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O desafio da medicina integrativa no mundo hodierno

O desafio da medicina integrativa no mundo hodierno

A medicina integrativa compreende a ciência do cuidar como uma arte da vida, um labor onde as taxas metabólicas não podem ser lidas à parte dos sentimentos do indivíduo. Se, por um lado, Sócrates baseava seus questionamentos em tais predicados, refutando qualquer observação isolada de sintomas, no mundo hodierno, o modelo médico preconizado, muitas vezes excessivamente analítico e super especializado, acaba minimizando tais premissas, amparando-se em uma visão fragmentada do paciente e na superficial constatação de que o exame de ressonância responde tudo.

Nessa acepção, o médico diante de um contexto de mundo pragmático, amante do hiper-racional e do individualismo, tem o desafio de consolidar a integração harmônica da medicina moderna e tradicional, afim de promover um bem-estar holístico dos indivíduos.

Sociedade contemporânea

A sociedade contemporânea é avida pelos resultados rápidos, o que a faz amparar-se comumente em relações efêmeras. A medicina, também abarcada por esse contexto, tem visto o elo médico/paciente padecer como consequência de relações estritamente impessoais e clínicas, incapazes de responder aos anseios de pessoas aflitas, ou de identificar o número crescente de doenças psicossomáticas constatado pela OMS.

Sob essa ótica, nota-se a imprescindível necessidade dos doutores não marginalizarem em seu ofício diário as nuances espirituais, ambientais e psicológicas dos pacientes, sob o risco de perder, como salientado por Osler, um importante elemento de cura.

O grande valor da medicina integrativa no atual cenário social é o seu caráter antropológico, que a permite compreender o homem em suas necessidades singulares. Nesse ínterim, a medicina utiliza o autoconhecimento como importante ferramenta para saúde do paciente, reconhecendo que, consoante Hipócrates, a maior força de cura reside no próprio indivíduo. Em congruência com tal fato, o caráter aberto da medicina integrativa favorece o uso de recursos convencionais e não convencionais de comprovada eficiência cientifica, elevando as possibilidades de melhora do paciente, buscando renovar hábitos através de uma relação próxima e transcultural. Nessa perspectiva, a medicina integrativa, como exporá Platão, busca praticar a sua arte aliando a natureza do espirito e do corpo, afim de cumprir com consciência a missão de salvar vidas.

Adotar perspectivas integrativas, dentro de um contexto de mundo cada vez mais fragmentado e técnico, constitui-se um desafio para o profissional médico. Nesse sentido, faz-se imperiosa a compreensão de que a saúde é resultado de múltiplos fatores, e de acordo com o autor Augusto Cury, consequência não só do bem-estar físico, mas também emocional. Destarte, será possível conceder ao outro uma boa conversa, um afetuoso abraço, um paciente ouvido, uma receita essencial na rotineira luta por salvar e melhorar vidas.

 

Academia Médica
Rodrigo Souza
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Acadêmico de Medicina - Universidade Salvador; Fundador e Presidente do Projeto Cognição Performance; Presidente do DAMED - UNIFACS; Ávido pela arte de empreender e aprender

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