O consumo de álcool é reconhecido como a terceira maior causa prevenível de câncer, superado apenas pelo tabaco e pela obesidade. Dados revelam que, em 2019, cerca de 96.730 casos de câncer foram atribuídos ao consumo de álcool, nos EUA, distribuídos entre 42.400 homens e 54.330 mulheres. Isso sugere que, ao longo de uma década, quase um milhão de casos de câncer poderiam ser prevenidos.
A incidência de câncer relacionada ao álcool não se distribui de maneira uniforme entre os sexos. As mulheres enfrentam um risco elevado de câncer de mama ligado ao álcool, com estimativa de 44.180 novos casos em 2019, o que representa 16,4% dos aproximadamente 270.000 casos totais de câncer de mama. Globalmente, em 2020, foram registrados 741.300 casos de câncer atribuíveis ao álcool, sendo que 185.100 desses casos foram relacionados ao consumo moderado, de cerca de dois drinques por dia ou menos.
🟦 A figura ilustra como o consumo de álcool pode aumentar o risco de pelo menos sete tipos diferentes de câncer:
Fonte: U.S. Department of Health & Human Services.
Nos Estados Unidos, o álcool é responsável por cerca de 20.000 mortes por câncer anualmente — um número superior às mortes por acidentes de trânsito associados ao álcool, que somam aproximadamente 13.500 por ano. Essas mortes por câncer relacionadas ao álcool reduzem a expectativa de vida em média em 15 anos, totalizando cerca de 305.000 anos de vida potencial perdidos anualmente. No que diz respeito ao gênero, o câncer de mama é responsável pela maioria das mortes relacionadas ao álcool entre mulheres, enquanto o câncer de fígado e o colorretal somam a maior parte entre os homens.
Surpreendentemente, 83% das mortes por câncer relacionadas ao álcool nos EUA ocorrem em níveis de consumo acima dos limites recomendados pelas Diretrizes Dietéticas dos EUA para 2020-2025, que sugerem no máximo dois drinques diários para homens e um para mulheres. No entanto, os 17% restantes das mortes ocorrem dentro desses limites recomendados, reforçando que mesmo o consumo moderado de álcool não é isento de riscos.
Apesar das evidências claras que ligam o consumo de álcool ao risco de câncer, existe uma lacuna significativa na compreensão pública deste risco. Uma pesquisa realizada em 2019 revelou que apenas 45% dos americanos reconhecem o uso de álcool como um fator de risco para o câncer. Em comparação, a consciência sobre outros riscos é muito mais alta: 91% para exposição à radiação, 89% para o uso de tabaco, 81% para exposição ao amianto e 53% para obesidade. Além disso, a percepção pública sobre o álcool como um risco de câncer não melhorou substancialmente ao longo de quase duas décadas, apesar do crescente corpo de evidências.
É crucial aumentar a conscientização sobre os perigos do consumo de álcool e seus vínculos com o câncer. Estratégias de prevenção eficazes e políticas públicas podem potencialmente salvar milhares de vidas todos os anos.
Referência:
U.S. Department of Health & Human Services. (n.d.). Alcohol and cancer risk. Retrieved from https://www.hhs.gov/sites/default/files/oash-alcohol-cancer-risk.pdf






