Uma das maiores transformações digitais do Sistema Único de Saúde (SUS) foi anunciada em julho de 2025: a integração inédita dos dados clínicos da saúde suplementar à Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS), plataforma do Ministério da Saúde que centraliza os registros de atendimentos médicos, exames, diagnósticos e prescrições de usuários do sistema público.
A medida, apresentada pelo ministro da Saúde Alexandre Padilha e pela diretora-presidente da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), Carla de Figueiredo Soares, marca o início de uma nova fase para a governança digital em saúde no Brasil. A iniciativa integra o programa Agora Tem Especialistas e será operacionalizada a partir de outubro de 2025, permitindo que pacientes, profissionais e gestores da rede pública acessem o histórico clínico de forma unificada, inclusive com dados de atendimentos realizados por planos de saúde.
Avanços e Implicações:
1. Acesso unificado ao histórico de saúde: Com a RNDS integrada, cidadãos poderão visualizar, em um único ambiente (o aplicativo Meu SUS Digital), todo o seu histórico clínico, exames, prescrições, tratamentos e diagnósticos realizados tanto no SUS quanto em hospitais, clínicas e laboratórios da saúde suplementar.
2. Continuidade do cuidado e resolutividade Médicos e profissionais do SUS terão acesso a informações mais completas sobre o paciente, o que evitará retrabalho, como repetição de exames, e permitirá um cuidado mais assertivo e resolutivo, independentemente da origem do atendimento (público ou privado).
3. Eficiência na gestão pública A incorporação dos dados da saúde suplementar possibilitará maior eficiência na formulação de políticas públicas baseadas em evidências. Com uma visão integrada da saúde da população, estados e municípios poderão tomar decisões com mais clareza, alocando melhor os recursos.
4. Crescimento exponencial da base de dados clínicos nacionais Com a inclusão dos dados dos planos de saúde, o número de registros armazenados na RNDS deve praticamente dobrar, passando de 2,8 bilhões para mais de 5,3 bilhões de registros clínicos. A rede já é utilizada por mais de 80% dos estados e 68% dos municípios brasileiros para organizar seus atendimentos.
5. Envio escalonado e interoperabilidade segura1; Entre 1º de agosto e 30 de setembro de 2025, será realizada a migração dos dados da saúde suplementar do período de 2020 a 2025. A partir de outubro, o envio será automático e contínuo, conforme os atendimentos ocorrerem. Essa interoperabilidade, no entanto, será unidirecional: apenas as operadoras enviarão dados ao SUS. O contrário não ocorrerá, preservando o sigilo das informações da saúde pública.
6. Proteção de dados e privacidade garantida: A integração foi desenhada com foco na segurança e privacidade dos dados dos cidadãos. As operadoras enviarão os dados à RNDS, mas não terão acesso às informações armazenadas pelo SUS, garantindo o sigilo das ações realizadas na rede pública.
Essa integração posiciona o Brasil em saúde digital e interoperabilidade de dados clínicos. Além de beneficiar diretamente os pacientes, a RNDS integrada será um pilar para a pesquisa clínica, inovação científica e desenvolvimento tecnológico no país, ampliando significativamente as bases de dados disponíveis para estudos em saúde populacional, epidemiologia e gestão clínica.
O histórico de interoperabilidade, até então limitado a redes municipais e estaduais, alcança agora um novo patamar, com a integração do setor privado, essencial para um sistema de saúde verdadeiramente universal e coordenado.
Referência:
Ministério da Saúde. (2025, julho 28). Plataforma do SUS vai integrar dados dos planos de saúde para garantir mais eficiência e continuidade do tratamento. Governo do Brasil. https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/noticias/2025/julho/plataforma-do-sus-vai-integrar-dados-dos-planos-de-saude-para-garantir-mais-eficiencia-e-continuidade-do-tratamento

