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Chegamos lá! Somos o País que mais tem faculdades de medicina no mundo
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Chegamos lá! Somos o País que mais tem faculdades de medicina no mundo

"Não devemos ignorar o papel que os extremistas jogam. Eles são as moscas varejeiras que mantêm a sociedade demasiadamente complacente ou em auto-satisfação; eles são, uma falsa sensação de progresso. Se eles são fundamentalmente errados, a discussão livre, com o tempo colocar um fim a eles." - Abraham Flexner

Neste momento vivemos [quando o assunto é escolas de medicina] exatamente  como os EUA há 100 anos. Naquela época, o governo criou uma comissão chefiada por Abraham Flexner (1855-1959) para visitar e elaborar um relatório sobre as 155 faculdades de medicina existentes no país e no Canadá. O resultado foi o fechamento de muitas das instituições e convenceu o Governo e a sociedade sobre a necessidade de financiar e monitorar as melhores instituições. Ao fechamento de seu relatório, Flexner escreveu: "As escolas médicas eram essencialmente iniciativas privadas cujo espírito e objetivo eram gerar dinheiro… Um homem que pagasse suas mensalidades, assim, praticamente tinha seu título assegurado, assistisse ele ou não às aulas.”

Obviamente nas terras tupiniquins dominadas por populistas vermelhos da pátria educadora, há uma inteligência peculiar que afirma a educação genérica como o principal meio de formar qualquer coisa. Sob esta ótica, basta deixar disponível que o aluno aprende, sem quase nunca tocar em um livro, sem ser orientado por um professor bem formado, e sem ser aprovado para seguir o caminho na formação que pleiteia.

Observamos uma insuficiência do sistema particular quando comparado ao público. Salvo exemplos de faculdades [particulares] consolidadas, a maioria das novas particulares já recebem alunos despreparados, que não apresentam uma base mínima para o melhor aproveitamento do curso de medicina. Não podemos fugir da afirmação de que o vestibular seleciona os melhores e estes "melhores" fazem a faculdade. Por trabalhar, muitas vezes, com alunos originalmente insuficientes,  Uniesquinas que se propagaram no Estado de São Paulo e no Brasil inteiro, deveriam possuir a possibilidade de transformá-los adequadamente buscando um padrão minimamente aceitável entre todos os egressos.

Porém, muitas não possuem professores comprometidos com o ensino. E quando este não é o problema, a falta de um hospital escola com um preceptor presente não dá vivencia prática mínima para àquele que, em pouco tempo, sairá da segurança dos muros estudantis. O preço para os familiares desses estudantes pode variar entre 4 e 9 mil reais mensais.

Não há como sermos coniventes com isso, mas o Ministério da Educação o é.

Mesmo frente a este paradigma na formação médica brasileira, o Governo, munido da parceria MEC e Ministério da Saúde com a Lei do Mais Médicos, acaba de anunciar a abertura de mais 1800 vagas de medicina em todo o país.

Muitas dessas vagas estão sendo criadas em campus avançados das Universidades Federias. Algo tão falacioso vindo da vulgar Pátria Educadora que acabou de cortar 7 bilhões do orçamento para a Educação para o ano de 2015.

lista de municípiosSob o pretexto de um maqueado estudo de necessidade de médicos em regiões afastadas, eles elegeram mais 39 cidades que podem se candidatar a receber as novas faculdades.

Com mais essa nova medida, podemos comemorar. Somos o País com Mais Escolas de Medicina no Mundo inteiro. Ultrapassamos a Índia, que possui uma população 7 vezes maior que a nossa (1,4 bilhões de habitantes).

Serão ao ano, mais de 22 mil novos alunos nas faculdades brasileiras. tendo ao todo mais de 130 mil acadêmicos cursando medicina nas universidades brasileiras. Até o final de 2018, o número de ingressantes, segundo a Lei dos Mais Médicos, deve pular para 27 mil ao ano.

A pergunta que fica é: Quem vai ensinar esta gente toda?

Deixo algumas perguntas (retóricas eu sei):

  • O médico com mestrado sairá de um grande centro para ganhar menos de 50 reais por hora aula em uma universidade em Crateús - Ceará?
  • O cirurgião torácico deixará o hospital terciário em que ele trabalha para assumir um cargo em um hospital há 300km da capital mais próxima?
  • Algumas das cidades "eleitas" não possuem sequer saneamento básico, rede de esgoto, segurança pública e educação para seus cidadãos. Professores e alunos fugirão"
  • Um hematologista irá ter casos suficientes para mostrar a seus alunos em uma cidade com menos de 50 mil habitantes?
  • Haverá um imunologista para ensinar o básico para os alunos de primeiro e segundo ano?
  • São necessário ao menos 70 professores e mais 70 preceptores para fazer um bom curso de medicina para 60 alunos. Isto é possível em Irecê - Bahia?
  • Há como formarmos médicos para a atenção básica sem ensiná-los a reconhecer algumas peculiaridades comuns às especialidades como cardiologia, endocrinologia, pediatria, reumatologia, cirurgia, diagnóstico por imagem, e tantas especialidades que fazem parte do ensino do ciclo clínico?

Muitos outros questionamentos podem ser aplicados a este tema. Mas o fato é único. Estamos em um momento em que boa parte das faculdades de medicina não possuem o mínimo e não são exigidas para se adequar. O que será da formação médica quando as cidades de PQP abrirem suas faculdades?

 

Fernando Carbonieri

Fernando Carbonieri

Fundador da comunidade Academia Médica, que desde 2012 tem o intuito de expandir os horizontes falando o que a faculdade esqueceu de nos contar.

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