Eu vou tomar o quê, doutor?
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Eu vou tomar o quê, doutor?

    Eu adoro trocadilhos. São inteligentes, divertidos e, quando bem colocados, podem transformar uma conversa difícil em algo leve e, sem dúvida, provocam risos (claro, se tiverem graça). Mas algumas coisas não combinam tão bem: trocadilhos e receita médica.

    Imagine a seguinte situação: você está em uma consulta e de repente seu médico diz - "Tem alguma coisa em você que nasceu em julho". E assim você pergunta estranhando - "O que?". Ele responde - "Câncer...". Tenho certeza que ninguém acharia graça nisso.

    Humor e saúde combinam em vários momentos, como mostram o belo trabalho de Patch Adams e os Doutores da alegria, mas não quando estamos a dar um diagnóstico, a prescrever um medicamento, a solicitar uma prótese. Mas, infelizmente, algumas experiências de branding acabaram tropeçando nisso. Vamos dar alguns exemplos:

    JANUMET ®: Imagine você prescrever essa medicação para um paciente com diabetes e que, potencialmente, tenha problemas de ereção ou de libido. Se coloque no lugar dele... não será fácil. Imagine ele falando para outras pessoas que toma JANUMET ®.

    TUNTÁ®: Eu até entendo que a intenção foi remeter a um ritmo cardíaco normal, como nós mesmos entre médicos dizemos, mas para o paciente parece que estamos infantilizando-o de alguma forma. Meus colegas relatam caras de estranheza quando dizem o nome do remédio, apelando para o nome da substância (o que dificulta ainda mais o entendimento do paciente).

    ANACONDA®: Por mais que desejásemos ser diferentes, a sociedade brasileira é muito preconceituosa, e dizer que vai colocar uma ANACONDA® dentro de alguém não é nada agradável.

    Bom, existem inúmeros exemplos, não só na saúde, mas em business em geral, de casos que esqueceram, ao dar um nome aos seus produtos, que eles podem referenciar coisas desagradáveis. Na saúde, além de causar constrangimento, tiram a autoridade de quem prescreve aquele produto.

    Se eu pudesse dar um conselho a todas as equipes de marketing desse setor, eu sugiro consultar um humorista, ou até mesmo pensar em grupo se o nome escolhido remete a alguma coisa ou situação constrangedora.

Carlos Eduardo Bernini Kapins
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Médico, Service Designer, Curioso

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