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O que os estudantes de medicina realmente precisam saber sobre inteligência artificial?

O que os estudantes de medicina realmente precisam saber sobre inteligência artificial?

Os cuidados de saúde estão evoluindo e, com isso, a necessidade de reformar a educação médica. À medida que a prática da medicina entra na era da inteligência artificial (IA), o uso de dados para melhorar a tomada de decisão clínica aumentará, induzindo a necessidade de interação hábil entre médico(a) e a máquina.1

As inovações emergentes dos sistemas de inteligência artificial estão prontos para impactar substancialmente a prática médica, e dessa maneira cresce o interesse em capacitar os médicos atuais e estudantes de medicina sobre essa temática.2 Paralelamente a esse interesse, surge a questão: o que, precisamente, os estudantes de medicina devem aprender?3

Ao abordar um tópico tão complexo, é fundamental distinguir entre o que todos os médicos devem saber para a prática cotidiana e o que alguns médicos devem saber para impulsionar a inovação. Os componentes curriculares devem ser direcionados para abordar o primeiro, enquanto programas extracurriculares robustos podem ser direcionados para o último.4

Afinal, o que é realmente necessário saber de IA para a prática clínica?

Os médicos e estudantes de medicina precisam entender a IA da mesma maneira que precisam estudar qualquer tecnologia que tenha impacto na tomada de decisões clínicas. Não é de extrema importância que se entenda profundamente toda a matemática sofisticada por trás dos algoritmos, mas é preciso ser capaz de3:

  1. Utilizar a IA corretamente: identifique quando a tecnologia é apropriada para um determinado contexto clínico e quais entradas são necessárias para obter resultados significativos.

  2. Interprete os resultados: compreenda e decifre os resultados com um grau razoável de precisão, incluindo conhecimento de fontes de erro, bias ou inaplicabilidade clínica.

  3. Explique: seja capaz de comunicar os resultados e os processos subjacentes a eles de uma maneira que outros (por exemplo, outros profissionais de saúde e pacientes) possam entender.

“Com as máquinas trazendo mais informações para os casos dos pacientes do que nunca, os médicos verão seus papéis mudarem.”

 Em vez de tentar decifrar todos os fatos de um caso, os médicos terão que saber como fazer as perguntas certas para as máquinas, interpretar suas saídas, identificar quando as máquinas cometem erros, corrigir o curso da máquina de acordo com a situação e se comunicar efetivamente com seus colegas e pacientes para formular os melhores planos de assistência.5

Para garantir que os estudantes de medicina estejam preparados para otimizar suas novas ferramentas de IA, as faculdades de medicina devem enfatizar não apenas a análise de dados e o treinamento estatístico, mas também as chamadas habilidades sociais, como ética, liderança e empatia.

“Com as máquinas ao seu lado, os melhores médicos não serão os que têm as pontuações mais altas nos testes padronizados, mas aqueles com características bem aperfeiçoadas que as máquinas não conseguem dominar, como pensamento crítico, habilidades interpessoais, boa comunicação, inteligência emocional e criatividade.”5

Para se aprofundar mais nesse tema, procure especialistas desta área em sua faculdade ou aplique para estágios e cursos extracurriculares em instituições de renome. Também é uma ótima opção a procura de cursos online e artigos científicos que tratem das bases desse campo de aplicação na medicina.

Gostou? Conta para a gente nos comentários o que você acha da aplicação da Inteligência Artificial no cuidado do paciente e como ela vai mudar a prática clínica em um futuro próximo.

 

Texto elaborado por Diego Arthur Castro Cabral

 


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Referências

  1. Paranjape K, Schinkel M, Nannan Panday R, Car J, Nanayakkara P Introducing Artificial Intelligence Training in Medical Education JMIR Med Educ 2019;5(2):e16048 URL: https://mededu.jmir.org/2019/2/e16048 DOI: 10.2196/16048 PMID: 31793895 PMCID: 6918207 

  2. Topol, E. J. High-performance medicine: the convergence of human and artificial intelligence. Nat. Med. 25, 44–56 (2019).

  3. Wartman, S. A. The empirical challenge of 21st-century medical education. Academic Med. 94, 1412–1415 (2019). 

  4. McCoy, L.G., Nagaraj, S., Morgado, F. et al. What do medical students actually need to know about artificial intelligence?. npj Digit. Med. 3, 86 (2020). https://doi.org/10.1038/s41746-020-0294-7

  5. Medical schools must prepare trainees n.d. https://www.acrdsi.org/Blog/Medical-schools-must-prepare-trainees (accessed July 9, 2020).

 

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