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Um bilhão de pessoas atendidas em unidades de saúde sem eletricidade

Um bilhão de pessoas atendidas em unidades de saúde sem eletricidade
Fernando Carbonieri
jan. 23 - 5 min de leitura
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Quase um bilhão de pessoas em países de baixa e média renda são atendidas por unidades de saúde com fornecimento de eletricidade instável ou sem acesso à eletricidade, de acordo com um novo relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS), Banco Mundial, Agência Internacional de Energia Renovável (IRENA) e Energia Sustentável para Todos (SEforAll).

O acesso à eletricidade é crítico para a prestação de cuidados de saúde de qualidade, desde o parto até o gerenciamento de emergências como ataques cardíacos ou oferta de vacinação salvadora. Sem eletricidade confiável em todas as unidades de saúde, a Cobertura Universal de Saúde não pode ser alcançada, segundo observa o relatório.

A eletrificação crescente das unidades de saúde é essencial para salvar vidas. O relatório conjunto "Energizando a Saúde: Acelerando o Acesso à Eletricidade em Unidades de Saúde" apresenta os dados mais recentes sobre a eletrificação de unidades de saúde em países de renda baixa e média. Também projeta os investimentos necessários para alcançar a eletrificação adequada e confiável em unidades de saúde e identifica as principais ações prioritárias para governos e parceiros de desenvolvimento.

"O acesso à eletricidade em unidades de saúde pode fazer a diferença entre vida e morte", disse a Dra. Maria Neira, Diretora-Geral Adjunta Interina para Populações Saudáveis da OMS. "Investir em energia confiável, limpa e sustentável para unidades de saúde não é apenas crucial para a preparação para pandemias, mas também é muito necessário para alcançar a cobertura universal de saúde, bem como aumentar a resiliência e a adaptação às mudanças climáticas."

A eletricidade é necessária para alimentar os dispositivos mais básicos, desde luzes e equipamentos de comunicação até refrigeração ou dispositivos que medem sinais vitais, como batimento cardíaco e pressão arterial. A falta dela é crítica tanto para procedimentos rotineiros quanto para emergências.

Quando as unidades de saúde têm acesso a fontes confiáveis de energia, os equipamentos médicos críticos podem ser alimentados e esterilizados, as clínicas podem preservar vacinas salva-vidas e os trabalhadores de saúde podem realizar cirurgias essenciais ou entregar bebês conforme o planejado.

No entanto, no Sul da Ásia e nos países da África subsaariana, mais de um em cada dez unidades de saúde não têm acesso à eletricidade, de acordo com o relatório, enquanto a energia é instável para metade das unidades na África subsaariana.

Embora tenha havido algum progresso nos últimos anos na eletrificação de unidades de saúde, cerca de um bilhão de pessoas em todo o mundo são atendidas por unidades de saúde sem fornecimento de eletricidade confiável ou sem acesso à eletricidade. Para se ter uma ideia, isso é próximo da população total dos Estados Unidos, Indonésia, Paquistão e Alemanha combinados.

As disparidades no acesso à eletricidade dentro dos países também são gritantes. Centros de saúde primários e unidades de saúde rural são significativamente menos propensos a ter acesso à eletricidade do que hospitais e unidades nas áreas urbanas. Entender essas disparidades é fundamental para identificar onde as ações são mais urgentes e priorizar a alocação de recursos onde eles salvarão vidas. A saúde é um direito humano e um bem público.

O acesso à eletricidade é um importante facilitador da Cobertura Universal de Saúde, afirma o relatório.  Portanto, a eletrificação de unidades de saúde deve ser considerada uma prioridade de desenvolvimento de maior apoio e investimentos dos governos, parceiros de desenvolvimento e organizações de financiamento e desenvolvimento.

De acordo com uma análise de necessidades do Banco Mundial incluída no relatório, quase dois terços (64%) das unidades de saúde em países de renda baixa e média precisam de algum tipo de intervenção urgente, como uma nova conexão de eletricidade ou um sistema de energia de backup. São necessários cerca de US$ 4,9 bilhões para levá-las a um padrão mínimo de eletrificação.

As soluções de energia sustentáveis descentralizadas, como os sistemas de painéis solares, são não apenas eficazes e limpas, mas também rapidamente implantáveis nos locais, sem necessidade de esperar pela chegada da rede.

Portanto, é importante continuar investindo em soluções de energia limpa e sustentáveis para garantir acesso confiável à eletricidade para unidades de saúde e alcançar a cobertura universal de saúde.

Frente a tantos problemas, é incrível pensar que a falta de acesso à energia elétrica ainda é uma realidade em diversos cantos do mundo. Cabe aqui um olhar mais inclusivo e que nos amplia os horizontes frente a dimensão dos problemas que a humanidade ainda enfrenta

Baixe o report na íntegra, clicando AQUI


Fernando Carbonieri

Médico, Diretor Executivo da Academia Médica, Grupo Academia Médica

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