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HACKMED Conference & Health Hackathon

HACKMED Conference & Health Hackathon

Os últimos dias foram intensos e marcantes! Estive com mais de 500 pessoas no Hospital das Clínicas de São Paulo em imersão no Hackmed e neste post vou contar um pouco sobre esse mega evento de 3 dias.

A conferência.

No primeiro dia, 31/01, tivemos a conferência com grandes nomes da saúde e do empresariado brasileiro, dos quais destaco: Jorge Paulo Lemann, Fundador 3G Capital e AB Inbev; Paulo Chapchap, Diretor Geral Hospital Sírio-Libanês; Paulo Hoff, Diretor Geral do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo e Chefe da Oncologia Rede D’Or; Fábio Jatene, Professor Titular da Disciplina de Cirurgia Cardiovascular da FMUSP e Coordenador do InovaInCor; Linamara Rizzo Battistella, Diretora do Centro Colaborador da Organização Mundial da Saúde (OMS/WHO) para Reabilitação; Chao Wen, Chefe do Departamento de Telemedicina da FMUSP; e Sidney Klajner, Presidente do Hospital Albert Einstein.

Os fóruns de discussão versavam sobre o uso da Inteligência Artificial no futuro da medicina, a conexão academia-indústria e o desenvolvimento de inovação em saúde e telemedicina na saúde 5.0.

Entre os pesquisadores, destaco o Gil Giardelli, Roboticista e Professor Global de MBA, excelente palestrante, deixou a plateia sem piscar por 30 minutos, mostrando um mundo de robôs e o futuro da medicina.

Impossível não comentar a fala do Robson Capasso, Professor Stanford School of Medicine e Global Advisor no Stanford Byers Center for Biodesign, que trouxe de forma bastante prática a sua experiência de aplicar o biodesign em projetos inovadores para a área da saúde. Deu orgulho de ver um médico brasileiro falando de design em projetos americanos bem sucedidos!

A conferência foi muito bem conduzida tanto pelos moderadores dos fóruns, quanto pela mestre de cerimônias, que mantiveram um bom ritmo de discussões.

Presenciar o evento já valeu muito a pena pelo nível dos debates e palestras, além do networking durante os coffees.

Foi o primeiro evento de saúde que eu fui no ano, então foi um dia para rever parceiros, velhos conhecidos e também para conhecer pessoas novas.

O Hackathon

Após um dia intenso repleto de conteúdo, a sexta-feira não acabou por aqui! Saí do Centro de Convenções Rebouças, onde foi a Conferência, perto das 18h, e fui para o Inrad para me juntar ao time de 150 mentores! Isso mesmo, 150!

Identificados com a camiseta azul, fomos divididos em time de generalistas, que “adotavam” até 3 grupos por sala, e mentores especialistas, divididos entre negócio e design, saúde, e engenharia e computação, que circulavam em todas as salas e ficavam disponíveis para demandas específicas dos grupos. Eu fiquei no time de especialistas de negócios e design.

Parte do time de mentores do Hackmed.

 

A abertura do Hackmed aconteceu às 19h num grande salão que reuniu todos os participantes e mentores. Os participantes, que vieram de 24 dos 27 estados brasileiros, foram divididos em 3 temáticas: Atenção primária e telemedicina, Terceira idade e reabilitação, e Saúde mental e cuidados cirúrgicos.

Por ter trabalhado com saúde mental por mais de 3 anos, optei por acompanhar esta sala em especial.

Participantes de 24 dos 27 estados brasileiros.

 

Terminamos a sexta-feira após os pitchs de problemas, foram 41 na sala que eu estava. Os grupos, com 3 a 7 pessoas, foram formados por afinidade temática, sendo incentivados a montar times diversos, envolvendo saúde, tecnologia, engenharia, gestão e design.

 

O sábado, 01/fev

Chegou fevereiro e chegou o dia de aprender mais sobre design thinking, sobre explorar o problema, sobre idear e prototipar soluções, sobre fazer o pitch da solução. Em paralelo ao desenvolvimento dos times, tivemos trilhas de conhecimento sobre o pensamento do design, personas, prototipagem, modelo de negócios e pitch.

O bacana desse tipo de evento é ver a disseminação do pensamento do design para originar negócios inovadores, pensados a partir de um problema, de uma necessidade, de uma dor.

Quando eu estudei administração, pensávamos em criar um negócio a partir da vontade de vender algum produto ou de prestar algum serviço. Fazíamos uma pesquisa de mercado para verificar se alguém queria comprar nosso produto ou serviço e, caso positivo, projetávamos a equipe operacional ideal, como venderíamos e nos tornaríamos conhecidos, quais seriam nossas receitas e despesas ao longo dos anos.

Hoje fazemos negócio de outra maneira. Partimos da necessidade de alguém. Usamos o design para pensar e projetar um novo negócio desde o início, e isso é ensinado e vivenciado em um evento como o Hackmed. Confesso que ver isso acontecendo na saúde, área que mais trabalhamos na DparaE, dá uma alegria especial!

 

O domingo, 02/fev

O dia de Iemanjá começou com foco total no pitch. Muitos viraram a noite, alguns dormiram por lá, mas mesmo os que voltaram para casa, ainda assim dormiram pouco e mantiveram o ritmo de maratona.

Os momentos finais antes de submeter o pitch sempre são tensos. É hora de colocar tudo na apresentação, combinar a narrativa, verificar se calcularam certo o tamanho do mercado total, do mercado potencial e do mercado endereçável, e se o modelo de negócios fica de pé.

A maioria usou storytelling para causar maior empatia no público, que facilmente consegue entender de quem é o problema e como ele é sentido.

Pronto! Submetido o pitch, todos almoçamos e nos preparamos para o grande momento de apresentações. A ordem das apresentações foi conhecida na hora.

Acompanhei, claro, os pitchs de saúde mental e cuidados cirúrgicos, que foram os times que eu mentorei. Estávamos com um corpo de jurados muito respeitável, com gestores e profissionais de saúde de muito destaque no ecossistema.

Ver os pupilos apresentando é um misto de apreensão e orgulho, especialmente nos grupos que intervi mais! Vimos 12 pitchs na sala de saúde mental e cuidados cirúrgicos.

 

Premiação dos melhores projetos

A organização fechou o evento com chave de ouro! Super animados, levaram a energia de todo mundo lá para cima e todos esquecemos da maratona que estávamos!

Voltamos ao salão aberto com as três temáticas reunidas para conheceremos os primeiros e segundos lugares de cada tema, além das menções honrosas (um reconhecimento para quem quase chegou lá!) e o reconhecimento da AstraZeneca, um dos patrocinadores. O resultado final foi:

Atenção primária e telemedicina

  1. lugar: Aira
  2. lugar: Nery

Menção honrosa: Meal advisor

Terceira idade e reabilitação

  1. lugar: Health ++
  2. lugar: DJ Wind

Menção honrosa: Velha Guarda

Saúde mental e cuidados cirúrgicos

  1. lugar: Drain check
  2. lugar: Lobão

Menção honrosa: Gancho zero

Reconhecimento AstraZeneca: Gancho zero

Foi um momento cheio de emoção! O choro do Kaio Bin, da Aira, um chinês que eu conheci na Conferência, que é médico e trabalha com inovação e tecnologia no ICESP (Instituto do Câncer do Estado de São Paulo) e que deixou esposa e filhos de 4 anos e 5 meses para participar do Hackmed, encheu o coração de todos!

Quando o conheci na sexta ele disse que tinha prometido para a esposa que ganharia a competição, para fazer valer a sua ausência de casa! Mas o mais lindo, foi vê-lo apresentar o pitch emocionado e feliz com a solução que estavam propondo para mudar a vida dos médicos, que poderiam usar melhor seu tempo com pacientes ao invés de preencher burocracias!

Os participantes estavam identificados por cores! Os de camiseta roxa tinham foco em saúde mental e cuidados cirúrgicos. De verde, os de terceira idade e reabilitação, e de alaranjado os participantes de APS e telemedicina. Já a organização estava identificada pelo preto.

 

Ah, como a saúde ganha com um evento desses! Tanto potencial, tanta mudança de maneira de pensar, tanta transformação! Eu, que vivo o pensamento do design e os problemas da saúde no dia a dia, não percebo mais na pele o quão impactante um evento desses é, confesso.

Mas ao conversar com alguns participantes no final e ouvir seus relatos do quanto estavam saindo modificados, com uma visão mais expandida da saúde, com novos conhecimentos, com uma rede de relacionamentos imensa, tudo adquirido em 3 dias, faz a gente sentir que valeu a pena!

Obrigada, organização, colegas mentores, participantes, patrocinadores e todos que acreditaram e se doaram para estes dias acontecerem! Tenho certeza que todos evoluímos e colocamos as pessoas no centro da estratégia dos negócios da saúde!

 

#designparaestratégia #designparasaúde #designparainovar #hackmedbr #somostodospacientes

 

Academia Médica
Claudia Grandi
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Experiente gestora de equipes criativas e de líderes, sou Administradora e Mestre em Administração pela ESAG/UDESC. Sou fundadora da DparaE - Design para Estratégia, onde atuo como Business e Service Designer.

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