"Custo é o que você paga. Valor é o que você leva." — Warren Buffett
Em sistemas de saúde com orçamento limitado, como os de países de baixa e média renda (LMICs), cada centavo conta. Frequentemente, serviços de nutrição são cortados ou subfinanciados por serem vistos como "suporte" e não "tratamento". No entanto, a evidência sugere que a desnutrição não tratada é caríssima: ela leva a interrupções no tratamento, mais internações e piora da toxicidade.
O Ciclo Vicioso
Sem suporte nutricional, o paciente em radioterapia perde peso e músculo. Isso aumenta a toxicidade, o que leva a pausas no tratamento. Pausas no tratamento reduzem a chance de cura, levando a recidivas e custos futuros com tratamentos paliativos ou de resgate. Quebrar esse ciclo exige investimento inicial em equipes de nutrição.
Evidência Econômica (2025)
O artigo aponta que, em HICs, a nutrição já provou ser custo-efetiva.
Redução de Custos: Menos complicações significam menos uso de recursos hospitalares caros (UTI, antibióticos, nutrição parenteral total).
Adesão: Pacientes bem nutridos completam o tratamento planejado, maximizando o retorno sobre o investimento feito na infraestrutura de radioterapia (que é cara).
Advocacia baseada em Dados
Para mudar a realidade em LMICs, médicos e gestores precisam falar a língua da economia. Não se trata apenas de humanização, mas de eficiência. Incorporar a avaliação e o suporte nutricional no fluxo de trabalho da radioterapia é uma estratégia de gestão inteligente que otimiza o uso das máquinas de radioterapia e melhora os resultados de saúde pública.
Texto escrito pela acadêmica Carolina C. Reis
Referências
Murphy-Alford AJ, Grossberg AJ, Baracos VE, Barbar M, Bauer J, Bennett JP, et al. Perspective: Radiotherapy and Body Composition: Unmet Needs in Low- and Middle-Income Countries. Adv Nutr. 2025;100563.






