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Miocardite após vacinação contra a COVID-19

Miocardite após vacinação contra a COVID-19

A miocardite foi reconhecida como uma complicação rara das vacinações de mRNA do novo coronavírus 2019 (COVID-19), especialmente em adultos jovens e adolescentes do sexo masculino. De acordo com o Centro de Controle de Doenças dos EUA (CDC), as taxas de miocardite/pericardite são de aproximadamente 12,6 casos por milhão de doses de vacina de segunda dose de mRNA entre 12-39 anos de idade. Para melhor esclarecer essa situação, pesquisadores dos EUA revisaram os prontuários clínicos de vacinados para identificar casos de miocardite ou pericardite pós-vacinação.

Como eles realizaram esse estudo?

Quarenta hospitais em Washington, Oregon, Montana e Los Angeles County, Califórnia, que faziam parte do sistema de saúde de Providence e usavam o mesmo prontuário eletrônico (EMR) foram incluídos. Todos os pacientes com vacinações COVID-19 documentadas administradas dentro do sistema ou registradas nos registros estaduais a qualquer momento até 25 de maio de 2021 foram identificados. Os pacientes vacinados que subsequentemente tiveram atendimento de emergência ou internação com diagnóstico de miocardite, miopericardite ou pericardite foram verificados a partir de sistema próprio.

As taxas mensais de diagnósticos hospitalares pela primeira vez (excluindo pacientes com diagnósticos anteriores em janeiro de 2018 a janeiro de 2019) de janeiro de 2019 a janeiro de 2021 (período pré-vacinal) e de fevereiro a maio de 2021 (período de vacina) foram comparadas.

E quais foram os achados da pesquisa?

Entre os indivíduos que receberam pelo menos 1 dose da vacina contra COVID-19, 58,9% eram mulheres, a idade média foi de 57 anos, 76,5% receberam mais de 1 dose, 52,6% receberam a A vacina BNT162b2 (Pfizer/BioNTech), 44,1% recebeu a vacina mRNA-1273 (Moderna) e 3,1% recebeu a vacina Ad26.COV2.S (Janssen / Johnson & Johnson). 20 indivíduos tiveram miocardite relacionada à vacina e 37 tiveram pericardite.

Vinte e sete indivíduos (73%) eram do sexo masculino, e a media de idade foi de 59 anos. Treze (35%) foram admitidos no hospital, nenhum para terapia intensiva foi necessária. A permanência média no hospital foi de 1 dia e nenhum paciente morreu. No último acompanhamento disponível, 7 pacientes (19%) tiveram os sintomas resolvidos e 23 (62%) estavam melhorando.

Em quanto tempo demorou para se manifestarem as primeiras manifestações da miocardite?

A miocardite ocorreu em uma media de 3,5 dias após a vacinação (vacina de mRNA-1273, 11 casos [55%]; vacina BNT162b2, 9 casos [45%]). Quinze indivíduos eram do sexo masculino, e a mediana de idade foi de 36 anos (IQR, 26-48 anos). Quatro pessoas (20%) desenvolveram sintomas após a primeira vacinação e 16 (80%) desenvolveram sintomas após a segunda.

Quais são os principais sinais e sintomas?

Segundo um estudo publicado na revista Circulation, os principais sinais e sintomas relacionados foram: dor no peito, geralmente 2-3 dias após uma segunda dose de vacinação de mRNA e tinham níveis elevados de troponina cardíaca. O ECG estava anormal com elevações de ST na maioria, e a ressonância magnética cardíaca era sugestiva de miocardite em todos os pacientes testados.

Quantos pacientes foram hospitalizados?

Dezenove pacientes (95%) foram admitidos no hospital e todos receberam alta após uma média de 2 dias. Não houve readmissões ou mortes. Dois pacientes receberam uma segunda vacinação após o início da miocardite; nenhum deles teve piora dos sintomas. No último acompanhamento disponível, 13 pacientes (65%) tiveram resolução dos sintomas e 7 (35%) estavam melhorando.

A pericardite foi diagnosticada após a primeira ou segunda dose?

A pericardite foi desenvolvida após a primeira imunização em 40,5% e após a segunda imunização em 59,5% com a vacina mRNA-1273 responsável por 12 casos [32%]; a vacina BNT162b2 com 23 casos [62%] e a vacina Ad26.COV2.S com 2 casos [5%]).

O número médio mensal de casos de miocardite ou miopericardite durante o período pré-vacinal foi de 16,9 vs 27,3 durante o período de vacina. O número médio de casos de pericardite durante os mesmos períodos foram 49,1 e 78,8, respectivamente ( P  <0,001).

E quais são as implicações desse estudo?

Duas síndromes autolimitadas distintas, miocardite e pericardite, foram observadas após a vacinação contra a COVID-19. A miocardite desenvolveu-se rapidamente em pacientes mais jovens, principalmente após a segunda vacinação. A pericardite afetou pacientes mais velhos mais tarde, após a primeira ou a segunda dose.

Algumas vacinas estão associadas à miocardite, incluindo vacinas de mRNA, e o Centro de Controle e Prevenção de Doenças relataram recentemente uma possível associação entre as vacinas de mRNA de COVID-19 e miocardite, principalmente em indivíduos do sexo masculino mais jovens dentro de alguns dias após a segunda vacinação, com uma incidência de cerca de 4,8 casos por 1 milhão. Este estudo mostra um padrão semelhante, embora com maior incidência, sugerindo subnotificação de eventos adversos à vacina. Além disso, a pericardite pode ser mais comum do que a miocardite em pacientes mais velhos.

As limitações do estudo incluem casos perdidos em ambientes de cuidados externos e diagnósticos perdidos de miocardite ou pericardite (o que subestimaria a incidência), bem como informações imprecisas sobre vacinação EMR. A associação temporal não prova a causa, embora o curto intervalo entre a vacinação e o início da miocardite e a elevada incidência de miocardite e pericardite nos hospitais do estudo dêem suporte para uma possível relação.


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Referências

  1. Bozkurt B, Kamat I, Hotez PJ. Myocarditis with COVID-19 mRNA Vaccines. Circulation [Internet]. 2021 Jul 20 [cited 2021 Aug 9]; Available from: https://www.ahajournals.org/doi/10.1161/CIRCULATIONAHA.121.056135 ‌
  2. Diaz GA, Parsons GT, Gering SK, Meier AR, Hutchinson IV, Robicsek A. Myocarditis and Pericarditis After Vaccination for COVID-19. JAMA. Published online August 04, 2021. doi:10.1001/jama.2021.13443

Conteúdo elaborado por Diego Arthur Castro Cabral

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