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Mortes por fentanil e estimulantes entre idosos nos EUA disparam

Mortes por fentanil e estimulantes entre idosos nos EUA disparam
Comunidade Academia Médica
out. 14 - 4 min de leitura
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Um novo recorte da crise de opioides nos Estados Unidos mostra que idosos (≥65 anos) também estão na linha de frente da mortalidade por fentanil associado a estimulantes (como cocaína e metanfetaminas). Em apenas oito anos, as mortes nesse grupo aumentaram 9.000%, espelhando o padrão observado entre adultos. A análise, apresentada no ANESTHESIOLOGY® 2025, é uma das primeiras a usar dados nacionais do CDC/WONDER para evidenciar a dimensão do problema em faixas etárias tradicionalmente subanalisadas.

Como foi feito o estudo

  • Fonte de dados: 404.964 atestados de óbito com fentanil como causa (1999–2023), extraídos do sistema CDC Wide-ranging Online Data for Epidemiologic Research (WONDER). Desses, 17.040 eram de pessoas com 65 anos ou mais, e 387.924 de 25–64 anos.

  • Recortes principais (2015 vs. 2023): 2015 marca o início da “quarta onda” (fentanil + estimulantes); 2023 é o último ano completo disponível.

Principais achados

  • Explosão entre idosos: as mortes relacionadas a fentanil passaram de 264 (2015) para 4.144 (2023) entre ≥65 anos (+1.470%). No mesmo período, entre 25–64 anos, subiram de 8.513 para 64.694 (+660%).

  • Polissubstâncias em foco: entre idosos, os óbitos com fentanil + estimulantes saltaram de 8,7% (23/264) para 49,9% (2.070/4.144)+9.000%. Entre 25–64 anos, o indicador foi de 21,3% para 59,3% (+2.115%).

  • Qual estimulante? Cocaína e metanfetaminas foram as combinações mais comuns com fentanil, superando álcool, heroína e benzodiazepínicos (p.ex., alprazolam, diazepam).

  • Ponto de inflexão em 2020: a participação de estimulantes nas mortes por fentanil em idosos dispara a partir de 2020, enquanto outras substâncias permanecem estáveis ou caem.

  • Contexto da “quarta onda”: especialistas descrevem quatro fases da epidemia de opioides: 1) analgésicos prescritos (anos 1990); 2) heroína (~2010); 3) fentanil (~2013); 4) fentanil + estimulantes (~2015). Revisões independentes já vinham descrevendo esse padrão de “co-ingestão” e maior letalidade.

  • Tendência etária recente: relatórios nacionais mostram que, de 2022 para 2023, as taxas de mortalidade por overdose subiram entre adultos ≥55 anos, reforçando a vulnerabilidade entre idosos.

Por que os idosos são mais vulneráveis?

Os autores destacam fatores ligados ao envelhecimento: multimorbidade, polifarmácia e metabolismo mais lento, o que aumenta o risco de interações e de depressão respiratória fatal quando há polissubstâncias (fentanil + estimulante + álcool/BDZs, por exemplo).

Implicações clínicas

Os pesquisadores pedem que anestesiologistas, especialistas em dor e equipes cirúrgicas ampliem o foco de prevenção para incluir idosos, com medidas como:

  1. Reconhecer polissubstância em todas as idades – não é um fenômeno exclusivo de jovens.

  2. Cautela na prescrição de opioides em ≥65 anos – revisar histórico medicamentoso, monitorar quem tem uso/antecedente de estimulantes e considerar opções não-opioides quando possível (em linha com diretrizes clínicas).

  3. Redução de danos adaptada ao idoso – envolver cuidadores na educação sobre naloxona, simplificar rotinas, rótulos claros, armazenamento seguro, instruções acessíveis a quem tem déficits de memória/visão.

  4. Rastrear exposições amplas (para além dos opioides prescritos) no pré-operatório e no seguimento ambulatorial, antecipando complicações e ajustando o plano anestésico/analgésico.

O estudo recomenda orientar pacientes e familiares/cuidadores a reconhecer sinais de overdose e ter naloxona disponível; além de revisar periodicamente a lista de medicamentos para reduzir riscos.

Por ser um estudo nacional transversal, os autores descrevem padrões ao longo do tempo, mas não explicam as causas subjacentes do aumento do co-uso fentanil-estimulante entre idosos. Mesmo assim, os achados reforçam a necessidade de vigilância, educação e estratégias de redução de danos direcionadas a essa faixa etária.


Referência: 

American Society of Anesthesiologists. "Fentanyl overdoses among seniors surge 9,000% — A hidden crisis few saw coming." ScienceDaily. ScienceDaily, 13 October 2025. <www.sciencedaily.com/releases/2025/10/251012054606.htm>.


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