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Ordem provisória

Ordem provisória

"A ordem que temos diante de nós não passa de uma solução temporária e provisória, um momento exíguo na história da vida, que irá se alterar de modo e em uma direção imprevisíveis. O interessante é que, em meio a essa indeterminação, a história reitera um equilíbrio". 

Assim falou Pedro Paulo Pimenta na apresentação do livro "A Origem das Espécies" (UBU EDITORA 2018).

A obra de Charles Darwin virou de cabeça pra baixo o entendimento humano sobre o que o que somos enquanto espécie. De uma tradição que falava em imagem e semelhança ou, até mesmo, ponto culminante da cadeia evolutiva, passamos a ser produto de apenas mais uma ramificação desta coisa tão mistificada que chamamos de vida.

Mas que tapa na cara, né? Não existe mais o lugar de privilégio, de espécie escolhida, existe, na verdade, uma fração de ordem em meio ao caos. Para nos proteger, nos apegamos a essa ordem, fantasiando que ela será eterna e que nosso conforto está garantido. O que me diz ao contrário, por autocuidado, eu rejeito.

No meio dessa "normalização" da vida, eis que: TAAH! Vem uma pandemia (mais uma). Ela faz as bases de tudo tremer. Somos obrigados então a fazer o que? Nos adaptar.

Mas, sinceramente, quando foi diferente? Se, enquanto espécie, chegamos a esse nível de complexidade é porque nossos ancestrais já passaram por maus bocados e foram obrigados a ser inventivos, se adaptarem. 

Então a ordem que temos agora é só temporária? É duro reconhecer isso, eu sei.

Mas há esperança! Pois "em meio a essa indeterminação, a história reitera um equilíbrio".

Por mais difícil que esteja a vida agora, seja ou não pela pandemia, é possível retomar o equilíbrio das coisas, mas é necessário querer, engolir o ego, aceitar as próprias vulnerabilidades, não fugir do desconforto necessário para a mudança e reconhecer que não existe ordem, para que só assim, se faça uma nova ordem provisória.

Paulo Nascimento

Psicológo

CRP-08/29784

 


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Paulo Henrique
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25 anos, Psicológo (CRP-08/29784) de Curitiba-PR. Atuante na área clínica (terapeuta comportamental contextual) e provisoriamente na equipe de saúde da SESA.

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