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Medicina, um mero achismo

Medicina, um mero achismo

Ultrajante?

Indigesto, no mínimo. É designar toda uma área da saúde, com estudos, metodologia própria, processo histórico singular e avanços ao mero sabor de uma opinião.

Assim como os conhecimentos das ciências da saúde obviamente não terminam no ensino médio, uma vez que existe muito para além das funções das organelas celulares, as outras áreas também não se findam ao segundo grau.

Existe, principalmente entre os estudantes da área da saúde, um pedantismo acerca da boa ciência que apenas é praticada pela medicina, por exemplo. Inferindo que todas as outras matérias vistas outrora no ensino médio são puras compilações de fatos históricos, geográficos, filosóficos e sociológicos desorganizados e manipulados por autores corroídos por ideologias nefastas e professores doutrinários.

As ciências humanas pedem passagem na área médica, uma correlação chamada Humanidade Médicas, seja por um contexto histórico, seja pelas circunstâncias da pandemia e debates efervescentes sobre saúde mental. A medicina, o cuidar do ser humano, nasce com indivíduos que tinham pela observação e reflexão o combustível para inovar e produzir novos saberes.

Galeno, por volta do ano de 129 d.C. houvera escrito: o melhor médico é também um filósofo.

O desdém dos atores da saúde para com as ciências humanas tem origem em um sistemático desconhecimento que geram truísmos, preconceitos e superficialidades. O marxismo, por exemplo, é um método histórico, filosófico e sociológico de estudo, atualmente, um selo de criminalidade, pouca afeição ao trabalho e voto de pobreza, uma caricatura histórica superficial. Um método, dentre tantos outros utilizados.

É inconcebível criminalizar um método de estudo de outra área científica, é necessário relembrar o título: ciências humanas.

Achismo e opinião são desprovidos de método. A história, geografia, sociologia, filosofia, política, dentre tantas outras áreas carregam sofisticadíssimas metodologias de estudo. Afirmar que política e história tratam-se apenas de opiniões é negar a ciência, uma moda nos tempos atuais.

Afinal, por exemplo, onde a filosofia contribuiria na medicina?

Talvez ela não seja capaz de melhorar sua técnica de percussão ou aprimorar seu ouvido em captar sopros, murmúrios vesiculares e ruídos hidroaéreos. Provavelmente, a filosofia também não seja uma boa ideia para a prática de uma intubação.

A filosofia, poderá fazê-lo ouvir os sons que não são emitidos por palavras, as dores que não podem ser ditas, inspecionar o sofrimento para além do físico. Para o profissional, ofertar e afirmar os significados ao seu trabalho e função.

Não se trata apenas de medicina, correto? É isso que sempre gostamos de afirmar.

 


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Medicina em Crônicas - Elomar R. Moura
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Olá! Sou Elomar R. Moura (@medicinaemcronicas), 22 anos, de Aracaju - SE. Estudante de medicina da Universidade Tiradentes (UNIT) - SE. Um apaixonado pela literatura que escreve reflexões sobre a medicina tanto na sua prática, como na sua simbologia.

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