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Cold War da produção científica na medicina

Cold War da produção científica na medicina

Cold War da produção científica na medicina

por Jose Eduardo Carvalho Teixeira

Após alguns meses afastado da escrita, dou continuidade às críticas aos métodos que permeiam o ensino médico atual. Quando comecei o curso de medicina, pairava sobre minha mente uma visão orgânica-singular do homem, ou melhor, das doenças. Entrei na medicina para tratar doenças e não pessoas doentes. Contudo, rapidamente fui introduzido ao caráter biopsicossocial dessa ciência (graças a deus!!!), o qual claramente disputa lugar com o inflexível método de medicina baseada em evidência.

Inicialmente tentei ignorar esse fato (da medicina biopsicossocial) e focar no processo de saúde-doença descrito nas extensas páginas dos livros; até que um colega meu, formado em economia, disse uma frase que jamais irei esquecer: “eu não me considero um economista, mas sim um crítico da economia, porque apesar de conhecer a dinâmica dessa área da ciência, existe um fator imprevisível e que pode alterar tudo em qualquer momento: o homem”. Fiquei refletindo sobre isso durante um bom tempo, e vi que a palavra economia poderia ser facilmente substituída pela medicina, de forma que conhecer o homem é uma condição sine qua non para a boa prática do ato médico.

Paralelamente fui “gentilmente” apresentado à medicina baseada em evidência, um método interessante, mas que funciona como um álibi para a testilha dos lattes (o que não deveria ocorrer). Sim… testilha, batalha, duelo, formula 1, competição, contest ou sei lá como queira chamar, o importante pra essa “galera” é publicar.  Daí você abre o pubmed com um “mundo de evidências”; evidências de quanto o ser humano pode ser energúmino a fim de alimentar seu ego, no caso o seu lattes. E o pior, isso tudo faz parte do que é “exigido” pela comunidade científica para ser um “bom” médico.

Na realidade, atualmente cada vez mais, o lattes virou um parâmetro para avaliar se o sujeito é bom o ruím, o que é muito triste porque o ato médico está reduzido ao ISI web, etc…Para piorar a situação, os estudantes são praticamente compelidos, cada vez mais, a publicar, publicar, publicar, publicar… não importa se existem 987654321 trabalhos já realizados sobre o tema, o importante é PUBLICAR.

Destarte esse contexto, aparecem os insidiosos organogramas que ostentam cada vez mais o médico robô. Ora, para seguir organogramas basta um computador; não são necessários 6 anos de faculdade.. Cadê a visão crítica minha gente?

Voltando ao início do texto, me sinto hoje em um cabo de guerra acadêmico ou uma espécime de guerra fria: de um lado a “galera” do lattes e do outro a medicina biopsicossocial, de forma que o ESSENCIAL é saber conciliar ambos para o avançado da medicina humana e cada vez mais aliada a tecnologia, contudo isso parece tããão dificíl atualmente, principalmente mediante a adoção do fordismo, por parte do nosso governo, para abertura das faculdades de medicina.

Desejo sorte aos meus colegas que batalham árduamente para compreender e apreender as facetas da medicina, integrando-as em busca de tratar seres humanos… Cansei de críticas por hoje (isso porque eu nem comecei falar dos médicos do insta, rsrsrs…).

Abraços e boa semana,

Jose Eduardo Carvalho Teixeira graduou-se no ensino-médio na Wichita East High School, onde foi convidado a participar do programa Youth Court desenvolvido pelo Wichita Crime Commission, figurando como conselheiro durante um ano. Atualmente cursa medicina na Faculdade de Ciências Médicas e da Saúde de Juiz de Fora. É membro diretor da Liga de Radiologia Intervencionista e Cirurgia Endovascular.

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