor mAChR4, originalmente desenvolvidos para tratamento da esquizofrenia. Isso abre a possibilidade de reposicionamento de medicamentos para o tratamento da doença o que pode acelerar a translação da descoberta para a prática clínica.

Além disso, o receptor mAChR4 também desempenha papel em regiões cerebrais que controlam hábitos, aprendizado e dependência, o que sugere implicações para o tratamento do transtorno por uso de álcool. Assim, os pesquisadores propõem que a mesma estratégia pode não apenas proteger o fígado, mas também auxiliar no manejo da dependência alcoólica.

Com o aumento global do consumo de bebidas alcoólicas e a escassez de terapias eficazes essas descobertas representam um passo promissor para o desenvolvimento de novos tratamentos que atacam o problema em sua origem: a comunicação entre intestino, sistema imunológico e fígado.


Referência:

University of California - San Diego. "Alcohol’s hidden shortcut lets gut bacteria wreck the liver." ScienceDaily. ScienceDaily, 19 September 2025. <www.sciencedaily.com/releases/2025/09/250918225018.htm>.

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