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O curso de medicina é estressante?

O curso de medicina é estressante?

O curso de medicina é estressante?

Pesquisa realizada com os estudantes de medicina da FEPAR demonstra o perfil de stress dos acadêmicos de medicina da instituição. Esse estudo foi publicado na Revista do Médico Residente ( Publicação científica do CRM-PR). O estudo intitulado "Perfil psicológico do estudante de Medicina" pretende mensurar os níveis de estresse que estudantes do curso de Medicina da Faculdade Evangélica do Paraná estão submetidos, bem como sintomas associadas à tensão e percepção de alterações psicológicas após o ingresso no âmbito acadêmico. Acompanhe:

O estresse pode ser definido como um estado antecipado ou real de ameaça ao equilíbrio do organismo e a reação do mesmo, que visa restabelecer o equilíbrio através
de um complexo conjunto de respostas fisiológicas e comportamentais. A manutenção deste estado de equilíbrio, homeostase, é essencial para a vida e é constantemente desafiado por forças internas ou externas.

Hipócrates (460-377 a.C.), o pai da Medicina, discorreu em sua obra “A Lei” a respeito da personalidade esperada em um estudante de Medicina:

”AQUELE QUE DESEJA ADQUIRIR UM BOM CONHECIMENTO DE MEDICINA DEVE TER AS SEGUINTES CARACTERÍSTICAS: APTIDÃO NATURAL, CULTURA, DISPOSIÇÃO PARA ESTUDAR, INSTRUÇÃO DESDE CEDO, PERSEVERANÇA, AMOR AO TRABALHO E TEMPO DISPONÍVEL. ANTES DE MAIS NADA, É PRECISO TALENTO NATURAL, POIS QUANDO A NATUREZA SE OPÕE, TUDO É
EM VÃO. QUANDO, PORÉM ELA INDICA O CAMINHO E A DIREÇÃO DO QUE É MELHOR, O APRENDIZADO DA ARTE SE FAZ DE MANEIRA PRAZEROSA. O ESTUDANTE DEVE TENTAR, POR SEU LADO, ASSIMILAR ESSE APRENDIZADO ATRAVÉS DA REFLEXÃO, TORNANDO-SE LOGO DE INÍCIO UM ALUNO EM UM LOCAL APROPRIADO À INSTRUÇÃO, DE MODO QUE OS CONHECIMENTOS QUE ESTÃO SE ENRAIZANDO PRODUZAM FRUTOS APROPRIADOS E ABUNDANTES.”

É perceptível que, apesar da distância cronológica, as observações feitas por Hipócrates são perfeitamente aplicáveis aos tempos modernos. A cobrança por um
amadurecimento precoce, e a carga de responsabilidade aplicada ao indivíduo que decide entregar sua vida aos estudos do organismo humano, não cabe somente ao
profissional, mas também ao estudante. A discussão, então, que tange essa situação, é o preparo psicológico que o estudante deve.

A exigência ao futuro universitário inicia-se no período de preparo para o ingresso à escola médica, uma vez que o curso está entre os mais concorridos. Dessa forma,
privações dos mais diversos níveis, a começar pelo sono, momentos de lazer, atividade física, interação com a família, entre tantos outros, somadas a exigências próprias do curso, podem vir a alterar a condição psicológica do aluno, e futuro profissional.

Objeto de estudo desde tempos remotos, a saúde mental dos estudantes de Medicina costuma ser abordada sob o prisma de um viés indicativo de estresse, haja vista os momentos potencialmente estressantes da vida do acadêmico. Provas factíveis disso são os estudos contemporâneos que revelam de forma unânime o elevado uso de drogas e psicoativos químicos entre os estudantes da área médica.

Em maior ou menor grau, a condição estressante permeia todo o processo de formação do acadêmico, tendo sua gênese ainda no período de vestibular, em virtude da concorrência acirrada enfrentada pelos estudantes que almejam uma vaga no curso de Medicina.

Em 1956, o endocrinologista Seyle sistematizou um conceito de estresse em que se observavam três fases:

» Fase de alerta: começa quando a pessoa se confronta inicialmente com um estressor. Nesse momento, o organismo se prepara para movimento de “luta ou fuga”,
com a consequente quebra da homeostase. Quando o estressor tem curta duração, a restauração da homeostase ocorre, e o indivíduo sai da fase de alerta sem complicações para seu bem-estar.

» Fase de resistência: quando o estressor é de longa duração, como é o caso da formação médica, o organismo tenta restabelecer sua homeostase de um modo
reparador. A energia adaptativa de reserva é utilizada na tentativa de reequilíbrio. Se essa reserva é suficiente, a pessoa recupera-se e sai do processo do estresse. Caso contrário, o organismo se enfraquece e se torna vulnerável a doenças.

» Fase de exaustão: ocorre se a resistência da pessoa não for suficiente para lidar com a fonte estressora ou se aparecerem outros agentes estressores. Ocorrerá a
exaustão psicológica, comumente em forma de depressão, e a exaustão física manifestar-se-á, com consequente aparecimento de doenças. O presente trabalho, portanto, pretende mensurar os níveis de estresse que estudantes do curso de Medicina da Faculdade Evangélica do Paraná estão submetidos, bem como sintomas associadas à tensão e percepção de alterações psicológicas após o ingresso no âmbito acadêmico.

O estudo intitulado " Perfil psicológico do estudante de medicina", Publicado na Revista do Médico Residente - publicação científica do CRM-Pr demonstrou que:

  • quase 50% dos entrevistados se julgam mais apreensivos desde que ingressaram no curso de Medicina;
  • menos de 20% acreditam não haver vínculos entre o curso e fatores estressores;
  • 75% que, categoricamente afirmaram haver estreita relação entre as atividades acadêmicas e potenciais situações desencadeadoras de estresse.
  • o 3º ano de formação médica básica é o mais estressante;
  • o 1º ano é o ano que há niveis menores de stress
  • As mulheres apresentam níveis de stress mais elevados que homens

É lícito supor que o perfil tenso, típico de estudantes de Medicina, abrange as complexidades intelectuais exigidas do aluno, a carga horária pouco flexível, a responsabilidade excessiva, a necessidade de amadurecimento precoce e comprometimento integral e as possíveis desilusões e situações conflitantes frequentes
na vida desses estudantes, tudo isso culminando para edificar um perfil psicológico tendenciosamente estressado, severo e comprometido. A interface que o curso oferece entre situações primariamente empíricas e questões metafísicas, como a morte e seus tabus, também corrobora um aspecto psicológico tenso, retraído, pensativo e conflituoso.

Acesse o artigo na íntegra para verificar as correlações com outros estudos publicados sobre o assunto. Clique AQUI

Academia Médica
Fernando Carbonieri
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Inovação é sua forma de exercer a medicina. Em 2012 criou a Academia Médica, comunidade dedicada a "FALAR O QUE A FACULDADE ESQUECEU DE NOS CONTAR". Membro Comissão do Médico Jovem do CFM, Palestrante, Hacking Health Curitiba e Brasil

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