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Bougie ou Stylet, qual o melhor para intubar pacientes graves na emergência?

Bougie ou Stylet, qual o melhor para intubar pacientes graves na emergência?

Para adultos em estado crítico que são submetidos à intubação orotraqueal de emergência, a falha em intubar o paciente na primeira tentativa ocorre em até 20% dos casos e está associada a hipoxemia grave e parada cardiorrespiratória. No entanto, ainda permanece incerto se o uso de um introdutor de tubo traqueal mais flexível (“bougie”) aumenta a probabilidade de intubação bem-sucedida em comparação com o uso de um tubo endotraqueal mais rígido como o Stylet. Foi para elucidar essa questão que um grupo de pesquisadores realizou um ensaio clínico randomizado.

O estudo contou com mais de mil pacientes

O estudo Bougie ou Stylet em Pacientes Submetidos a Intubação de emergência (BOUGIE) foi um ensaio clínico randomizado multicêntrico que incluiu 1.102 adultos gravemente enfermos e que foram submetidos a intubação orotraqueal em 7 departamentos de emergência e 8 unidades de terapia intensiva nos EUA entre 29 de abril de 2019 e 14 de fevereiro de 2021. O desfecho primário foi a intubação bem-sucedida na primeira tentativa. O desfecho secundário foi a incidência de hipoxemia grave, definida como saturação periférica de oxigênio inferior a 80%.

80% dos pacientes foram intubados com sucesso na primeira tentativa

Entre os 1.106 pacientes randomizados, 1.102 (99,6%) completaram o ensaio e foram incluídos na análise primária (idade média de 58 anos e 41,0% dos pacientes eram mulheres).

A intubação bem-sucedida na primeira tentativa ocorreu em 80,4% no grupo bougie e em 83,0% no grupo Stylet. Um total de 58 pacientes (11,0%) no grupo bougie experimentou hipoxemia grave, em comparação com 46 pacientes (8,8%) no grupo Stylet.

A intubação esofágica ocorreu em 4 pacientes (0,7%) no grupo bougie e 5 pacientes (0,9%) no grupo estilete, o pneumotórax estava presente após a intubação em 14 pacientes (2,5%) no grupo bougie e 15 pacientes (2,7%) no grupo Stylet e lesão das estruturas orais, glóticas ou torácicas ocorreram em 0 pacientes no grupo do bougie e em 3 pacientes (0,5%) no grupo do Stylet (não esquecer da técnica utilizada pelo médico na hora de intubar o paciente - atenção para o basculamento).

Diante dos dados expostos no ensaio clínico randomizado, os autores concluíram que o uso de um bougie para intubação orotraqueal em adultos gravemente enfermos não aumentou significativamente a incidência de intubação bem-sucedida na primeira tentativa, em comparação com o uso de um tubo endotraqueal com Stylet. Não devemos esquecer que o treinamento e a experiência de um operador em realizar a intubação, em geral ou com um dispositivo específico, devem ter influenciado a probabilidade de uma intubação bem-sucedida na primeira tentativa.

E você, prezado leitor. Tem algum dispositivo preferido na hora de passar o famoso "tubo"? Conta para a gente nos comentários.

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Referências

1. Driver BE, Semler MW, Self WH, et al. Effect of Use of a Bougie vs Endotracheal Tube With Stylet on Successful Intubation on the First Attempt Among Critically Ill Patients Undergoing Tracheal Intubation: A Randomized Clinical Trial. JAMA. Published online December 08, 2021. doi:10.1001/jama.2021.22002 ‌

Conteúdo traduzido e adaptado por Diego Arthur Castro Cabral

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