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O papel do jovem médico nas entidades médicas
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O papel do jovem médico nas entidades médicas

Imagine um grupo de jovens estudantes de medicina, reunidos com grandes nomes da medicina brasileira, com instituições de ensino e entidades médicas. Agora pense no papel de cada um destes, na constução de um debate rico.

Neste cenário, temos a tendência natural de pensar que os mais experientes ensinam, enquanto os menos experientes, devem estar atentos a cada palavra proferida. A verticalização do saber parece em nossas mentes razoável. Sempre fomos acostumado que o natural é a geração anterior ensinar a geração posterior o melhor modo de conduzir a vida, a medicina e nossas instituições; é assim que a medicina vem sendo transmitida e construída há milênios.

Porém, não foi bem essa a realidade que vivenciei em meu último encontro, em uma situação identica à mencionada no início do texto, o protagonismo do jovem médico foi algo que me chamou bastante atenção. O conhecimento, por meio das mídias digitais não está mais a uma distância de dois ônibus, guardado em uma biblioteca alérgena; basta um clique e tudo estará em suas mãos; e apesar do ruído de informações e da pouca credibilidade de muitas fontes, mesmo com a pouca idade e experiência, temos grandes exemplos de jovens que fazem bom uso desta ferramenta e guardam para si aquilo que é fidedigno.

Como resultado desse processo, temos jovens com um vasto conhecimento, visão crítica e uma capacidade de decisão incrível. Sendo estes capazes de sentar-se ao lado dos grandes nomes da medicina e desenvolver um debate de alto nível; tornando deste modo a transmissão do conhecimento horizontal.

Não é que o modo anterior de transmissão de conhecimento e decisões estivessem errados, pelo contrário, no mundo não computadorizado, a verticalização sem dúvida era o modo mais seguro de transmitir o saber médico, tanto que conseguimos chegar a uma medicina de alto nível, mesmo antes de estarmos on-line; talvez posso arriscar dizer que essa verticalização garantiu a sobrevivência das boas práticas em medicina.

Diferente da realidade anterior, nos tempos atuais, precisamos repensar no modo como estamos conduzindo as coisas. Abrir espaço para a horizontalização da transmissão de conhecimento é algo essencial nos dias atuais. Algumas entidades médicas, tem dados passos importantes para incluir o jovem, abrindo espaço para estes em comissões, reuniões e ações. Tal atitude é louvável e precisa ser replicada; aqueles que acompanham de perto essas mudanças, sem dúvida se impressionam até onde o jovem médico é capaz de chegar, se lhe é dado a oportunidade de participar.

Na correria do mundo de hoje, nossa entidades médicas precisam se atualizar a cada instante e isso sem dúvida requer um trabalho exaustivo. Aquilo que decidimos ontem, talvez não seja mais a melhor opção para a realidade de hoje. O livro que você comprou mês passado, com cheiro de novo, que está na sua estante, possivelmente já está desatualizado. A medicina de alto nível não é mais algo que possa ser transmitido de geração em geração.

O jovem médico precisa desde cedo ser preparado e gerenciar a medicina; ou fazemos isso, ou fatalmente iremos estagnar; e aos poucos veremos nossas instituições falindo diante dos nossos olhos; algumas talvez já estejam vivenciando tal falência.

Se queremos uma medicina ainda melhor, nós jovens médicos, precisamos estar conscientes do nosso importante papel, não podemos nos limitar apenas a aprender a técnica em nossas aulas de medicina, precisamos aprender a raciocinar e gerenciar a medicina; precisamos nos aproximar de nossas entidades médicas e aprender desde já como estas funcionam e principalmente saber como dirigi-las. Por outro lado, nossas entidades médicas precisam reconhecer o papel importantíssimo do jovem na gestão da medicina, reconhecer que estes podem sim ser um fonte de conhecimento e podem contribuir e muito com seu importante trabalho. Precisamos juntos adequar o debate e a transmissão do saber ao mundo moderno, devemos nos horizontalizar, esse com certeza é um dos caminhos para garantir estabilidade a nossas instituições e crescimento para medicina.

Maximiano Muniz Aguiar Lima Ventura

Maximiano Muniz Aguiar Lima Ventura

Maximiano Ventura é estudante de medicina na Universidade Federal do Cariri, presidente da AEMED-CE, coordenador do Sindicato Estudantil, do Sindicato dos Médicos do Ceará. Técnico em radiologia no Hospital Universitário Walter Cantídio - EBSERH

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