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Sentimentos Darwinistas

Sentimentos Darwinistas

Não lembro o ano em que minha mãe fez uma atualização em Psicologia e o curso focou muito em Darwin. E hoje as técnicas terapêuticas mais atuais levam em consideração o mecanismo de adaptação da espécie em seu comportamento junto a seus sentimentos. Dessas adaptações é que surgem os tão famosos mecanismos de defesa. E são esses mecanismos que interferem em nossa relação com o mundo. Muitas vezes de maneira tão patológica que fica impossível suportar a vida.

É claro que todos nós temos uma "gaveta desarrumada". Inclusive eu. Sou como você que me lê. A grande diferença é que sempre tento me enxergar do ponto de vista da ciência. Penso muito no porquê de reagir de maneira equivocada em determinada situação. E acho até que uma terapia me cairia bem. Muito bem, por sinal.

O ano que passou foi bem complicado para mim. Tive tranquilidade durante 3 meses. Depois, só emoções descontroladas. Meio Almodóvar. Mulheres à beira de um ataque de nervos. E, claro, mais uma vez comecei a refletir de maneira "Darwinista". O que todas as espécies querem? Voltemos um pouco às nossas primeiras aulas de "evolução" na escola.

Todas as espécies querem gerar descendentes férteis. Ser imortal é perpetuar nossos genes na terra. Descontroles emocionais nada mais são que uma adaptação que visa aumentar a probabilidade de se reproduzir. Ainda mais no meu caso, descontrole emocional em relação amorosa.

Pois bem, eu sabia que a maneira como eu tentava me adaptar aos meus sentimentos estava errada pois diminuía a chance de ficar ao lado de quem eu gostava. Junto a esse fato, meu maior medo era que todas as adaptações comportamentais da espécie contavam ainda com outro componente, mudanças epigenéticas nos genes. Como lidar com tantos fatores e muitos deles ainda pouco estudados? Mudar nosso comportamento é mais do que querer mudar de comportamento.

2018 foi um ano dramático. E um pouco dos meus dramas existenciais avançaram sobre 2019. Foi aí que vi a necessidade de aumentar a disponibilidade de serotonina nas minhas sinapses. Não era uma certeza que eu reagiria melhor aos meus infortúnios amorosos, entretanto era a ferramenta que eu tinha no momento. E melhorou bastante a maneira como comecei a enxergar o problema.

Não, nunca é uma certeza que uma pessoa se sentirá melhor com o uso de determinado antidepressivo. Ainda não temos como comprar a felicidade. Provavelmente com o avanço da Medicina, o futuro promete alcançar a felicidade instantânea ao engolimos uma pílula. Porém, no momento, melhorar é através de um conjunto de ações, terapia, medicamentos, reflexões, viagens com amigos, conversas ao telefones com aqueles que querem o nosso bem. Melhorar é cercada de "talvez".

E depois de meses, ainda sinto meu pé lá no problema e meu pé cá na solução. Um fato é certo, relacionar-se é ter conflitos. Não existe casal de comercial de margarina. Não existem comédias românticas em nossas vidas. Happy End é puro cinema. E a maneira como reagimos a essa grande verdade é a maneira como desenvolvemos nossas adaptações como espécie. E tudo isso está muito além de nós....

Academia Médica
Marcela da Silveira Rocha
Marcela da Silveira Rocha Seguir

Estudante de Medicina Universidade Nove de julho - GRU

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