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Confiança em médicos: apenas respeito ou novos desafios?

Confiança em médicos: apenas respeito ou novos desafios?

O Juramento de Hipócrates prevê, sem reservas, a fidelidade do profissional aos preceitos de honestidade, caridade e honradez durante o exercício da Medicina. Partindo dessa premissa, com o aumento da confiança no médico, por parte da população, o respeito a tais fundamentos torna-se imprescindível.

No entanto, a consolidação da exigência na qualificação do atendimento somado à incorporação de novos significados à missão maior do médico, que é salvar vidas atuam como estimuladores para alguns doutores sobreporem os interesses pessoais ao bem coletivo. A conclusão, portanto, é imediata: a confiança no médico atuando como uma "faca de dois gumes".

O médico canadense William Osler afirma que um bom médico trata a doença, já um excelente cura o paciente que a possui. Afeiçoados por tal atitude, os enfermos depositam sua total confiança nas mãos do profissional de saúde, que, devido ao elevado conhecimento técnico acumulado e responsabilidade ético-profissional, construiu uma ótica social a seu respeito pautada na ausência de erros procedimentais e no reconhecimento como "deuses" de jaleco, denotando uma completa relação vertical e aumentando o nível de qualificação profissional.

Um exemplo para tal fato foi uma pesquisa divulgada pelo Instituto Datafolha no fim de 2016, relatando que para 26% da população brasileira o médico é o profissional onde mais se pode confiar, superando até os professores. Tal identificação deve-se ao fato de que a saúde é a arte de se perceber no planeta Terra como ser humano.

No entanto, esse alto teor de credibilidade depositado pela população aos profissionais de saúde, além de ressaltarem o seu papel de agentes de transformação social também afunila cada vez mais a procura de centros de saúde por médicos honestos, éticos e empáticos, além de qualificados profissionalmente.

Isso abre oportunidades para que uma pequena parcela de tais profissionais, aproveitando-se do cenário competitivo, corrompa sua ética médica subjetiva ao visar somente benefícios pessoais, seja por meio de propinas ou acordos com empresas, como também omitindo informações para os enfermos, visando garantir seu respeito. Um exemplo são os índices crescentes de omissões, por parte de doutores, acerca de erros médicos, visando não deteriorar suas carreiras. É possível contar um monte de mentiras dizendo só verdades.

Parafraseando o físico teórico Albert Einstein, é espantosamente óbvio que a nossa tecnologia superou a nossa humanidade. No entanto, isso não se aplica a certos profissionais de saúde, que cumprem o fundamento hipocrático e se mantêm dignos por parte dos pacientes. Nesse contexto, é necessário a incorporação de novas soluções para tal problemática.

É imprescindível, para tanto, que o Ministério da Saúde crie o Pró-saúde, que poderia ser uma "válvula de escape" para tal divergência de opiniões no meio atual, que consistiria num aplicativo que envolve a participação de pacientes e enfermos em prestar opiniões queixas e soluções a respeito de diversos centros de saúde, públicos e privados, no Brasil, visando fomentar uma melhora na qualidade de tratamento e qualificar médicos, de forma a justificar e consolidar a confiança e o respeito demonstrados pela população.

Academia Médica
Fernando Antônio Ramos Schramm Neto
Fernando Antônio Ramos Schramm Neto Seguir

Atual graduando em Medicina pela Universidade Salvador.

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