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Pesquisadores desenvolvem anticorpo monoclonal para prevenção da Malária

Pesquisadores desenvolvem anticorpo monoclonal  para prevenção da Malária

A malária é uma doença infectocontagiosa transmitida por mosquitos do gênero Anopheles, causada por protozoários (P. falciparum, P. vivax e P. malariae). Pessoas com malária geralmente apresentam febre, calafrios e sintomas semelhantes à gripe. Se não forem tratados, eles podem desenvolver complicações graves e evoluírem a óbito. Em 2019, cerca de 229 milhões de casos de malária ocorreram em todo o mundo e 409.000 pessoas morreram, a maioria crianças, na Região Africana segundo o CDC norte-americano. Devido sua gravidade e alta prevalência, muitas pesquisas são realizadas para encontrar soluções para o combate e erradicação dessa doença. Pensando nisso, pesquisadores desenvolveram um grupo de anticorpos monoclonais para a prevenção da doença.

Mas como foi realizado esse estudo?

O estudo foi um ensaio clínico de duas partes, primeiro em humanos, openlabel, fase 1, de escalonamento de dose. Os principais objetivos do estudo foram avaliar a segurança e o perfil inicial de efeitos colaterais do anticorpo. Os objetivos secundários foram avaliar as propriedades farmacocinéticas e eficácia do anticorpo monoclonal na prevenção da malária após infecção controlada por malária. Os participantes elegíveis eram adultos saudáveis de 18 a 50 anos de idade que não haviam tido infecção de malária ou vacinação anterior.

A Parte A do estudo avaliou a segurança, o perfil inicial de efeitos colaterais e a farmacocinética do anticorpo em adultos saudáveis que nunca tiveram malária. Os participantes receberam o anticorpo por via subcutânea ou intravenosa em três níveis de doses crescentes. Um subgrupo de participantes da Parte A continuou para a Parte B, e alguns receberam uma segunda infusão do medicamento. Participantes adicionais foram inscritos na Parte B e receberam o anticorpo por via intravenosa. Para avaliar a eficácia protetora, alguns participantes foram submetidos à infecção de malária humana controlada, na qual foram expostos a mosquitos portadores de esporozoítos de P. falciparum 4 a 36 semanas após a administração do anticorpo.

Mas o que é uma infecção controlada?

Para desenvolver esse tipo de infecção, os pesquisadores expuseram os voluntários a picadas no antebraço de mosquitos Anopheles stephensi infectados com P. falciparum (cepa 3D7). Foi realizado um monitoramento ambulatorial por meio de ligações telefônicas nos primeiros 7 dias após a exposição ao mosquito, seguido por visitas clínicas nos dias 7, 18 e no dia 21 para avaliar a parasitemia por meio da reação em cadeia da polimerase (PCR). A Parasitemia (ou seja, a infecção por malária) foi definida como um único resultado positivo do PCR. Os participantes foram considerados protegidos se permaneceram negativos para parasitemia até o dia 21 após a infecção. Se o PCR viesse positivo em algum momento o tratamento foi realizado com 1 g de atovaquona e 400 mg de cloridrato de proguanil por 3 dias consecutivos, ou no dia 21 se o participante ainda não tivesse sido tratado.

Qual anticorpo foi utilizado no estudo?

O CIS43LS é um anticorpo monoclonal IgG humano derivado de uma linha celular clonal DG44 de ovário de hamster chinês transfectada de forma estável. Foi fabricado de acordo com as Boas Práticas de Fabricação Atuais pelo Programa de Materiais Clínicos de Vacina, operado sob contrato com a Leidos Biomedical Research, e em frasco uma formulação tamponada a uma concentração de 100 mg por mililitro.

Quais foram os principais resultados?

Um total de 25 participantes receberam CIS43LS em uma dose de 5 mg por quilograma de peso corporal, 20 mg por quilograma ou 40 mg por quilograma, e 4 dos 25 participantes receberam uma segunda dose (20 mg por quilograma, independentemente da dose inicial). Nenhuma preocupação de segurança foi identificada. Os pesquisadores encontraram aumentos dependentes da dose nas concentrações séricas de CIS43LS, com meia-vida de 56 dias. Nenhum dos 9 participantes que receberam CIS43LS, em comparação com 5 dos 6 participantes de controle que não receberam CIS43LS, teve parasitemia de acordo com o teste de reação em cadeia da polimerase por 21 dias após a infecção por malária humana controlada. Dois participantes que receberam 40 mg por quilograma de CIS43LS e foram submetidos à infecção por malária humana controlada aproximadamente 36 semanas depois não tinham parasitemia, com concentrações séricas de CIS43LS de 46 e 57 μg por mililitro no momento da infecção por malária humana controlada.

E quais as implicações/possibilidades que temos?

Este ensaio fornece dois avanços importantes na prevenção da malária. O primeiro reside no fato de que o CIS43LS tem como alvo uma região proteica que é responsável pela junção do P. falciparum e isso apoia a inclusão desse local nas vacinas da próxima geração. Em segundo lugar, o ensaio fornece um caminho potencial para a prevenção passiva contra a malária. A observação de que uma única administração de CIS43LS forneceu proteção contra a malária poderia ter uma aplicação clínica potencialmente ampla, incluindo no controle sazonal da malária em regiões nas quais ela é endêmica e em campanhas de eliminação. Pesquisas futuras podem revelar novas rotas, doses e anticorpos monoclonais mais potentes e podem permitir o uso expandido de anticorpos monoclonais em populações vulneráveis, como mulheres grávidas e crianças em áreas onde a malária é endêmica. 


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Referências

  1. Gaudinski MR, Berkowitz NM, Idris AH, Coates EE, Holman LA, Mendoza F, et al. A Monoclonal Antibody for Malaria Prevention. New England Journal of Medicine [Internet]. 2021 Aug 26 [cited 2021 Aug 30];385(9):803–14. Available from: https://www.nejm.org/doi/pdf/10.1056/NEJMoa2034031?articleTools=true

Conteúdo elaborado por Diego Arthur Castro Cabral

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