A hipertensão arterial é um dos mais importantes fatores de risco modificáveis para doenças cardiovasculares (DCV). Embora o impacto da pressão arterial elevada em adultos seja amplamente documentado, novas evidências mostram que mesmo níveis alterados de pressão em crianças podem estar associados a um maior risco de mortalidade cardiovascular na vida adulta.
Um estudo publicado na JAMA acompanhou uma coorte de crianças norte-americanas desde os 7 anos até a meia-idade, revelando dados inéditos sobre a relação entre pressão arterial infantil e mortalidade precoce por doenças cardiovasculares.
O estudo
Os pesquisadores analisaram dados do US Collaborative Perinatal Project (CPP), que acompanhou crianças nascidas entre 1959 e 1965 em 12 centros nos Estados Unidos.
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Amostra: 37.081 crianças (idade média de 7,1 anos).
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Medida: Pressão arterial aferida uma única vez por pediatras ou enfermeiros com esfigmomanômetro manual.
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Classificação: Seguindo critérios da Academia Americana de Pediatria:
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Normal (<90º percentil)
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Elevada (90º–94º percentil)
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Hipertensão (≥95º percentil)
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Seguimento: até 2016, com idade média de 54 anos.
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Desfechos: Mortalidade cardiovascular e não cardiovascular.
Principais resultados
Durante o período de seguimento (mediana de 54 anos), ocorreram:
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487 mortes cardiovasculares
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2.242 mortes não cardiovasculares
Entre os achados mais relevantes:
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A cada aumento de 1 desvio padrão na pressão arterial sistólica (PAS) ou diastólica (PAD) aos 7 anos, houve maior risco de mortalidade cardiovascular:
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PAS: HR ajustado = 1,14 (IC 95%: 1,03–1,26)
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PAD: HR ajustado = 1,18 (IC 95%: 1,07–1,29)
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Diferença por sexo:
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Homens: associação mais forte da PAS com mortalidade (HR = 1,31).
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Mulheres: associação não significativa (HR = 0,97).
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Categorias de risco:
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Crianças com pressão elevada apresentaram risco 48% maior de mortalidade cardiovascular.
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Crianças com hipertensão tiveram risco 40% maior de mortalidade cardiovascular.
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Consistência entre irmãos: Em análise de efeitos fixos entre irmãos, os resultados se mantiveram na mesma direção, reforçando a robustez das associações e diminuindo o impacto de fatores familiares ou ambientais.
🟦 A figura a seguir apresenta a incidência cumulativa de mortalidade cardiovascular e não cardiovascular ao longo do acompanhamento, estratificada pelas categorias de pressão arterial aos 7 anos de idade:
Fonte: Freedman AA, Perak AM, Ernst LM, et al.; 2025
Relevância clínica e de saúde pública
Este estudo é um dos maiores e mais longos a acompanhar crianças desde a infância até a meia-idade, confirmando que a pressão arterial elevada aos 7 anos já se traduz em risco aumentado de morte cardiovascular décadas depois.
Algumas implicações:
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Atenção precoce: O monitoramento da pressão arterial deve ser parte da rotina pediátrica, especialmente em populações de risco.
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Prevenção primária: Estratégias de estilo de vida saudável, alimentação equilibrada e promoção de atividade física devem começar na infância.
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Sexo masculino como grupo de maior risco: Os achados sugerem necessidade de intervenções ainda mais direcionadas para meninos com pressão elevada.
Os resultados mostram que a saúde cardiovascular começa a ser moldada muito cedo. Detectar e intervir em alterações de pressão arterial na infância pode ser uma das chaves para reduzir a mortalidade cardiovascular na idade adulta.
Para médicos, pais e gestores de saúde, a mensagem é não negligenciar a pressão arterial das crianças é investir na saúde cardiovascular das próximas gerações.
Referência:
Freedman AA, Perak AM, Ernst LM, et al. High Blood Pressure in Childhood and Premature Cardiovascular Disease Mortality. JAMA. Published online September 07, 2025. doi:10.1001/jama.2025.14405






