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Estresse e Mindfulness na doença de Parkinson quais os efeitos clínicos?

Estresse e Mindfulness na doença de Parkinson quais os efeitos clínicos?

Os pacientes com a doença de Parkinson (DP) são muito vulneráveis aos efeitos negativos do sofrimento psicológico: os sintomas neuropsiquiátricos, como ansiedade e depressão, são altamente prevalentes na DP; sintomas motores (como tremor) geralmente pioram em situações estressantes; e a medicação dopaminérgica é menos eficaz. Além disso, estudos da DP em animais sugerem que o estresse crônico pode acelerar a progressão da doença. Estratégias de autogestão adequadas são, portanto, essenciais para reduzir os efeitos prejudiciais do estresse crônico na DP. Intervenções baseadas na atenção plena (ou Mindfulness) incentivam os indivíduos a se autogerirem de forma independente e a se adaptarem aos desafios criados por sua condição. Na DP, a evidência clínica emergente sugere que as intervenções baseadas na atenção plena podem reduzir o sofrimento psicológico e melhorar os sintomas clínicos, mas faltam informações sobre os mecanismos subjacentes.

Efeito clínico das intervenções baseadas na atenção plena

Após a realização de uma revisão sistemática por Van der Heide e colaboradores, foi evidenciado que a grande maioria dos estudos (no total de 8) relatou um escore de depressão reduzido após intervenções baseadas na atenção plena, e alguns desses estudos relataram escores de ansiedade reduzidos. Os sintomas motores foram avaliados em apenas três estudos, dos quais dois relataram melhora significativa após uma intervenção baseada na atenção plena. Dois dos oito estudos encontraram melhora significativa na qualidade de vida.

O maior ensaio clínico randomizado já realizado na DP foi realizado em Hong Kong e comparou 71 pacientes que receberam treinamento de mindfulness yoga com 67 pacientes que receberam alongamento e exercícios de resistência. Este estudo relatou que a intervenção de mindfulness yoga melhorou significativamente a depressão, ansiedade, pontuações motoras e Escores de qualidade de vida (QV), em comparação com o controle ativo. Os dados também mostram uma melhora notável no MDS-UPDRS III. As pontuações médias foram reduzidas de 34,9 (SD 14,9) no início do estudo para 21,1 após a intervenção com yoga e mindfulness. É digno de nota que essas grandes melhorias motoras não foram acompanhadas por melhorias clinicamente relevantes na QV.

Essa melhoria do MDS-UPDRS é muito grande, mesmo quando comparada com outras intervenções eficazes. Por exemplo, em pacientes com DP começando com 100/25 mg de levodopa / carbidopa 3x ao dia, o MDS-UPDRS total melhorou de 28,0 (SD 11,2) para 23,5 pontos. Portanto, embora os dados sejam encorajadores, esses achados devem ser replicados em estudos futuros, que também devem deixar claro se os resultados de uma população asiática podem ser extrapolados para outras populações. Em conjunto, os estudos sugerem que as intervenções baseadas na atenção plena podem melhorar a depressão e a ansiedade na DP, ao passo que as evidências de melhora dos sintomas motores e da QV são menos fortes.

 


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Diego Arthur Castro Cabral
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Acadêmico de Medicina da Universidade Federal do Pará. Jovem pesquisador em neurociências com projetos de iniciação científica. Coordenador discente de projetos de Extensão. Insta: @arthurcastropro

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