"A desigualdade é a raiz de todo mal social." — Papa Francisco
Enquanto países ricos discutem nutrição de precisão e suplementação avançada para pacientes em radioterapia, em países de baixa e média renda (LMICs), a luta é pelo acesso básico ao tratamento. No entanto, a desnutrição nesses cenários é uma "epidemia dentro da epidemia", potencializando a toxicidade da radioterapia e reduzindo as chances de cura.
Biotipos Diferentes, Riscos Diferentes
A relação entre IMC e massa muscular varia drasticamente entre etnias. O que é considerado "sarcopenia" em um caucasiano pode ser normal para um asiático do sul. Utilizar cortes de referência de HICs em LMICs pode subestimar ou superestimar o risco nutricional, desperdiçando recursos escassos ou negligenciando pacientes em risco.
A Necessidade de Dados Locais (2025)
O estudo aponta que a falta de infraestrutura para nutrição em LMICs não é apenas um problema logístico, mas de evidência.
Vazio de Dados: A escassez de estudos longitudinais em LMICs impede a criação de modelos prognósticos precisos.
Custo-Efetividade: Em sistemas com recursos limitados, provar que o suporte nutricional reduz custos (via menos internações e complicações) é a chave para convencer gestores a investir em nutricionistas oncológicos.
Política Pública Baseada em Evidência
A nutrição não pode ser um "adicional" opcional. Para LMICs, onde o acesso a drogas de última geração é restrito, otimizar o estado nutricional do paciente para que ele aguente a radioterapia completa é uma das intervenções mais custo-efetivas disponíveis. Precisamos de ciência local para embasar políticas locais.
Texto escrito pela acadêmica Carolina C. Reis
Referências Murphy-Alford AJ, Grossberg AJ, Baracos VE, Barbar M, Bauer J, Bennett JP, et al. Perspective: Radiotherapy and Body Composition: Unmet Needs in Low- and Middle-Income Countries. Adv Nutr. 2025;100563.

