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Medicina empreendedora: uma solução ao aprendizado do estudante?

Medicina empreendedora: uma solução ao aprendizado do estudante?

Segundo o Dicionário Online de Português, o termo "empresa" significa

“Execução de um projeto; empreendimento, comedimento. Negócio, sociedade comercial; todo estabelecimento que vende, compra produtos ou oferece algum tipo de serviço”.

Vendo por esse ponto de vista, pode-se perceber que consiste em um conceito que se aplica mais à área industrial, sendo que fica quase impossível de se imaginar um termo como esse sendo aplicado à área da saúde, pois essa se fundamenta em preceitos de empatia, auxílio, tratamento e diagnóstico, deixando mais de lado essa óptica dos negócios.

No entanto, o mundo capitalista atual trouxe novas visões de ser e atuar, que abrangem diferentes áreas profissionais, incluindo a já citada área da saúde. Portanto, novas “empresas médicas” surgiram nos últimos tempos, englobando as mais diversas finalidades, com consequências de beneficiamento não só para os seus atuantes, como também para seus clientes.

É nesse contexto que, sobretudo nos últimos cinco anos, uma nova forma de atuar na saúde vem chamando atenção, a chamada “Medicina empreendedora”. E não, quando digo esse termo não me refiro aos profissionais que resolvem abrir seus próprios consultórios e atuar de forma autônoma, mas sim, aos que resolvem instalar empresas particulares de atuação diversa. O surgimento dessa nova forma de atuar foi determinante para a qualificação do aprendizado do estudante de Medicina.

Caso ainda estejam confusos, vou explicar por meio de um exemplo: em 2013, o então graduando em Medicina, Daniel Boczar, inconformado com o descaso das grandes empresas de simuladores médicos, resolveu criar a marca patenteada Sutureskin. A empresa fornece de produtos de sutura, para que estudantes de Medicina pudessem exercitar suas capacidades práticas sem se submeterem a preços exorbitantes cobrados por grandes instituições da época.

O advento do meio virtual trouxe mais facilidade ainda para a disseminação de seus produtos e, hoje, além de outras empresas de mesmo objetivo terem sido criadas em outras regiões do Brasil, houve uma maior diversidade no fornecimento do produto em questão. Como resultado, houve uma redução dos preços das concorrentes, e os estudantes encontram maior facilidade em adquirir tais produtos de sutura e treinarem na própria residência, sem se limitarem aos encontrados apenas em suas faculdades.

Então chegamos a uma das principais consequências da Medicina empreendedora: a facilitação e qualificação do aprendizado do estudante. A partir do momento em que são fornecidos produtos de treinamento médicos, a um menor preço, com maior facilidade de acesso, os graduandos passam a adquirir esses produtos, qualificando suas capacidades individuais, e tornando melhor seu próprio aprendizado.

Exemplos de empresas médicas não faltam e o número só tende a crescer!

Atuante na área de Salvador, a MedEmergências possui como principal objetivo o fornecimento de produtos médicos originais, a partir de parcerias firmadas com outras marcas, a exemplo da Littmann, e por meio do convênio com faculdades e ligas acadêmicas. Essa parceria facilitou o acesso de estudantes a materiais com preços mais baixos, e se somada ao que outras empresas já fazem na região, acabou eliminando o monopólio das poucas instituições na região em tempos atrás.

Mas a criação desses tipos de grupos empresariais autônomos não precisa se limitar, necessariamente, ao fornecimento de produtos e materiais para práticas médicas. E para ilustrar essa situação, cito o exemplo da própria Academia Médica, criada em 2012, pelo médico Fernando Carbonieri, com o objetivo de “ensinar o que a faculdade esqueceu de contar”.

Nesse caso, os próprios acadêmicos de Medicina podem participar de forma ativa, ao lado de doutores e outros profissionais de diferentes áreas, a partir da publicação de textos e conteúdos atuais, que propiciem a disseminação do conhecimento a respeito de diferentes temáticas. É um exemplo de empresa médica autônoma, que, por meio de conteúdo escrito e digital, também colabora com a qualificação do conhecimento do estudante de Medicina.

Por fim, é importante ressaltar que a Medicina empreendedora surge como uma das várias tendências do mercado da saúde nos últimos tempos. A participação cada vez mais ativa do modelo de negócio e a facilitação da obtenção de produtos por parte do estudante só tendem à aumentar nos próximos anos. Resta a todos nós esperar, e quem sabe participar, das novas inovações que estão por vir.

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Fernando Antônio Ramos Schramm Neto
Fernando Antônio Ramos Schramm Neto Seguir

Atual graduando em Medicina pela Universidade Salvador.

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