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Estudo Com 37 mil Crianças Mostra Impacto da Pressão Arterial Infantil na Longevidade

Estudo Com 37 mil Crianças Mostra Impacto da Pressão Arterial Infantil na Longevidade
Comunidade Academia Médica
set. 9 - 4 min de leitura
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A hipertensão arterial é um dos mais importantes fatores de risco modificáveis para doenças cardiovasculares (DCV). Embora o impacto da pressão arterial elevada em adultos seja amplamente documentado, novas evidências mostram que mesmo níveis alterados de pressão em crianças podem estar associados a um maior risco de mortalidade cardiovascular na vida adulta.

Um estudo publicado na JAMA  acompanhou uma coorte de crianças norte-americanas desde os 7 anos até a meia-idade, revelando dados inéditos sobre a relação entre pressão arterial infantil e mortalidade precoce por doenças cardiovasculares.

O estudo

Os pesquisadores analisaram dados do US Collaborative Perinatal Project (CPP), que acompanhou crianças nascidas entre 1959 e 1965 em 12 centros nos Estados Unidos.

  • Amostra: 37.081 crianças (idade média de 7,1 anos).

  • Medida: Pressão arterial aferida uma única vez por pediatras ou enfermeiros com esfigmomanômetro manual.

  • Classificação: Seguindo critérios da Academia Americana de Pediatria:

    • Normal (<90º percentil)

    • Elevada (90º–94º percentil)

    • Hipertensão (≥95º percentil)

  • Seguimento: até 2016, com idade média de 54 anos.

  • Desfechos: Mortalidade cardiovascular e não cardiovascular.

Principais resultados

Durante o período de seguimento (mediana de 54 anos), ocorreram:

  • 487 mortes cardiovasculares

  • 2.242 mortes não cardiovasculares

Entre os achados mais relevantes:

  • A cada aumento de 1 desvio padrão na pressão arterial sistólica (PAS) ou diastólica (PAD) aos 7 anos, houve maior risco de mortalidade cardiovascular:

    • PAS: HR ajustado = 1,14 (IC 95%: 1,03–1,26)

    • PAD: HR ajustado = 1,18 (IC 95%: 1,07–1,29)

  • Diferença por sexo:

    • Homens: associação mais forte da PAS com mortalidade (HR = 1,31).

    • Mulheres: associação não significativa (HR = 0,97).

  • Categorias de risco:

    • Crianças com pressão elevada apresentaram risco 48% maior de mortalidade cardiovascular.

    • Crianças com hipertensão tiveram risco 40% maior de mortalidade cardiovascular.

  • Consistência entre irmãos: Em análise de efeitos fixos entre irmãos, os resultados se mantiveram na mesma direção, reforçando a robustez das associações e diminuindo o impacto de fatores familiares ou ambientais.

🟦 A figura a seguir apresenta a incidência cumulativa de mortalidade cardiovascular e não cardiovascular ao longo do acompanhamento, estratificada pelas categorias de pressão arterial aos 7 anos de idade:

Fonte: Freedman AA, Perak AM, Ernst LM, et al.; 2025

Relevância clínica e de saúde pública

Este estudo é um dos maiores e mais longos a acompanhar crianças desde a infância até a meia-idade, confirmando que a pressão arterial elevada aos 7 anos já se traduz em risco aumentado de morte cardiovascular décadas depois.

Algumas implicações:

  • Atenção precoce: O monitoramento da pressão arterial deve ser parte da rotina pediátrica, especialmente em populações de risco.

  • Prevenção primária: Estratégias de estilo de vida saudável, alimentação equilibrada e promoção de atividade física devem começar na infância.

  • Sexo masculino como grupo de maior risco: Os achados sugerem necessidade de intervenções ainda mais direcionadas para meninos com pressão elevada.

Os resultados mostram que a saúde cardiovascular começa a ser moldada muito cedo. Detectar e intervir em alterações de pressão arterial na infância pode ser uma das chaves para reduzir a mortalidade cardiovascular na idade adulta.

Para médicos, pais e gestores de saúde, a mensagem é não negligenciar a pressão arterial das crianças é investir na saúde cardiovascular das próximas gerações.


Referência: 

Freedman AA, Perak AM, Ernst LM, et al. High Blood Pressure in Childhood and Premature Cardiovascular Disease Mortality. JAMA. Published online September 07, 2025. doi:10.1001/jama.2025.14405


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