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Como dar más notícias aos seus pacientes e seus familiares
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Como dar más notícias aos seus pacientes e seus familiares

Como dar más notícias aos seus pacientes e seus familiares

Uma das coisas mais importantes e mais difíceis de nossa profissão como médicos não é ensinada em sala de aula: como dar más notícias.

 por Millena Carvalho Catharino e Age Junior

Apesar da importância do tema, as habilidades necessárias para comunicar más notícias raramente são ensinadas nas escolas médicas, sendo muitas vezes aprendidas na prática e sem qualquer auxílio, expondo acadêmicos e residentes a situações constrangedoras e de intensa carga emocional.

Não há uma fórmula pronta ou um texto decorável para que possamos dar as más notícias. Porém, existem protocolos que ensinam técnicas que podem nos ajudar a lidar melhor com estas situações, o mais famoso entre eles é o Protocolo SPIKESque descreve seis passos de maneira didática para comunicar más notícias aos pacientes. Todavia, não podemos esquecer que os pacientes possuem vivencias diferentes e cada um reage de forma singular face ao adoecimento, tratamento e desfecho das suas condições médicas. Devemos ser empáticos e lembrar que toda a prática médica é alicerceada por uma boa relação-médico paciente e neste caso não seria diferente.

spikes protocol

Mesmo para o médico mais experiente, nem sempre é fácil ser o porta-voz de fatos que vão mudar invariável e devastadoramente a vida do ouvinte. Então, o que fazer nesta hora? Devemos contar ao paciente ou apenas para os familiares? Devemos falar de uma vez ou começar com uma série de frases introdutórias, no estilo ”o gato subiu no telhado”? Devemos amenizar e dizer que “tudo vai ficar bem” ou dizer toda a verdade? Não existe um método “gold standart”,entretanto, a Doutora Ellen Hann D.O. – School of Medicine, University of California, San Diego and Diana Padelford Binkley Foundation - produziu um vídeo dando algumas dicas sobre como enfrentar esta situação difícil (vídeo no topo da página).

mas notíciasEla aconselha que o ideal é primeiro se preparar:

Certifique-se de que todas as informações estão corretas; separe um lugar e tempo adequados; desligue seu celular e dê atenção total ao seu paciente. Depois, você pode verificar o que o paciente já sabe, se está preocupado e o que os médicos já lhe disseram. Também seria bom perguntar se quer saber de todos os detalhes, ou se prefere que as informações sejam dadas a um parente próximo e definir em conjunto quem deve estar presente neste dia.

Às vezes a presença de alguém próximo é benéfica, outras vezes não. Então, a Dra. Hann sugere usar um “warning shot”, frases precursoras que o preparem a notícia. Como, por exemplo, os resultados dos seus exames chegaram (pausa) eu tenho más notícias (pausa) infelizmente, você tem câncer.

Depois, o aconselhável é dar tempo para absorver todas as informações, respondendo a todas as dúvidas. Ao falar do prognóstico pode usar frases como “em minha experiência” e dê um prazo real e flexível como “entre meses a anos”. Certifique-se de que o paciente está seguro, de que ele tem uma carona para ir para casa (pois não tem condições psicológicas para dirigir ou andar de ônibus). Veja se ele tem condições financeiras e emocionais para o tratamento se apoio na família ou amigos. Principalmente, perceba se não está demasiadamente depressivo ou com pensamentos suicidas. Finalmente deixe por escrito todas as instruções para o tratamento, junto com a cópia de todos os exames e alguns artigos impressos em linguagem mais simples para que ele possa se informar mais. Não se esqueça de já encaminhar para o especialista na área, e se você for o responsável pelo caso, já marque as próximas consultas ou sessões de tratamento.

Para inspirar sobre o tema, recomendamos o filme “Pronta para amar” (“A little bit of heaven”). Nele, o médico conta - de uma forma não muito ortodoxa - à personagem principal, Marley Corbett (Kate Hudson) que ela tem câncer. Ao descobrir sua condição, ela reage de uma forma também não muito ortodoxa. Então, descobre novas formas de viver e de amar.

 

Via http: medxforum

Millena Carvalho Catharino  é graduanda em medicina pela Faculdade Evangélica do Paraná e acredita que aprender medicina é mais do que decorar anatomia e posologias. É compreender a complexidade do ser humano.

 

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