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FERIDAS CRÔNICAS: Menos Intervenção, Mais Biologia

FERIDAS CRÔNICAS: Menos Intervenção, Mais Biologia
Comunidade Academia Médica
mai. 25 - 2 min de leitura
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"Metade do que ensinamos aos estudantes de medicina está errado; infelizmente, não sabemos qual metade." — C. Sydney Burwell (1893–1967)

Na prática dermatológica e cirúrgica, o ritual do curativo é sagrado: limpar, desbridar, esterilizar. Mas e se esse zelo higienista estiver, na verdade, sabotando a cicatrização? A medicina baseada em evidências frequentemente colide com a "medicina baseada em tradição", e o tratamento de feridas é um campo minado por dogmas antigos.

O Ritual do Desbridamento

Historicamente, acredita-se que remover qualquer tecido não viável e manter a ferida estéril acelera a cura. Contudo, evidências recentes indicam que o tecido fibrinoso (slough) pode conter colágeno e queratinas que auxiliam o reparo.

Análise Crítica (2025)

Os autores argumentam que a manipulação agressiva do leito da ferida em evolução favorável gera inflamação desnecessária e dor.

  • Contra a Cultura: A maioria das feridas crônicas é colonizada; essa microbiota pode modular a inflamação positivamente. Tratar colonização (não infecção) é erro médico.

  • Contra a Umidade Excessiva: Em úlceras de membros inferiores, o ambiente úmido pode macerar a pele perilesional. Estratégias como o uso de óxido de zinco ou alginatos para formar crostas fisiológicas podem ser superiores.

    O Resgate da Compressão

    O artigo destaca uma lacuna na dermatologia cirúrgica: o subuso da terapia compressiva. Em feridas de perna, a gravidade perpetua o edema e a inflamação. A compressão não serve apenas para úlceras venosas, mas é vital para prevenir deiscências e necrose em enxertos e retalhos, superando a obsessão pela "esterilidade" tópica.


    Texto escrito pela acadêmica Carolina C. Reis


    Referências

    1. García-Mares A, Conde Montero E. Traditional Practices in Dermatology and Wound Care: Are They Evidence-Based? Actas Dermosifiliogr. 2025;104573.


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