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Medicina do Estilo de Vida e a Saúde Corporativa

Medicina do Estilo de Vida e a Saúde Corporativa

Todos os anos milhares de pessoas são afastadas do trabalho no Brasil por diferentes tipos de doenças. Entre as mais comuns estão as doenças osteomusculares, os transtornos mentais e comportamentais, aquelas relacionadas ao aparelho digestivo e ao aparelho cardiovascular.

No nosso campo de atuação acreditamos que, ao participar do desafio de desenhar um novo futuro para a saúde, tão vital para o desenvolvimento humano e social de uma nação, é preciso termos uma visão sistêmica em todos os níveis e áreas da sociedade, inclusive nas organizações, intensificando o diálogo, a comunicação e o engajamento das partes interessadas. Uma empresa não deveria ser apenas um local de trabalho, mas sim fonte de informação, de disseminação de valores, de promoção, preservação da saúde e prevenção de doenças.

É preciso, cada vez mais, buscar a saúde integral e contínua das pessoas, entendendo a sua relação intrínseca com a sustentabilidade das organizações onde elas trabalham e, em última instância, do próprio sistema de saúde. E aqui a Medicina do Estilo de Vida pode colaborar, e muito, com esse ecossistema.

Ela é uma área da medicina vista como algo novo – e de fato é, se pensarmos na forma como ela é conceitualmente colocada. Entretanto, as evidências científicas que fundamentam sua aplicação, são conhecidas há décadas. 

Empresas e autocuidado

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), cerca de 60% dos agravos à saúde que ocorrem com a população, devem-se à adoção de comportamentos não saudáveis, como a falta de atividade física, tabagismo e alimentação abundante em produtos industrializados. Isso reforça a ideia de que nossa saúde depende de escolhas essenciais que fazemos no nosso dia-a-dia, como não fumar, ter uma dieta baseada em vegetais, dormir bem, praticar pelo menos 150 minutos por semana de atividade física moderada... A receita parece simples, mas por que não a seguimos? 

Preservar e promover a saúde é responsabilidade de cada um de nós, devendo ser praticada por todos através de um comportamento saudável, com hábitos que não tragam prejuízos ao funcionamento de nosso organismo e atitudes que possibilitem melhorar nossa qualidade de vida. O autocuidado, ou o cuidar de si próprio, é uma destas atitudes que devem ser valorizadas e estimuladas, inclusive dentro das organizações. Para isso, entretanto, o ambiente de trabalho deve ser cuidadosamente construído para que seja um agente facilitador na busca de um estilo de vida saudável por parte das pessoas.

Estimular esta prática em nossa cultura corporativa costuma ser algo episódico, campanha disso, campanha daquilo. Mas, as organizações podem realizar isso de forma sustentável, envolvendo os líderes, disponibilizando infraestrutura, assim como políticas, planos e programas com orçamentos adequados e que forneçam recursos necessários para que as pessoas possam, de fato, ser mais saudáveis. É uma parceria que vai além apenas do benefício econômico. Trata-se de colaborar de forma efetiva na construção de uma empresa saudável em todos os aspectos: financeiro, humano e social.

Nessa linha, de 9 a 11 de novembro de 2018 ocorre o I Congresso Brasileiro de Medicina do Estilo de Vida, organizado pelo Colégio Brasileiro de Medicina do Estilo de Vida, onde estes e outros temas serão abordados.

É uma excelente oportunidade para discutirmos mais sobre o importante papel das organizações na construção de um sistema de saúde sustentável.


Autor: Dr. Rodrigo Bornhausen Demarch é médico gestor, especialista em medicina preventiva, medicina do trabalho e administração em saúde, Global Faculty Fellow do Stanford Biodesign e membro-fundador do Colégio Brasileiro de Medicina do Estilo de Vida (www.cbmev.org.br).

Programação oficial do evento e o link para inscrição: www.cbmev2018.org.br

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Rodrigo Bornhausen Demarch
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Médico, designer, gestor e empreendedor.

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