[ editar artigo]

Medicina e lucro: um casamento perfeito?

Medicina e lucro: um casamento perfeito?

Prezados leitores, gostaria de deixar bem claro que fiz esse texto apenas para abordar a relação e a influência existente do capitalismo e sua visão lucrativa sobre a profissão médica, e o quanto isso abrange também as decisões que os profissionais e estudantes tomam acerca de suas vidas dentro do campo profissional, mas não me mantenho oposto ao capitalismo:

O Juramento de Hipócrates prevê, sem reservas, os fundamentos éticos do médico durante o exercício da profissão. Partindo dessa premissa, com o crescente advento da ótica capitalista contemporânea que busca o lucro, o cumprimento de tal código torna-se imprescindível para a manutenção das normas morais.

No entanto, a prática de condutas contratuais imersas ao campo trabalhista que agem adversamente aos preceitos éticos básicos deixam a Medicina e um descomunal lucro num “casamento perfeito”. A conclusão, portanto, é imediata: a objetificação do paciente, por um espírito econômico contemporâneo visando assegurar o lucro.

Parafraseando o físico teórico Albert Einstein, é espantosamente óbvio que a nossa tecnologia excedeu a nossa humanidade. Para os materialistas tal fato não é pertinente, já para os antropocentristas deve-se considerar tamanha relação, mas há quem pense diferente: o médico humanizado, ao passo que sua análise terapêutica não se limita em tratar apenas a enfermidade, e sim o paciente que a possui, delimitando assim uma Medicina ética não objetivando os fins, e sim os meios. Todavia, a mentalidade capitalista que almeja o lucro altera a gênese moral e ética de certos profissionais de saúde, que ignoram sua missão única de salvar vidas em prol de interesses particulares. 

É evidente que se chegou num derradeiro ponto da história humana no qual até o próprio corpo vivo do indivíduo é materializado pela ótica capitalista, visando-se garantir um lucro futuro. Para tal ideologia, o ganho é fundamental, e se a Medicina abraça tal mentalidade, abrindo mão dos valores humanos, a visão holística desaparece, dando lugar ao livre mercado. Os médicos que antes atuavam como essenciais agentes de transformação social passam a ser meros serviçais da complexa rede de globalização capitalista. 

O “pai da Medicina”, Hipócrates, afirma que as forças naturais que se encontram dentro de nós são as que de fato curam as enfermidades. A necessidade intrínseca aos profissionais da Medicina de relacionar-se o ato da profissão ao objeto transformador da mesma, que seriam ao enfermos, é o que realmente os faz superar seus interesses lucrativos particulares.

É imprescindível, que instituições formadoras de futuros profissionais, a exemplo de faculdades públicas e privadas, incentivem a conscientização de seus estudantes a respeito da ótica e da influência do capitalismo em tal profissão, por meio de debates e palestras, visando formar doutores compromissados e determinados em salvar vidas.

 


Quer escrever?

Publique seu artigo na Academia Médica e faça parte de uma comunidade crescente de mais de 145 mil médicos, acadêmicos, pesquisadores e profissionais da saúde. Clique no botão "NOVO POST" no alto da página!

Academia Médica
Fernando Antônio Ramos Schramm Neto
Fernando Antônio Ramos Schramm Neto Seguir

Atual graduando em Medicina pela Universidade Salvador.

Ler matéria completa
Indicados para você