Evidências apresentadas no Congresso da European College of Neuropsychopharmacology (Amsterdam) indicam que depressões com perfis de sintomas distintos se associam a riscos cardiometabólicos diferentes. Em uma coorte prospectiva holandesa (NEO Study), 5.794 adultos sem diabetes ou doença cardiovascular no início foram acompanhados por cerca de sete anos. Com base em questionários padronizados, os pesquisadores agruparam os participantes em dois perfis principais de sintomas depressivos:
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Perfil “melancólico”: despertar precoce, humor pior pela manhã, perda de apetite/peso, culpa excessiva, agitação ou retardo psicomotor, entre outros.
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Perfil “atípico/relacionado à energia”: fadiga, sonolência/aumento do sono, aumento do apetite, ganho de peso e sensação de “paralisia de chumbo”.
Principais achados
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Incidência global: cerca de 8% dos participantes desenvolveram algum desfecho cardiometabólico no seguimento.
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Risco de diabetes tipo 2 (DM2): indivíduos com sintomas atípicos/energia tiveram ~2,7 vezes mais chance de desenvolver DM2 do que pessoas sem sintomas depressivos (HR ≈ 2,87; IC95% 1,92–4,30). Importante: esse perfil não mostrou aumento significativo de risco de doença cardiovascular (DCV).
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Risco cardiovascular (infarto/AVC): participantes com sintomas melancólicos apresentaram ~1,5 vez mais risco de DCV (HR ≈ 1,53; IC95% 1,03–2,25), sem aumento significativo no risco de DM2.
Esses resultados reforçam a ideia de “especificidade de sintomas”: não é “qualquer depressão” que eleva igualmente todos os riscos cardiometabólicos, mas sim perfis clínicos distintos que se conectam a desfechos específicos.
O que pode explicar essas diferenças?
A equipe também explorou assinaturas biológicas relacionadas aos dois perfis. Entre pessoas com sintomas atípicos/energia, observaram-se alterações em vias inflamatórias e metabólicas, por exemplo, elevação de glycoprotein acetyls, aminoácidos de cadeia ramificada (como isoleucina) e frações lipoproteicas (triglicérides em HDL de densidade média), além de proteínas enriquecidas em vias de interação citocina–receptor. Esse padrão não foi observado no perfil melancólico, sugerindo mecanismos bioquímicos distintos ligando depressão e saúde cardiometabólica.
O pesquisador principal, Dr. Yuri Milaneschi (Amsterdam UMC), argumenta que esses achados empurram a psiquiatria na direção da “psiquiatria de precisão”, isto é, alinhar intervenções mentais e físicas ao perfil sintomático do paciente.
Implicações clínicas
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Rastreamento dirigido
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Pacientes com sintomas atípicos/energia merecem vigilância ativa para DM2: glicemia, HbA1c, perfil lipídico, medidas de adiposidade e aconselhamento sobre sono, dieta e atividade física.
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Pacientes com sintomas melancólicos podem se beneficiar de estratégias precoces de prevenção cardiovascular: controle de pressão arterial, tabagismo, avaliação de risco global, educação sobre sinais de infarto/AVC.
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Integração mente–corpo no cuidado A psiquiatria e a atenção primária/cardiometabólica devem compartilhar planos de cuidado. Como observa Dra. Chiara Fabbri (Universidade de Bolonha), prevenir, diagnosticar e monitorar doenças físicas em pessoas com depressão é tão prioritário quanto tratar a própria depressão, especialmente diante do crescimento projetado da prevalência de DM2 na Região Europeia.
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Mensagens para o paciente
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Depressão não é “tudo igual”: o seu padrão de sintomas pode sinalizar riscos físicos específicos, e isso não significa que você terá a doença, mas que vale a pena checar e prevenir.
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Estilo de vida e adesão: sono, alimentação, movimento e controle de fatores de risco potencialmente modulam essas trajetórias.
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Referência:
European College of Neuropsychopharmacology. "Your type of depression could shape your body’s future health." ScienceDaily. ScienceDaily, 12 October 2025. <www.sciencedaily.com/releases/2025/10/251012054604.htm>.






