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Como o Twitter está mudando a pesquisa médica

Como o Twitter está mudando a pesquisa médica

Já é fato que as redes sociais mudaram a comunicação de forma irreversível. Mas você já parou para observar o quanto essa onda de "seguidores", "posts", "tweets" e "hashtags" está se infiltrando nas profundezas mais conservadoras da medicina?

A pesquisa médica é uma das áreas que vem sendo influenciada positivamente por isso e virou assunto na Nature Medicine recentemente. A editoria de Medicina da centenária revista de publicações científicas abordou como as mídias sociais estão mudando a disseminação e discussão da pesquisa médica.

Nas próximas linhas você confere um resumo do artigo publicado na Nature. Para ler a publicação original, clique aqui.

 

Antes das novidades digitais, os pesquisadores tinham possibilidades limitadas de responder e criticar novas pesquisas. Normalmente, eles escreveriam uma carta para o editor ou um artigo de opinião; a resposta seria publicada se os editores da revista concordassem; e, mesmo quando publicada, levaria semanas até a opinião do pesquisador vir à tona.  

O Twitter, no entanto, vem reformulando a maneira como cientistas e médicos podem descobrir, discutir e compartilhar ciência. Uma pesquisa da Nature realizada em 2014 evidenciou que 13% dos cientistas usavam o Twitter e, em 2017, uma análise publicada na revista PLoS One identificou mais de 45 mil cientistas com contas na rede.

Hoje, a plataforma reduz as barreiras da comunicação e permite que conversas sobre novas publicações aconteçam imediatamente após a divulgação e de forma aberta. Os comentários removem as grandes revistas da equação, democratizando a crítica à ciência! 

São poucos os cientistas e médicos que alcançam uma audiência significativa, mas a influência do Twitter em suas carreiras já é consenso. Essa imersão nas redes também tem levado grandes instituições na área científica a descobrir a melhor maneira de incorporar a mídia social às métricas tradicionais. 

 

Clubes Revista do Twitter

Os clubes de revista são um ambiente em que pesquisadores se reúnem de forma presencial e examinam criticamente novos artigos ou publicações; eles constituem importantes fóruns para o intercâmbio de idéias e para a educação continuada. No Twitter, no entanto, os clubes de revista se expandirão além dos limites físicos. 

Uma análise formal do potencial educacional dos clubes de revistas do Twitter, concluiu que a flexibilidade e acessibilidade do ambiente digital oferecem benefícios que os clubes presenciais não oferecem - incluindo a oportunidade para mais pessoas observarem, sem pressão para participar, o engajamento global e menos hierarquias. 

Quer entender um pouco sobre como esses clubes funcionam no Twitter? 
Acesse o #MedRadJClub; uma reunião de uma hora do clube conta com até 245 participantes e 4.559 tweets.

 

As estruturas de poder estão abaladas

As mídias sociais oferecem uma alternativa às estruturas de poder tradicionais na ciência, as quais dão mais peso a periódicos de alto impacto, professores titulares e instituições de prestígio. Com o Twitter há uma segunda chance para artigos que não foram aceitos ou para pesquisadores no início de carreira.

Porém, as exibições de conhecimento nas mídias sociais, e não em fóruns tradicionais, como periódicos, às vezes são criticadas como menos relevantes ou rigorosas. As organizações precisam lidar com o peso que dão ao uso da mídia social e como determinam que tipos de usos da rede são relevantes para o trabalho científico.

 

Estabeleça presença

Com tantas conversas sobre ciência e medicina acontecendo no Twitter, as pessoas que não a usam estão perdendo um espaço importante para conversas sobre o assunto. Eles não precisam ser ativos ou mesmo twittar, mas devem ficar de olho na discussão, apenas para que possam ver o que está acontecendo.  

Classificar o volume de informações no Twitter e identificar as melhores maneiras de usá-las também pode levar tempo. No entanto, ignorá-lo completamente não é a melhor opção no momento. Conseguir fazer o encadeamento de tweets e a vinculação a artigos pode render conversas robustas e, para que isso aconteça, vale a pena separa o joio do trigo neste novo ambiente científico virtual.

 

Fonte:
Wetsman, N. How Twitter is changing medical research. Nat Med (2019) doi:10.1038/s41591-019-0697-7

Academia Médica
Juliana Karpinski
Juliana Karpinski Seguir

Community Manager na Academia Médica, jornalista e acadêmica de Medicina na Universidade Federal do Paraná.

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