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Hiperfoco no autismo: Potenciais e Desafios

Na imagem, vemos um menino vestindo uma camiseta branca. Ele está segurando uma lupa com uma das mãos, posicionando-a diante do rosto. O menino parece estar examinando algo com atenção através da lupa, sugerindo curiosidade e interesse em descobrir detalhes minuciosos.
Maria de Lourdes  de Moraes Pezzuol
mai. 8 - 5 min de leitura
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Destaca-se a importância de conhecer e compreender as necessidades e habilidades individuais de pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA), integrando seus hiperfocos no desenvolvimento de estratégias metodológicas que melhorem seu desempenho funcional, comportamental e de aprendizagem.

O hiperfoco é uma característica distintiva do TEA. Trata-se de uma forma de hiperatividade manifestada na atividade mental em vez da psicomotora, embora ambas possam ocorrer simultaneamente. Por isso, muitas pessoas no espectro conseguem dominar profundamente um assunto específico, pois a predisposição para o aprendizado se combina com o interesse exclusivo em um único tema (Varella.2022). 

Ainda de acordo com (Varella e Orti, 2022):

Se o hiperfoco em si é muito mais um estado mental do que uma condição e surge a partir de interesses da pessoa do espectro autista, conforme ela se coloca ou é colocada em contato com o objeto de interesse, mais vezes o estado de hiperfoco pode ser ativado. É neste estado que o autista ‘dá o seu melhor’ em desempenho, motivo pelo qual esses interesses costumam ser bem vistos e bem trabalhados pelas famílias e profissionais de saúde, pois podem favorecer o desenvolvimento de habilidades úteis para a vida diária. 

Gostaria de destacar uma autora que também aborda o conceito de hiperfoco em pessoas com autismo: Temple Grandin. Ela é uma professora e escritora norte-americana, conhecida tanto por suas contribuições no campo do autismo quanto por seu trabalho em ciência animal. Em seus livros e palestras, Grandin compartilha amplamente suas experiências pessoais com autismo, incluindo o hiperfoco, e discute como essa característica pode ser utilizada como uma ferramenta para o desenvolvimento de habilidades e talentos específicos. Seu livro "The Autistic Brain: Thinking Across the Spectrum" ("O Cérebro Autista") explora essas questões em profundidade, oferecendo insights valiosos sobre como o hiperfoco pode ser direcionado de maneira positiva.

APLICANDO O HIPERFOCO NA PRÁTICA 

Nos últimos anos, atuando como professora especialista em autismo, precisei ampliar meus conhecimentos sobre diversos assuntos. Um exemplo marcante foi quando, junto a um aluno, mergulhei no universo dos dinossauros. Juntos, construímos uma história de vida em vídeo, na qual ele se transformava no personagem "Pequeno Dinossauro Azul". Este projeto foi inscrito em um festival de cinema promovido pela Diretoria de Ensino e recebeu muitos destaques, incluindo uma menção honrosa da prefeitura da nossa cidade.

Atualmente, continuo trabalhando com alunos que têm hiperfoco em dinossauros, assim como outros que possuem grandes dificuldades para ler e escrever, mas são experts em aplicativos e jogos digitais. Também há alunos com talento para criar e contar histórias, incluindo temas como pipas, desenhar capas de livros, interesse por focas, a personagem Lady Bug e a história do Miraculous. Além disso, tenho um aluno com grande interesse na história econômica e social dos países, que adora desenhar memes em formato de bolas Polandball, mais conhecidas como Countryballs, uma representação humorística dos países do mundo.

Essas habilidades podem ser desenvolvidas de forma individual, compartilhada, oral, lúdica, exploratória, interpretativa, crítica, criativa e interativa, ajustadas às necessidades individuais de comportamento e de aprendizagem de cada aluna e aluno. Essa abordagem pode ser aplicada a todos os alunos, sem exceção. “O trabalho de escolarização das crianças com autismo exigirá dos professores uma reflexão sobre os processos usuais de ensino e aprendizagem, bem como um olhar diferente. Um olhar que leve em conta um estudante que não está em posição de curiosidade, mas que aprende de maneira específica e pouco convencional” (DIVERSA, 2018).

Pessoas que, ao serem estimuladas e desafiadas em situações que valorizam seus potenciais e reconhecem seus gostos, interesses (hiperfocos), afinidades e curiosidades, demonstram uma singularidade em sua forma de ser e viver. Pesquisas confirmam que não há cura para o autismo, mas intervenções precoces e apropriadas podem melhorar significativamente a qualidade de vida das pessoas com TEA.

O hiperfoco em pessoas com autismo é um fenômeno complexo, que pode trazer tanto benefícios quanto desafios. Com o apoio adequado e estratégias de manejo eficazes, é possível maximizar os aspectos positivos do hiperfoco, contribuindo para uma vida equilibrada e produtiva.


Referências:

PORTAL DRAUZIO VARELLA. Concentração intensa: conheça o hiperfoco e como ele pode ser regulado. Disponível:https://drauziovarella.uol.com.br  Acesso: 02 de jun.2024.

DIVERSA. Escrita e alfabetização de crianças com transtorno do espectro autista (TEA). Disponível em: https://diversa.org.br/artigos/escrita-alfabetizacao-criancas-com-autismo/   Acesso: 14 de maio 2024.

 

 

 

 




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