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O papel da espiritualidade em pacientes com IRC avançada

O papel da espiritualidade em pacientes com IRC avançada

A insuficiência renal crônica (IRC) é um problema de saúde pública mundial que é cada vez mais prevalente na população idosa. Existem cinco estágios da IRC com base na taxa de filtração glomerular (TFG), e o estágio 5 (TFG <15 ml / min / 1,73m2) é frequentemente chamado de doença renal em estágio terminal (DRET). Na IRC, ocorre acúmulo de toxinas e excesso de água devido ao comprometimento da função renal. A diálise é a forma preferida de tratar DRET e remover toxinas acumuladas do corpo.¹

Pessoas com doença renal em estágio avançado geralmente apresentam limitada expectativa de vida, e por diversas vezes buscam em sua rede de apoio a religião ou suas crenças espirituais. A espiritualidade pode ser definida como uma propensão humana a buscar significado para a vida por meio de conceitos que transcendem o tangível: um sentido de conexão com algo maior que si próprio, que pode ou não incluir uma participação religiosa formal.² Mas afinal, há alguma associação entre espiritualidade e as preferências de cuidados e necessidades de cuidados paliativos em pessoas que recebem diálise?

Para responder a essa pergunta, um grupo de pesquisadores estadunidenses conduziu um estudo transversal com participantes adultos que estavam em regime de diálise nas cidades de Seattle, Washington, Nashville e Tennessee, entre 22 de abril de 2015 e 2 de outubro de 2018. A pesquisa incluiu uma série de perguntas para avaliar o conhecimento dos pacientes em relação a preferências, valores e expectativas relacionadas aos cuidados no final da vida. Os participantes do estudo foram convidados a responder à seguinte declaração: “Minhas crenças religiosas ou espirituais são o que realmente estão por trás de toda a minha abordagem de vida?” As respostas possíveis incluíram: definitivamente verdadeiras; tendem a ser verdadeiras; tendem a não ser verdadeiras e, definitivamente não são verdadeiras.³

Um total de 937 participantes foram incluídos, dos quais a média de idade foi de 62,8 anos e 524 (55,9%) eram homens. No geral:

  • 46,4% dos participantes classificaram a afirmação sobre crenças religiosas ou espirituais como definitivamente verdadeira,
  • 24,6% classificaram como tende a ser verdade,
  • 14,6% classificaram como tende a não ser verdade e
  • 14,4% classificou como definitivamente falso.

Os participantes para os quais essas crenças eram mais importantes estavam mais propensos a preferir a ressuscitação cardiopulmonar, ventilação mecânica, papel compartilhado na tomada de decisão e eram menos propensos a ter pensado ou falado sobre a interrupção da diálise. Esses participantes não eram menos propensos a ter se envolvido em um planejamento de cuidados antecipado, a valorizar o alívio da dor e desconforto, a preferir morrer em casa, a ter alguma vez pensado ou falado sobre hospital psiquiátrico e/ou ter necessidades de cuidados paliativos não atendidas e expectativas prognósticas semelhantes.³

A descoberta de que as crenças religiosas ou espirituais eram importantes para a maioria dos participantes do estudo sugere o valor de uma abordagem integrativa que aborda essas crenças no cuidado de pessoas que recebem diálise.³


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Referências

  1. VADAKEDATH, Sabitha; KANDI, Venkataramana. Dialysis: a review of the mechanisms underlying complications in the management of chronic renal failure. Cureus, v. 9, n. 8, 2017.

  2. SAAD, Marcelo; MASIERO, Danilo; BATTISTELLA, Linamara Rizzo. Espiritualidade baseada em evidências. Acta Fisiátrica, v. 8, n. 3, p. 107-112, 2001.

  3. SCHERER, Jennifer S. et al. Association Between Self-reported Importance of Religious or Spiritual Beliefs and End-of-Life Care Preferences Among People Receiving Dialysis. JAMA Network Open, v. 4, n. 8, p. e2119355-e2119355, 2021.

Conteúdo elaborado por Diego Arthur Castro Cabral

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